Ontem um amigo me chamou no Google Talk e falou que era para eu parar de criticar a prefeitura e falar mal da saúde em Monlevade. Falou que eu não estava ajudando em nada.
Bem, primeiro, eu não falo mal do governo. Já me ofereci N vezes neste espaço para conversar sobre saúde pública, e a única conversa que tive com o governo foi extremamente amistosa. A secretária de saúde, se lê meu blog, não se manifestou até o presente momento.
Eu deixo claro sempre que o que ocorre em Monlevade, ocorre em outras centenas de cidades do Brasil. Os cargos públicos do “1º Escalão” são colocados em sua maioria para pessoas que não conhecem todas as matizes e cores do Sistema Único de Saúde (e eu sou o primeiro a assumir que não sou especialista em SUS, sou um farejador de dados do SUS). E que estas pessoas, quando assumem o poder, se perdem em meio ao grande número de trâmites que o SUS impõe. Durante a “preparação” do governo, o secretário deveria ter pelo menos a boa vontade e o compromisso de fustigar toda a legislação do SUS, para pelo menos entender o que é um teto de atenção básica (sim, conheço secretários de saúde que acreditam que o teto é aquele percentual constitucional que eles tem que cumprir).
Eu não critico a gestão municipal em sua estratégia política, mas critico a questão da falta de cuidado com os dados públicos. Roubaram computadores com dados importantes, e o que se fez com isto? Se tratou com uma leviandade tremenda. Descartaram irregularmente prontuários de pacientes, e não foi dado um critério de análise jurídica sobre isto.
Monlevade tem sofrido com letargias e “lags” porque tem trabalhado não para resolver problemas e pegar projetos, e sim para combater ataques da oposição. Ou seja, se dá um tremendo valor à oposição. E é triste perceber que a oposição tem horas que é mais inteligente e bem conduzida que o governo. É a minha visão enquanto cidadão.
Existem cenários que foram traçados no programa de governo que não vão ser cumpridos. E que jamais deixarão de sair da utopia para virar prática. E que muitos projetos terão caráter de atender a uma parcela tão pequena da população que sequer poderão ser chamados de projetos, porque serão feitos no encerramento da gestão, e que terão aspecto fraco e pouco sustentável.
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Hoje
jul 29
Hoje falarei para um público especializado, sobre dados em saúde pública, que é um dos assuntos que trato neste bog sempre.
O convite veio da Dra. Janaína Barbosa, que é minha leitora, o que gera uma tremenda responsabilidade por minha parte.
Tenho tido bons retornos de leitores, e alguns linkam meu blog, ou fazem repercussão das minhas postagens, o que me deixa deveras feliz.
Embora não seja da área de saúde (não sou médico, sou analista de sistemas), é uma das minhas paixões pessoais. Gosto, leio, tento entender processos, seja no SUS quanto na saúde suplementar.
Gosto de falar sobre saúde, mesmo que não me respondam aos questionamentos feitos publicamente aqui (e sei que tenho leitores na prefeitura). Não tem problema. O DATASUS me fornece os dados.
Eu costumo brincar que sou um “minerador” de dados do DATASUS. Não tem uma semana sequer que descubra alguma coisa lá que contradiga as informações prestadas por “n” organismos governamentais (não estou falando da prefeitura da minha cidade). É um prazer navegar naquele site, e ver, por exemplo, prefeituras que possuem problemas sérios de gestão.
A gestão pública, exceto os assuntos de segurança nacional, devem ser tratados com transparência e legalidade. O que muitas vezes vejo é a total falta de capacidade de articulação das prefeituras de tentar entender o que o governo federal oferece, e ir buscar na própria internet, como conseguir os recursos. Está tudo lá, basta garimpar. Não tem segredo.
E os conselheiros municipais de saúde são tratados como meros “balizadores” de orçamentos públicos. Onde fica a agenda da saúde, os planos de investimento, a clareza na prestação de dados? Eu tenho leitores que são conselheiros de saúde. Ainda aguardo o convite deles para ir numa reunião do conselho (que não pode ser “fechada”). Se eles acham que não podem me convidar, está assegurada a livre participação de qualquer cidadão nas atividades do Conselho Municipal de Saúde, desde que eles não interfiram nas decisões do conselho, já que o conselho é soberano. E eu não vou interferir. Vou é dar dados. Os conselheiros precisam conhecer os dados!
E vamos falar sempre de saúde.
Se…
jul 21
As políticas públicas de combate a pobreza fossem realmente eficientes, o número de mulheres abaixo de 30 anos submetidas a tratamentos contraceptivos estaria abaixo do que se percebe ao andar nas regiões mais pobres da nossa cidade. Famílias numerosas ainda são encontradas nestes bolsões de pobreza (não digo de miséria).
O que significa que as ações de prevenção não estão acontecendo de uma maneira convincente. O que nos leva a poíticas públicas de saúde que não estão sendo cumpridas.
Ou seja, ainda temos um longo caminho a percorrer.
QualiSus
mai 13
Realmente, o QualiSus teria tudo para dar certo. Se fosse realmente entendido por todos os envolvidos. Até agora, não vi muita coisa ser efetivamente posta em prática de maneira contínua.
Ainda estou esperando ver dias melhores. E vamos tentando subir a montanha.
Onde estão os gastos com material de laboratório? Afinal, exames são feitos no PA… e aí, alguma alma generosa quer responder?
O SUS de A a Z
mai 3
Existe uma solução simples para o lixo, que algumas cidades possuem e que dá certo. No lugar do modelo assistencialista de apenas gerar emprego, por que não gerar emprego e cidadania ao mesmo tempo?
Simples, cooperativar a área de lixo, em toda a cadeia. Coleta, reciclagem e descarte.
Se você for pensar, eu posso até estar viajando terrívelmente na maionese. Mas se toda a coleta fosse feita por uma cooperativa, ela já faria a triagem, descartaria aquilo que não pode ser aproveitado e dava tratamento para os demais resíduos. Monlevade ainda não está preparada para isto, mas poderia ser implementado pela própria ATLIMARJON, se ela tivesse a ousadia de propor uma parceira no centro da cidade. Ela responsabilizaria pela coleta de todo resíduo comercial. A maioria do comércio gera dois lixos básicos: papel e plástico, ambos recicláveis. Os detritos de comida, por exemplo, poderial alimentar biodigestores, gerando biomassa para fertilização (sub produto que pode ser comercializado), e com isto, aumentar a vida útil do aterro sanitário.
Talvez a prefeitura tivesse que implementar alguma ação de apoio, como melhorar as condições do galpão, para dar este devido tratamento, e até investir nos biodigestores, mas iria gerar emprego e renda. Logística este pessoal sabe criar. Carrinhos de coleta não poluem, e podem ainda ter forte apelo ecológico (em se tratando de um partido verde…) Fora que iria promover a geração de emprego e renda. Organizar cooperativa, prover ela de um bom modelo de negócio focado na sustentabilidade poderia gerar não só a independência como sua expanção para outros bairros, gradativamente.
Depois de uns, 3, 4 anos, a cooperativa se tornaria auto-sustentável por completo, gerando muito mais que os dividendos atuais, e dando sobra (sim, as cooperativas não dão lucro, dão “sobra”), e reverter para outras iniciativas de cooperativismo.
É uma utopia, mas dá para pensar nela como algo viável. E socialmente responsável.
E vamos subindo a montanha.
Quero deixar bem claro que o que escrevo é reflexo de uma análise de contexto do cenário. É a exposição de um ponto de vista baseado em dados.
Temos o PSF (Programa de Saúde da Família) e a os mata-mosquitos (a turma do combate a dengue). 2 ações da mesma responsabilidade (saúde). Mas duas ações que poderiam trabalhar em conjunto, se compartilhassem dados e ações. Se o PSF realmente cumprisse seu papel estabelecido, de promover e monitorar a saúde, os focos de mosquito seriam rapidamente comunicados e monitoriados, o tratamento não iria lotar postos de saúde ou hospitais. E o “fumacê” seria para aqueles lugares que tradicionalmente também são focos (oficinas, borracharias, ferros velhos…).
Ou seja, o mal resultado de um afeta enormemente o trabalho de outro! O raciocínio é simples, mas até hoje, nenhuma autoridade resolveu equacionar este problema. Preferem individualizar e onerar o serviço do que realmente promover ação pública integrada.
Já cansei de blogar que entre departamentos e órgãos, o governo não sabe estabelecer o diálogo. Ou ele é apenas uma ferramenta que jamais é usada.
E vamos subindo a montanha, para fugir das infestações da preguiça mental em propor diálogo.
Dando uma sapeada na net, no blog do Cris Dias, me deparo com este vídeo:
Realmente, dá prazer de ver.
Bom fim de semana aos leitores.
Sou usuário constante de novas tecnologias, principalmente celulares. Já tive diversos aparelhos, e minha média de troca é 1 a cada ano. O meu atual aparelho (um N95) está, por enquanto, garantido nos próximos 6 meses. Ainda não encontrei outro que me desse a amplitude de possibilidades e facilidade de uso e bateria.
Mas até que ponto um smartphone é útil? Bem, depende basicamente de 2 fatores: usuário e aplicação. Para quem usam muito o celular para falar, o teclado não é prioridade (meu caso). As agendas geralmente podem ser sincronizadas via PC, e funciona bem como uma ferramenta de gestão de tempo. Mas uso apenas as aplicações que vieram com o mesmo. Não uso soluções de terceiros, ou sequer tive tempo e paciência para escrever algum aplicativo em java para ele.
Mas para quem usa muito, principalmente as anotações, e aplicações simples, é uma ferramenta poderosa. Eu já li um protótipo de software de ultrassonografia usando um IPhone. Para pequenos casos, um luxo médico viável (se as sondas não fossem tão caras). As aplicações são tão úteis que facilitam o trabalho do profissional médico e de enfermagem, como, por exemplo, visualizar resultados de ecg e de exames de laboratório, principalmente na beira de um leito. Para prescrições rápidas e atendimentos que necessitam de agilidade, é uma ferramenta ideal.