Quando um sonho morre

Eu vi hoje, chocado, a notícia da morte de um estudante de biomedicina, vítima da violência urbana. Não existe nada mais deprimente para um país do que perder seus promissores talentos, por pessoas ligadas ao grande mal social deste século.

Não se trata de uma notícia atual, nem sequer ela deixa de ter relevância. Milhares de histórias como a do Alcides acontecem pelos mais diversos municípios brasileiros. Mortes que vão engordar nossas imensas pilhas de dados de mortes trágicas, entupir os tribunais com inquéritos não concluidos, de culpados livres pelas ruas.

Eu não sou pessimista, mas acredito que estamos vivendo dias terríveis. Dias em que estamos enterrando dezenas de sonhos, com lágrimas de pessoas que deram mais que alimento para que aquela pessoa fugisse da regra. Fosse a excessão. Infelizmente, as estradas também tiram sonhos, e a 381 é uma fábrica de órfãos, viúvas, viúvos e outros graus de parentesco. Só que diferente da violência urbana, a violência do trânsito tem uma interferência direta do governo. Se olhassem bem as estatísticas, veremos que pelo menos uma boa parte poderia ser evitada com adoção de medidas simples e práticas. Aumentar, por exemplo, a punição dos infratores, já adiantaria muito.

Infelizmente, hoje não estou com o espírito para postar algo motivador. Deve ser tensão pré carnaval.

A difícil arte dos sistemas legados

Eu sou um cara extremamente atento a novas tecnologias. Embora seja complicado e oneroso manter atualizado, é um desafio mental pelo menos estar antenado com a infinidade de novos paradigmas que são quebrados diariamente.

O problema é que, muitas vezes, alguns sistemas são extremamente fáceis e exigem pouca infra-estrutura. Neste sentido, o governo brasileiro é especialista. Existem diversos sistemas, principalmente relacionados ao SUS, que não evoluem de plataforma faz muito tempo, obrigando os prestadores a manterem estruturas tecnológicas defasadas, como, por exemplo, os sistemas de procedimentos de alta complexidade (APAC). Eles foram desenvolvidos em MS-DOS, usando a linguagem Clipper, e sequer foram evoluídos para outras estruturas operacionais, como linux ou mesmo windows. Estes sistemas ainda usam Disquetes (poucos lembrarão deste recurso), e que sequer possibilitam o backup em outras unidades mais avançadas, como drives USB.

E sem eles, as clínicas de hemodiálise, oncologia e outros procedimentos conseguem enviar seus dados ao Ministério da Saúde, através do Datasus. Até hoje, muitos prestadores tem enorme dificuldade, pois a maioria das informações se perde entre o prestador e a secretaria de saúde ou regional. E dados extremamente complexos, como estes, fragilmente transportados, podem apresentar erros de leitura, ou mesmo “truncarem”, já que são arquvios TXT ou DBF que são transportados.

Por exemplo, o INSS ainda usa uma estrutura complexa e cara de mainframes devido a sua incapacidade de migrar os sistemas para uma tecnologia mais aprimorada. Fora que são inúmeros sistemas e sub-sistemas que fazem parte do processo, e cuja interligação e interoperabilidade muitas vezes é duvidosa.

Infelizmente, neste “trajeto” e nesta quantidade de sistemas paralelos, a gestão pública perde dados organizados de maneira coerente. Por exemplo, o projeto do cartão do SUS, que viria a ser o prontuário nacional do paciente, simplesmente se perdeu no meio de uma tecnologia que sequer tinha previsão de evolução. Foram torrados inúmeras verbas do dinheiro público porque simplesmente o governo não conseguiu gerenciar corretamente esta implementação.  Infelizmente, polítca e tecnologia nem sempre trabalham no mesmo sentido.

O governo ainda não descobriu que o excesso de burrocracia ainda é o maior impedimento para o crescimento de qualquer setor. E na área de saúde, com o nível dos sistemas ainda existentes, a informação é tão distorcida quanto fora da realidade.

A montanha da tecnologia, infelizmente, ainda precisa ser escalada. E com urgência. O “governo digital” ainda é uma balela. E das grandes, e totalmente desconhecida da população.

Onde um smartphone é útil

Sou usuário constante de novas tecnologias, principalmente celulares. Já tive diversos aparelhos, e minha média de troca é 1 a cada ano. O meu atual aparelho (um N95) está, por enquanto, garantido nos próximos 6 meses. Ainda não encontrei outro que me desse a amplitude de possibilidades e facilidade de uso e bateria.

Mas até que ponto um smartphone é útil? Bem, depende basicamente de 2 fatores: usuário e aplicação. Para quem usam muito o celular para falar, o teclado não é prioridade (meu caso). As agendas geralmente podem ser sincronizadas via PC, e funciona bem como uma ferramenta de gestão de tempo. Mas uso apenas as aplicações que vieram com o mesmo. Não uso soluções de terceiros, ou sequer tive tempo e paciência para escrever algum aplicativo em java para ele.

Mas para quem usa muito, principalmente as anotações, e aplicações simples, é uma ferramenta poderosa. Eu já li um protótipo de software de ultrassonografia usando um IPhone. Para pequenos casos, um luxo médico viável (se as sondas não fossem tão caras). As aplicações são tão úteis que facilitam o trabalho do profissional médico e de enfermagem, como, por exemplo, visualizar resultados de ecg e de exames de laboratório, principalmente na beira de um leito. Para prescrições rápidas e atendimentos que necessitam de agilidade, é uma ferramenta ideal.

Sou fã de ações bem boladas

Sou fã de campanhas de marketing simples, objetivas e motivadoras. Uma das campanhas que vi recentemente, que me empolgaram muito pela idéia, causa e retorno foi a Pink Glove Dance, o Hospital da Providência de Portland, uma Santa Casa (Olha a filantropia aí!), que mostra muito bem o que uma boa idéia e gente que acredita na causa pode fazer.

O vídeo é memorável, e mostra diversos funcionários (praticamente todos os níveis de colaboradores, da limpeza até a alta direção), empenhados numa ação para angariar fundos para ajudar a combater o câncer de  mama.

O Providence Hospital é um hospital geral, ou seja, atende a diversas patologias. Mas como o câncer é uma das doenças que “torram” recursos financeiros de qualquer instituição, a campanha veio em excelente hora.

A ação foi patrocinada por um parceiro do hospital, contou com 200 funcionários que, voluntariamente, abraçaram a causa e dançaram de maneira descontraída para ajudar. O retormo, bem, mais de 6 milhões de exibições no Youtube, o que mostra que a inspiração dos funcionários e a vergonha alheia ainda atraem gente de todo o mundo para a causa.

Este vídeo não é apenas uma mostra de que, quando dispostos, podemos fazer grandes coisas, como estas. Não apenas dançar por uma causa, quase pagando um mico, mas motivar outras pessoas a ajudarem pela causa. O pedido de dinheiro? Comprar as luvas rosas.

Isto só mostra que para fazer a causa receber ajuda, não precisa apelar para o lado da tristeza. A motivação e alegria dos voluntários em ajudar já mostra muito.

A montanha dos recursos pode ser íngreme. Mas se a felicidade de caminhar, sem se importar com o tempo que se gaste for seu companheiro de passos, vale a pena!

Software livre para municípios planejarem ações de criança e adolescência

Eu recebo a news do software público, e me deparo com esta solução.

” Os municípios brasileiros e as ONGs podem contar com mais uma solução disponibilizada no Portal SPB, a solução REDECA. O sistema de informação foi desenvolvido pela Fundação Telefônica para fortalecer o Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente. O lançamento ocorreu no segundo dia da Campus Party 2010 na cidade de São Paulo, em cerimônia que selou a parceria entre a Fundação e a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento.

O nome REDECA faz uma referência à sigla ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). O sistema foi desenvolvido pela Fundação Telefônica, dentro de seu projeto de Redes de Atenção à Criança e ao Adolescente, em conjunto com oito municípios paulistas. A finalidade do software é integrar informações sobre cada criança atendida, num só registro, em que se pode observar dados sobre saúde, educação, assistência social e outros temas relativos ao desenvolvimento. Com isto, é possível identificar a trajetória e as necessidades dos beneficiados individualmente e analisar as demandas coletivas para a definição de políticas de atendimento.

Na análise do diretor-presidente da Fundação Telefônica, Sérgio Mindlin, a liberação do sistema REDECA no Portal do Software Público Brasileiro propiciará a milhares de municípios brasileiros conhecer a ferramenta e decidir sobre sua utilização. O programa, construído em plataforma de software livre, foi produzido de forma coletiva para contemplar os diversos formatos, necessidades e perfis das organizações governamentais e não-governamentais ligadas ao atendimento das crianças e adolescentes. “Nosso objetivo é facilitar o acesso das cidades a essa ferramenta e acreditamos que o Portal possa ser um grande mediador”, diz Mindlin.

Em conjunto com a disponibilização do REDECA a Fundação Telefônica oferece por meio do portal Pró-Menino (www.promenino.org.br), na seção Redes de Atenção a Crianças e Adolescentes, um conjunto de materiais de apoio contendo a metodologia de implantação e utilização do sistema.

O usuário do Portal pode baixar a solução diretamente do endereço:
http://www.softwarepublico.gov.br/ver-comunidade?community_id=18016032
Grupos de Interesse – Municípios
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Se você tem interesse em acompanhar as notícias sobre os assuntos dedicados aos municípios brasileiros, acompanhe:

o twitter do 4CMBr pelo endereço: http://www.twitter.com/4cmbr

e os vídeos do 4CMBr no youtube: http://www.youtube.com/4cmbr

Agora é só esperar alguem da prefeitura mostrar boa vontade e implementar este sistema. Dados, prefeitos, dados!

E vamos subindo a montanha.

O Obama tira da Nasa o que ela pode produzir de melhor

O presidente “O cara” Obama realmente é um cara gente boa. Corta verba da NASA daquilo que ela tem de melhor, que são suas pesquisas espaciais. Cada dolar investido alimenta milhões em retornos em pesquisas e produtos que fazem a alegria de muitos investidores.

Canetas, lapiseiras, e outros produtos foram oriundos de pesquisas sustentadas com verbas públicas. Mas em nome da economia e do sonho de vida americano, cortam a verba dos nerds.

Nada mais injusto, já que a pesquisa científica fornece milhares de respostas para outras inúmeras perguntas. E Obama, “o cara”, simplesmente pisa na bola com a comunidade científica.

Infelizmente a montanha do conhecimento fica cada vez mais distante do primeiro passo da escalada. E vamos que vamos!

Ando desplugado

Andei desplugado nestes dias. Apertado com relatório de gestão da empresa em que trabalho, com atividades que estão consumindo mais tempo que gostaria e ainda estou me candidatando à pós graduação (sim, este ano volto a estudar). E eu este ano quero me dedicar mais a minha formação acadêmica. Pessoal e profissional, tenho que crescer (yoda dialogue mode on).

Eu gostaria de deixar claro, que a troca de gestor da secretaria municipal de saúde  (JM) não vai ser a pauta dos meus comentários. Cargos públicos vão e vem. Projetos… bem, estes teoricamente deveriam ser concluídos.

Quanto ao HM, bem, não vou comentar nada até fevereiro.

E vamos tentar subir a montanha!

Saúde conectada ou desplugada

Sim, existe um grande debate sobre os blogs e a saúde. Meu blog envolve saúde. Mas fico mais na parte de gestão. Sobre a conduta médica, discutir propedeutica ou divulgar “novos tratamentos”, não posso fazer porque simplesmente não sou médico ou profissional de saúde (embora conheça meandros de equipamentos de diagnóstico por imagem). Então, meu blog, que está crescendo em acessos (estou passando dos 100 acessos), não trata sobre os meandros que já citei.

Confesso que já pesquisei sobre diversas doenças na Internet, e seus tratamentos. Mas não vou nas fontes tradicionais como simplesmente ir no Google e digitar. Prefiro ir direto nas fontes das sociedades da especialidade ou diretamente nas diversas bibliotecas médicas disponíveis. Mas eu adoto este critério, porque sei que muitas pessoas trocam informações sem o crivo da responsabilidade.

Por exemplo, Urinoterapia. Algo totalmente desprovido de critério e embasamento. Mas algumas pessoas acreditam, porque algum “guru” da medicina falou que era interessante, e que ajudava a curar diversas doenças. Ora. Se é algo excretado pelo corpo humano, como pode ser bom? O organismo humano não descarta nada se não tiver necessidade ou sentido. E dizer que este tipo de tratamento cura câncer e AIDS é de uma total falta de bom senso.

Aí que mora o problema do filtro das informações. Todos os dias, alguém busca um melhor entendimento sobre os resultados de exames clínicos. Por exemplo, se o nível de colesterol for alto, ele já irá pesquisar sobre os efeitos do colesterol alto no organismo, e não conseguirá interpretar os demais resultados. Apenas alguns sintomas não justificam uma pesquisa na Internet. Afinal, não existe um sintoma isolado. Por exemplo, febre e tremor não podem indicar apenas uma gripe.

A Internet populariza muita coisa. Lixo também. Infelizmente, o desespero da busca pela informação nesta sociedade conectada em que vivemos não impede absurdos. E os consultórios médicos estão refletindo isto, com o número cada vez maior de pessoas questionando o médico sobre os resultados dos seus exames.

Nisto, talvez seja um aspecto positivo. Afinal, existirá o diálogo entre o paciente e o médico. Mas o médico deve saber orientar também a consulta do paciente, e orientar adequadamente o uso da internet para a pesquisa sobre os exames e resultados.

Não adianta plugar itens de saúde e desplugar o médico. Ele é fundamental no processo, mas não pode se fechar ao uso da tecnologia. Ele deve estar aberto a este tipo de questionamento e apto a esclarecer adequadamente sobre os sites que podem ajudar e agregar informação ao paciente.

Pilares políticos x pilares técnicos

Administradores são importantes. Reconheço que o espírito empreendedor do Lucien é grande, e ele é uma pessoa capaz de realizar grandes feitos. Empreendedores geralmente usam a criatividade para inovar em algum produto ou serviço. Confesso que a empresa da qual ele é proprietário atingiu um grau de destaque muito grande.

O político Lucien eu não conheço. Não entro no meandro político. Conseguir verbas do governo para expansão dos serviços não é merito apenas dele, mas de muitos outros administradores hospitalares espalhados pelo país. Não equeçam que o Hospital São José, de Nova Era, sobrevive ainda sem os recursos de intervenções federais ou estaduais. e tem uma estrutura física de dar inveja. Pena que não tenha um “administrador” ou “político” para servir de tripé.

Sobrevivência, sucateamento, solvência, dívidas não são palavras únicas para descrever a situação do hospital Margarida. Se você pesquisar no site da Federasantas, e outras entidades que cuidam da gestão hospitalar de entidades filantrópicas, pelo menos 12 hospitais são fechados todos os anos, pela impossibilidade de sustentar suas contas. É o caminho que uma tabela defasada do SUS impõe a estes hospitais, que não tem tripés para sustentar suas estruturas financeiras.

Os hospitais, assim como a maioria das empresas, esquece que não adianta nada você ter recursos financeiros, se não tiver uma boa gestão. Hospitais privados de médio e grande porte dão exemplos claros disto. Veja, por exemplo, o Einsten em SP e o B. Portuguesa. São filantrópicos. Mas sobrevivem porque tem extremo zelo suas equipes profissionais, e atraem convênios para trabalhar com eles. O Einsten é para mim referência nacional em TI de saúde levada até a beira do leito. Os indicadores públicos dele estão aí para mostrar que é possível fazer muito, sabendo reter talentos e valorizando o corpo clínico.

Não adianta falar em tripé político, se a sustentação deste tripé for fraca. Ninguém quer ficar hospitalizado numa instituição que tem índices de infecção hospitalar altos, ou mesmo com médicos desconhecidos. Você quer ficar internado onde o corpo de enfermeiras te atende bem, onde se tem um atendimento de qualidade na recepção, onde é possível ter informações sobre os procedimentos executados de maneira clara. Não se fica no hospital porque o diretor é amigo de cicrano que consegue verba. Se fica num hospital porque o corpo clínico e técnico é de qualidade.

O blogueiro tem suas opiniões, e eu tenho as minhas. Considero o debate de idéias fundamental. Mas não se pode supervalorizar um tripé que pode ruir de acordo com o sabor dos ventos ou das marés. Pessoas passam. Ações ficam.

A montanha da saúde envolve preparação e boa equipe para escalar. Não adianta mandar um diretor administrativo enfaixar um pé, que ele não vai conseguir enfaixar. Pense nisto.

Excelente artigo

Transcrevo aqui o excelente artigo que saiu na Saúde Bussines web.

Esta questão é uma das que mais deveria sensibilizar o governo:

O SUS e o câncer
 
por Roberto Porto Fonseca* 
19/01/2010
 
Presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Roberto Fonseca comenta a preocupação com a deteriorização das condições de atendimento
 

Os cancerologistas brasileiros estão cada vez mais preocupados com a deterioração progressiva das condições do atendimento ao paciente oncológico no Sistema Único de Saúde (SUS). E não é para menos: até o final deste ano, estima-se que no Brasil ocorrerão cerca de 466 mil novos casos de câncer, com uma mortalidade de cerca de 160 mil pacientes. 

O tratamento de câncer no Brasil, no que se refere ao SUS, deixa enormes lacunas nas opções à disposição dos cancerologistas, impossibilitados de utilizar tecnologias e drogas já incorporadas à prática médica há muito tempo. 

Cerca de 80% dos casos de câncer no Brasil são tratados no âmbito do SUS, tornando imprescindível a adoção de novos medicamentos e tecnologias, bem como a atualização da tabela de procedimentos oncológicos, nas quais ocorreram apenas alterações pontuais nos últimos 11 anos, com a transferência de parte dos custos para os prestadores de serviço. 

Exemplo do equívoco de tais políticas foi a forma como se incorporou a droga imatinibe à tabela de procedimentos da oncologia no SUS em 2001. Na época, o governo promoveu a isenção de impostos para o medicamento para que o preço ficasse compatível com o valor pago pela Autorização de Procedimentos Ambulatoriais de Alto Custo (Apac). Ainda assim, o procedimento era deficitário para os prestadores de serviço, pois o valor pago cobria apenas o preço do medicamento, o que era insuficiente para arcar com seus custos operacionais. 

O número de pacientes que usam imatinibe vem se avolumando, o que o torna extremamente oneroso para o sistema, a tal ponto que, em 2007, o gasto do ministério com essa medicação totalizou R$ 203 milhões, ou seja, 19,8% de todo o gasto do SUS com quimioterapia, embora o número desses pacientes representasse menos de 2% do número total em tratamento oncológico. 

É necessária, ainda, a revisão do orçamento ministerial destinado aos procedimentos da oncologia clínica, assim como a melhoria no acesso e na cobertura do atendimento cirúrgico oncológico e de radioterapia. 

Desde 2004, soluções técnicas bem embasadas vêm sendo discutidas pelas sociedades de especialidades, em conjunto com o órgão normatizador da política de atenção oncológica do Ministério da Saúde, o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Essas propostas já foram aprovadas no Conselho Consultivo do Inca, mas não houve sua implantação efetiva pelo ministério, ocorrendo um atraso de mais de 10 anos na inclusão de procedimentos sabidamente curativos, que teriam salvado a vida de milhares de pacientes, a despeito de sucessivos alertas feitos às autoridades de saúde. 

Os cancerologistas defendem a justiça e a equanimidade no tratamento clínico do câncer e pedem ao Ministério da Saúde que examine, com prioridade, a inclusão de novas tecnologias e de novos medicamentos oncológicos, tendo como objetivo final o respeito ao paciente de oncologia atendido pelo SUS. 

*Roberto Porto Fonseca, diretor da Oncomed e presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia 

Sem mais comentários. Tabelas são tabelas. Despesas não podem ficar apenas por conta do prestador. E quem está com esta patologia, sabe da importância de qualquer chance de tratar e curar é muito melhor quando todos os recursos estão disponíveis.