Os muros e os vales.

Eu acredito que estão erguendo muros demais em minha cidade. Muros de idéias, de debate, de conversa sadia. O Célio sempre defende as bibliotecas. Eu já vi bibliotecas e museus. Bons e ruins. Tive a oportunidade de conhecer o MASP e a Pinacoteca, em SP. Ambos prédios históricos. Ambos locais para experimentação e para sair incomodado ou alegre com a experiência. E todos cercados de bons cafés e restaurantes para boas discussões. Estes lugares aglutinam o debate. Não tem muros e os vales são transpostos de maneira teórica ou prática. De lá saem idéias para fotos, inspiração para músicas, sementes de alguma transformação. Mesmo que seja interna.

Se eu quero tomar um café expresso em Monlevade eu tenho dificuldade. Ainda mais se for para debater alguma coisa. Raramente posso encontrar com gente que queira dividir outros olhares sobre a paisagem das montanhas, e maneiras eficientes de ultrapassar os vales da mesmisse.  Se você debate algum assunto, muita gente pecha você de intelecualoide, chato. Nos meus encontros com os amigos, as pessoas quase olham pra gente como extra-terrestres. Que que este povo fala tanto de computador, num buteco? Vivo disto, e quando quero conversar, quero conversar sobre isto com meus amigos, pombas!

Falta em Monlevade este ambiente de idéias. Aqui os jornais não promovem debates. O Estado de Minas tem o projeto “Sempre um Papo“, que traz cabeças pensantes para falar com diferentes pessoas sobre o que acontece em outros lugares. Tem até o TED, que é antes de tudo visionario e inspirador. Gente falando sobre projetos, gente debatendo idéias. Gente movimentando cultura.

Diversos blogueiros sempre falam desta inexistência de diálogo. E os nossos jornais ainda vivem de apenas falar. O debate, promover o debate mesmo, fica apenas como uma iniciativa que tem que ser nossa. Eu acho que o debate deve acontecer, mas se tiver alguem promovendo o debate, cria-se o moderador, que evita a dispersão do assunto. E isto pode ajudar outras pessoas a refletirem.

Sabe o que eu gostaria que acontecesse? Um debate global dos blogueiros de Monlevade. Um círculo dos blogs. Todos em volta de uma mesa, conversando e propondo idéias. Um verdadeiro “Toró de parpite”. Nasceriam idéias excelentes para muita gente, e todo mundo poderia aprender. Poderia um Jornal promover esta idéia, este encontro. Um fim de semana com as pessoas que tem seus 100 acessos semanais (Eu cheguei na casa dos 500!)  Um final de semana conjenturando idéias, movimentando opiniões e compartilhando visões. Pessoas olhando para a cidade com um olhar diferente, politizado ou não, partidário ou não. Mesmo que eu tivesse uma discussão com o Thiago de meia hora sobre quem é o primeiro blogspot de monlevade (que ele tirou :) ) seria algo que poderia ser motivador para outras pessoas a fazerem. Imagine, por exemplo discutir turismo, educação, cultura, saúde, esporte, com pessoas que, acredito, estão articulando opiniões e compartilhando com a cidade? Alguma coisa iria nascer do meio deste caos. Nem que fosse uma rosa de hiroshima.

Eu não sei se algum Jornal ou rádio lê meu blog. Se ler, tá aí uma boa matéria, e oportunidade de fazer um debate diferente. Diferentes opiniões sobre a cidade, num fim de semana. Não iria ser um caderno de informática. Não existem muidos blogueiros monlevadenses que são nerds, mas daria no mínimo uma boa lista de assuntos para repercutir. Talvez até melhorasse a linha editorial. Ou a crença de que está fazendo um bom trabalho. Mas iria pelo menos dar uma saculejada nas idéias.

Tá aí, a semente de um debate. Se meus leitores toparem este debate, podemos chegar a alguns caminhos e olhares diferentes. Mas podemos fortalecer outras pessoas a discutirem sua relação com a cidade. E isto vale muito a pena.

O e-Cidade

Esta eu gostaria de dar a dica para meu colega Cláudio, que milita na TI da prefeitura. E até mesmo para o prefeito, vice e demais secretários.

Olha aqui um software integrado para administração municipal, o e-cidade. Livre, gratuito, na faixa.

Tente implantar ele numa secretaria pequena, primeiro, ou duas, como esporte e lazer e a casa de cultura. Veja o que pode ser melhorado, veja os resultados.

E aí, depois deste piloto, arregassem as mangas e mande para todos os demais setores. Bem melhor que planilhas e documentos. Bem mais ágil que mensagens e ligações telefônicas. E útil a toda pessoa. Sim, ele aumenta a transparência, porque tem um módulo cidadão. Olha que chique!

Ah… e o módulo de Saúde dele, embora fraquinho (Farmácia, agendamento de consultas e ambulatório) ia ajudar demais, por exemplo, a secretaria de saúde a resolver questões que hoje não tem. E ele faz o BPA (que coisa linda de meus bytes)!

E vai, software livre! Melhor que isto, só descer a montanha. Porque para subir, tem a corda já. Basta querer escalar agora.

Onde é preciso planejar

Vou dar uma dica para a secretária de saúde. Não a conheço pessoalmente (não tive a honra ainda) de conversarmos sobre a saúde de nossa cidade. Se quiser entrar em contato, fique a vontade. Estou tentando ajudar quem me pediu, embora, confesse, esteja precisando muito mais de tempo para focar num resultado prático.

Os projetos de odontologia e de PSF estão indo. Tenho visto alguns movimentos interessantes neste sentido em Monlevade, e acho que isto ajuda. Mas não existe ainda interligação entre os projetos nos diversos escopos da saúde. Apenas uma dica, que você pode colocar um software público gratuito, chamado SGD (Sistema de Gestão de Demandas). Ele é livre, e embora tenha uma linguagem de TI, permite que diversas fases de projetos sejam implementadas nele. Claro, ele pode ser customizado, basta querer.

Se você usar este software, não vai resolver os inúmeros problemas da saúde. Mas poderá gerar melhorias significativas em resultados. Se é planejado algo, é necessário monitorar e acompanhar, e o SGD é excelente nesta parte. Por exemplo, você pode articular com todos os envolvidos no PSF, na odontologia, na Fisioterapia, nos postos de saúde, rodando pela Internet. Cada um alimentando suas demandas e articulações. E você monitorando, dando as cartas e a direção. Não sei se você já jogou RPG, mas seria quase um gerador de fichas (com o devido respeito aos colegas que jogam RPG).

O software é público, sem custo, e ia poupar aquelas intermináveis reuniões e dificuldade de concentrar a equipe para pensar. Cada um poderia lançar seus planejamentos setoriais (chamados de demandas) e ir acompanhando os prazos, o que está evoluindo, e linkando com os setores dependentes.  Se a prefeitura tiver um servidor web, os postos de saúde acessam pela internet mesmo, todo mundo conectado e acompanhando em tempo real.

Eu acredito que planejamento de papel é tão bom quanto papel higiênico, porque nele dificlmente você pode voltar para trás e aproveitar algum trecho já vencido para aprender. Com o software, o processo passa a apresentar indicadores, e isto ajuda muito a ver quem realmente está trabalhando, ou quem está com dificuldades em encontrar a linha. E aí poder até trabalhar individualmente com estas demandas. Nada mais organizado, limpo e transparente.

E boa sorte, e querendo conversar, estamos ai.

PS.: Não quero cargo público. Não estou puxando saco de ninguém. Só que no lugar de ver as coisas acontecerem, e ficar apenas acusando, tenho que ser positivo e mostrar outras coisas, outras idéias, outras soluções. E de preferência, sem custo.

Mulheres, todos os dias, mulheres

Eu trabalho numa empresa em que o sexo masculino é minoria. Não é uma empresa ruim de trabalhar, embora eu acredita que sempre vou conviver com 30 dias de TPM. Tenho 3 irmãs. Mulheres sempre me rodearam. Na turma de informática que leciono, elas dividem espaço com a tradicional turma do bolinha da informática.

Na área de computação, elas estão dominando onde os homens são fracos, que é a análise de código, qualidade de software e suporte. Nesta parte, são imbatíveis. Ter suporte telefônico com uma mulher é bem melhor que com um cueca. Você não pensa que vai estar falando com um nerd, embora algumas sejam mais nerds que eu.

Mulheres sabem cuidar de feridas. Basta ver que a maioria das turmas de enfermagem em qualquer grau são de…. mulheres. A prepotência masculina ainda não chegou nesta área de cuidados. E ao mesmo tempo, me deparo com a grande contradição, que nós ainda temos muito o que aprender com elas.

Falo isto com a competência de ter 3 irmãs. Todas adultas, femininas, bem resolvidas, em profissões diferentes, e dominadas por mulheres. Minha irmã mais velha é professora, a do meio é Analista de RH e a mais nova secretária. Eu nunca conheci um secretário executivo. Elas me fazem ver todos os dias que ainda preciso vencer desafios maiores.

Mulheres precisan de nosso tempo, atenção e carinho. E muitas vezes o que damos a elas são resquícios do dia, pedaços de atenção. Não aprendemos a lidar com suas angústias, no alto de nossa testosterona. Ainda não sabemos qual a melhor frase para aplacar as dores delas. E elas nos dão o beijo que cura muitas doenças. E não sabemos beijar com a mesma competência.

Eu acho que a luta das mulheres que morreram, e que são lembradas hoje, são marcos. Marcos de uma sociedade que ainda não consegue rever muitos valores. Homens ainda vivem na pré-história dos sentimentos. Mulheres já transportam galáxias no coração, e nós não sabemos lidar com isto.

Eu queria dizer algo maravilhoso sobre este dia. Mas deixo meu abraço carinhoso a todas as minhas raras e maravilhosas leitoras. Ainda vou aprender a abraçar e a confortar como vocês fazem. Se chegar no beijo, melhor ainda. Mas não tenho esta pretenção.

Feliz todo dia da mulher.

O preço da Ignorância é o mal resultado

A maioria das pessoas desconhece totalmente o que ocorre nas esferas públicas. Infelizmente, as contas, a prestação de informação não é a prática dos governos, em qualquer escala. Embora as iniciativas do governo como os sites da Transparência Brasil, e sites de outros órgãos do governo, prestar conta dos resultados não é a prática nas esferas menores. O que ocorre é que quanto mais oculta a informação, mais propenso ao mal resultado é. Fora a brecha da corrupção.

Por exemplo, não consig cruzar dados das esferas federais com as municipais. As do governo do estado também encontram certa dificuldade, mas as esferas municipais são uma verdadeira caixa de pandora. Não se consegue abrir diretamente. No site das prefeituras, quando possuem, não se consegue ter acesso aos custos. Exceto a prefeitura de SP, que divulga até o valor da folha de pagamento, o resto fica hermeticamente fechado.

Eu defendo a abertura destes dados. Afinal, quanto maior a transparência, maior vai ser a facilidade de saber a realidade, e se os prefeitos estão dando o nó com as verbas, ou se realmente estão sobrevivendo com o que é repassado pelas diferentes esferas.

Por exemplo, a polêmica do Hospital Margarida x Prefeitura. Se fosse observado que outras cidades, como Bela Vista, Rio Piracicaba e Nova Era ainda recorrem bastante ao Pronto Socorro do Hospital Margarida, sem oferecer nenhuma ajuda, a prefeitura poderia cobrar uma ajuda destas cidades também. Ou o próprio Hospital. Ou a própria prefeitura, que tem o seu PA com boa parte dos atendimentos oriundos desta cidade. Não se trata de uma ação inócua. Mas alguns municípios (inclusive aqui) gostam de transferir seus custos para outras cidades.

Neste ponto, bato demais da tecla de que as ambulâncias e ônibus são a pior amostra de que uma prefeitura não consegue resolver seus problemas dentro de casa. Transferir os custos para os grandes centros é muito cômodo. Apresentar estas informações doi demais. Não em nome da transparência, mas da total falta do resultado que isto vai ter.

Ainda acredito que a falta de lisura não será resolvida em alguns anos. A cultura da inércia e da falta de divulgação é uma prática de todas as casas. Afinal, o dinheiro que chega para um pode despertar a inveja do outro. No lugar de cooperar, eles preferem omitir, e ocultar.

E com isto, a ignorância de muitos é a maior arma da falácia da maioria. E o resultado, é o mínimo que se pode esperar.

A percepção diferenciada

Eu fico vendo o embate entre o antigo prefeito e o atual de Monlevade. Não se trata de uma guerra de idéias, mas o pior do que se pode esperar de alguem. Parece que a pessoa perdeu o osso, e agora não quer soltar mais, ou ficou magoado, porque não se consegue mais ter as benesses e acesso do poder.

Não sou militante político, não sou filiado a nenhum partido, como já deixei claro inúmeras vezes. Mas a política não deveria ser baseada em acusações, e sim em pensar diferente no que é melhor para a cidade. Se o espaço do “Hospital Madalena” deixa de ser hospital e passa a ser centro de especialidade, justifica a briga? Ambos não proverão a saúde? Quem, em qualquer situação, será beneficiado não é o povo?

A idéia de mais um Hospital em Monlevade é uma estratégia tão furada, que não se garante. Uma vez, conversando com a secretária de saúde Luciana (governo Moreira), ela me disse que o PA gerava um defcit, e que as AIH´s (autorização de internação hospitalar) resolveria parte deste déficit. Eu falei com ela que se o PA tem pacientes em regime de internação, ele não é um PA, e sim um hospital disfarçado, o que violava o sentido de um PA. Ela não concordou, porque ela não tinha como encaminhar os pacientes para internação devido ao tipo de problema que eles sofriam, que não atraia as instituições hospitalares (doenças pequenas).

Algumas idéias são realmente populistas e inoportunas. Elas funcionam como um pote de mel envenenado para atrair uma colméia. Elas vão, mas deixarão de produzir mel porque simplesmente foram mortas! Não adianta criar fontes de despesa sem um planejamento de como elas vão suportar ao médio e longo prazo. E o descaso da administração passada com números é tão preocupante, que não se consegue saber onde, de verdade, foram gastos os valores do PSF.

O PSF não foi levado a sério no governo Moreira. Se tivesse sido levado a sério, os resultados de óbitos por doenças crônicas não estaria nos níveis que estão.  Um dos papeis do PSF é promover a saúde, para reduzir os custos com intercorrências complexas. E nós ainda vamos pagar este preço por um bom período de tempo.

Eu gostaria que o ex-prefeito Moreira, que acusou existir a “máfia de branco”, apresentasse com clareza e transparência os dados de sua gestão na saúde. Eu não falo de pessoas transportadas pelo ônibus da saúde, ou ações inócuas de transporte de pacientes para BH. Gostaria de saber por que não se investiu em atendimento básico e PSF. Desafio ele a apresentar os dados do DATASUS de maneira coerente, e responder porque de 2003 a 2006 não existe nenhuma ação do PSF registrada junto ao Ministério da Saúde.

Não é o discurso falar é fácil, fazer também é que vai mudar a situação da saúde. O que muda a situação da saúde é o trabalho interdisciplinar, usar a criatividade para fazer mais com menos e ter os pés baseados em indicadores. Sem isto, vira pura balela.

Centrais de Compra podem reduzir custos

No meu último encontro com o Célio Lima, do Agenda Oculta, enquanto trocávamos impressões sobre a área de saúde, conversamos sobre centrais de compras hospitalares. As centrais de compra já são uma realidade em alguns hospitais (por exemplo, o Grupo São Luiz possui uma central de compras para sua rede, a Pró-Saúde mantém também este modelo). Neste quesito, pequenos compradores são beneficiados por negociações conjuntas, de materiais de consumo que torram a verba (soros, materiais de uso hospitalar, alguns medicamentos comuns). Nesta parte, a redução de preços pode chegar até a 20% do que se compra em um fornecedor.

Pesquisando rapidamente no Google, descobri uma central de compras “virtual”, baseada na cidade de Coronel Fabriciano, que tem excelentes resultados (economia de 16%) nos resultados.  A grande vantagem de uma central de compras já baseada na região é a possibilidade da negociação estar usando o nosso famigerado ICMS de 18%.  Por enquanto, o volume de hospitais é pequeno (de acordo com o site, 8 hospitais).  Imagine se entrarem mais hospitais, como o Margarida, e os demais de nossa região? Teremos um alcance de escala, permitindo uma otimização de custos maior.

Geralmente se engana quem pensa que é o medicamento que pesa mais numa compra hospitalar. A tendência das curvas ABC de estoque é manterem na curva A sempre os materiais e medicamentos mais simples. As luvas, seringas, agulhas e soros são os maiores vilões de um hospital, porque se gasta demais, sem perceber que estes valores tem a maior demanda de custo. Um par de luvas pode parecer com o valor irrisório de 12 centavos, mas no final do mês representa um valor significativo. 

Eu costumo dizer que hospitais não deveriam ter a visão de “concorrência”. Em nossa região, a maioria deles desconhece as vantagens de se comprar em conjunto. Colaboração, neste sentido, não existe. Cada um está olhando para seu próprio umbigo, esquecendo de otimizar seus resultados.

As prefeituras também poderiam manter este tipo de serviço, pelas associações locais, conforme sugeriu o Célio Lima. Mas acredito que devido à lei de licitações, isto poderia ficar um pouco limitado. Mas as prefeituras poderiam adotar pregões mais constantes destes itens, sem ferir a lei de licitações. Basta querer e fazer.

Eu não sou adepto do discurso de que falar é fácil, fazer também é. Mas é uma alternativa concreta para desafogar os custos. Mas apenas comprar bem não resolve, se não ocorrer uma mudança no paradigma de gestão de estoques. Quanto melhor gerenciado o estoque, melhor será o resultado final.

E vamos que vamos!

Otimista eu sou.

Sou naturalmente otimista. Embora eu seja extremamente crítico em algumas áreas, penso que a inércia é a pior ferramenta. Ficar parado olhando dados sem propor alternativa não resolve o problema.

O governo tem um grande desafio ao assumir a gestão do PS do Hospital Margarida. A primeira é gerir seu estoque de PS para minimizar o desperdício e a ineficiência. O segundo desafio é a integração entre as redes de saúde.

Eu estive lendo outros pontos de vista. Realmente, na palavra do contador, a prefeitura vai ter um aumento no custo da urgência. E ela vai ter a oportunidade de fazer mais com menos. E como ela resolve esta equação?

Investindo em dados. Sim, investindo na coleta, tratamento e tomada de gestão. O melhor cenário é identificar em que momento aquele paciente retorna ao PS. Se ele retorna mais de 2 vezes no período de 6 meses, é o momento do PSF (Programa de saúde da família) entrar em ação. Hoje ela não consegue fazer isto. Se ela usar os sistemas ou até mesmo adquirir um, poderá gerenciar toda a cadeia de custo em saúde. Poderá, por exemplo, melhorar o resultado do PSF e evitar os atendimentos de patologias que torram as despesas de um PS (Hipertensos, diabéticos, pacientes crônicos). Na área de saúde suplementar, esta intervenção economiza 45% das despesas em 5 anos. Quanto mais bem cuidado o paciente for em casa, menos ele vai ter que gerar custos para as redes de urgência. Basta querer e fazer.

Claro, o momento agora será uma maratona contra o relógio. Acertar ponteiros. No meu post anterior, fui bastante pessimista. Confesso que acredito que se não acertar a rede básica, o custo da atenção de urgência quebrará a prefeitura em…. 2 anos, talvez. Mas se interligar e reforçar esta cadeia, conseguirá gerir como ninguém a saúde. Talvez até atingir a referência regional, porque cidade que compartilha as informações em saúde é cidade que gere bem. Basta que cada chefe de posto queira botar a mão e fazer acontecer. Deixar de reclamar e criar soluções. Intelecto para isto eles tem. Mas tem que fazer sempre mais com menos. Sem isto, acreditando que a torneira fica aberta o tempo todo, se quebra.

Atrevo a dizer que a prefeitura não pode deixar de pensar como empresa. Ela hoje sempre pensa em termos políticos. Basta criar indicadores, índices e que eles conseguirão avançar a passos largos. Se ela trabalhar na saúde 6 meses como empresa, ela consegue passar os outros 6 meses como política. Resultados virão. E com resultados práticos, vai poder até equilibrar os custos, sem perder a ternura :)

E que venham novos dias.

O risco do elo mais forte e do elo mais fraco

Está para acontecer uma inversão de valores grande. Explico, irá se vestir um santo, e descobrir dezenas de padres e freiras. O que um gestor deveria fazer antes de assumir uma responsabilidade, é havaliar o risco inerente do colapso de outros serviços, porque se terá que gerir custos exponencialmente maiores de um processo que ainda não tem indicadores consolidados no que já é oferecido. Mudará de uma bicicleta, para um ônibus com 50 vagas, dois andares. E querendo locomover com a propulsão humana, arrastando 50 pessoas, com ar condicionado ligado.

Os elos fortes serçao enfraquecidos, e o elo mais fraco fortalecido. E não se conseguirá dar os passos necessários pela completa falta de informação. Realmente acredito que a intenção é a melhor, e torço para que seja, mas antes, qual é a resolutividade dos serviços que já são oferecidos e seu custo por pessoa? O repasse do SUS vai conseguir atender, sem aporte de recursos extra? O que teremos que fazer para melhorar esta situação ou encontrar um ponto de equilíbrio?

Acho o risco oportuno, e até socialmente responsável. Mas que outros setores terão que ser reforçados para encontrar o correto equilíbrio para isto? Que dados faltam? Onde a conta vai apertar, e quem teremos que desguarnecer? Que sustentabilidade mínima o serviço deve oferecer?

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer, já diz o verso. Mas quem sabe, tem dados. E se tem, a leitura dos mesmos está correta? O olhar está pensando no todo, ou só num aspecto do problema?

Elos são rompidos quando a força externa é grande, e os elos mais fracos não dão o suporte para o elo que está recebendo o peso maior. E a escalada da montanha requer que todos os elos suportem sua parcela de peso.

Novas regras de CTI e UTI

As novas regras de construção de UTI´s e CTI´s foram publicadas no DOU. Quem possui tem o prazo de 6 meses para se adequar. Quem não tem, bem, e se quer, deve correr para adequar os projetos.

Não se trata de um processo complicado, mas melhores práticas. E elas são importantes.

E vamos que vamos.