Tem muito tempo que não posto, e estava quase ficando enferrujado. Infelizmente, o trabalho e algumas outras atividades tem me tomado mais tempo do que gostaria, mas, vamos subindo a montanha!
Tenho acompanhado a mídia, e vejo com preocupação o problema enfrentado pelos hospitais 100% públicos. Quando se fala nestes hospitais, se fala sempre em lotação, problemas no atendimento, problemas de infra-estrutura. O que não se fala é: por que estes hospitais chegam a este ponto?
Primeiro, porque a gestão dos hospitais públicos, na sua grande maioria, é feita por critérios políticos, e não habilidades de gestão. Temos no país uma das melhores faculdades de administração Hospitalar (A São Camilo), que todos os anos despeja gente no mercado apta a resolver os problemas das instituições de saúde. Acredite, a demanda destes profissionais é grande, mas o que ocorre é um extremo apadrinhamento político, colocando administradores “generalistas” no lugar de especialistas, com visão e foco neste seguimento. Acredite, não existe área que envolve complexidade e maior nível de conhecimento que a área de saúde.
Seguindo esta linha, existe uma questão muito grande envolvendo a área de “construção” e modernização de hospitais, mas muito, muito pouco se gasta em investimentos para manter esta estrutura toda operando. Dificilmente se vê no país investimento pesado em manutenção da infra-estrutura hospitalar. Fala-se em ampliar os leitos, mas eles associam isto a investir em novas unidades físicas. As atuais, que precisam de socorro urgente, estão ficando sucateadas rapidamente (imagine usar o mesmo equipamento, que foi projetado e dimensionado para um volume, receber 3 vezes mais a sua capacidade operacional. O que acontece? Ele quebra pelo excesso). Não, não é comum se ver inaugurar novos equipamentos mais modernos (embora eu já tenha visto inauguração de aparelho de eletrocardiograma). Isto não dá voto. O que dá voto é a obra física, mesmo que ela esteja condenada ao sucateamento, depois de pronta.
E ainda, existe uma política extremamente penosa para que os profissionais de saúde encontrem este ambiente de trabalho adequado. Imagine você, que vai a um pronto socorro, não tem seus dados cadastrados ali. O médico precisa fazer sua avaliação clínica (ou cirúrgica) muitas vezes sem contar com as ferramentas em quantidade e confiabilidade. Aí, vem os casos de erro médico (até que ponto não é culpa do estado?), que é originado pela falta de conhecimento anterior à todo histórico do paciente. Não quero defender a classe médica, mas ponha-se no lugar, meu leitor, de um profissional que não tem subsídios suficientes e tem que tomar uma decisão rapidamente.
Não, meu caro leitor, os hospitais públicos são vítimas maior do descaso político do estado com a saúde. E não adianta falar “existem excessões”. Elas existem, mas são tão raras, que não podem nem aliviar o caótico cenário que temos. E a culpa, meu caro leitor, é minha e sua, que, através do nosso voto, chancelamos pessoas que preferem a “obra” do que o “conteúdo”. Gestão pública deve ser feita de maneira séria, e não apenas pelo “apadrinhamento” de gente que sequer passou por um banco de escola, mas exerce o cargo de criar leis para nosso país. E tem gente que ainda chama isto de “voto de protesto”. Vá catar cavacos.
Sim, meu leitor, a culpa pelo caos é tão nossa quanto dos nossos representantes. E quem deve fiscalizar, fica sempre no “tapinha nas costas” e discursos com a profundidade de uma lâmina d’agua.
É, vamos refletir melhor, e subir esta montanha.

