Arquivo por categoria Saúde

Sobre atendimento médico, atestados e outros ridículos atos

A polêmica da semana passada (e ainda respingando) foi a ida do Belmar Diniz e a imprensa ao Pronto Atendimento médico de Monlevade. Me lembrou até o episódio do Nasser na prefeitura, requerendo documentos. Algo “bombástico”, pólvora para falar da saúde, fazer escarcéu, e ainda, tal qual a pólvora, extinguir rapidamente.

Vamos ser sinceros, se o Vereador não conhece a dinâmica da saúde, ou ele não presta atenção nas notícias, ou sequer está prestando atenção na prestação de contas dos conselhos municipais de saúde. Ponto falho, portanto, para o representante do povo. Ações da dengue não envolviam a questão de buscar parcerias com a Secretaria Municipal de Saúde? Bem, se o Belmar quiser responder neste espaço, fica livre. Tem todo o direito de resposta que merece.

Vamos aos pontos falhos:

a) Atendimento Médico: O PA é Pronto Atendimento, ou seja, se espera uma resposta imediata para um ato de urgência. Ferimentos, fraturas, intoxicação, patologias graves, problemas que exigem resposta ”rápida”. Claro, se o paciente tiver alguma intercorrência que precise de intervenção, ele deve procurar o atendimento, mas saiba: vai ter que esperar. A prioridade de qualquer pronto atendimento é a urgência. Se é feita uma triagem básica, seguindo o protocolo de Manchester, como ocorre no Hospital João XXIII em BH, pode ter certeza, vai encarar algumas horas vendo televisão. E isto é uma cultura de imediatismo que temos no Brasil. Meus problemas são sempre maiores que os problemas dos outros, minhas dores de cabeça sempre são maiores que as dores de cabeça dos outros. E isto só se muda com educação, cultura e conscientização. E não vejo nada referente a isto sendo feita em qualquer esfera do governo, seja nacional, estadual ou municipal.

b) Atestado médico  e declaração de comparecimento tem objetivos diferentes. O médico não poderia se recusar a emitir o atestado médico, já que o atestado médico é um direito do paciente. Mas, se o paciente não apresenta patologia que justifique a emissão do mesmo, ele deveria emitir uma declaração de comparecimento.  Ela tanbém tem validade legal para justificar a ausência no trabalho.

c) Usar o poder de vereador para intimidar. Isto é dar carteirada, quase que literalmente. Por que ele não dá carteiradas nas filas de marcação de consultas? Por que ele não busca entender a dinâmica da ruína que está sendo feita com o programa de saúde da família? Só na hora que o calo aperta e envolve a família é que se toma conhecimento do problema da saúde? Convenhamos, ficou feio demais este tipo de atitude. Isto só prova, até pelo discurso dos outros vereadores, que eles não conhecem bem a cidade onde vivem, nem o povo que representam. Isto é o meu feeling, meu sentimento. Se eles quiserem me mostrar que conhecem bem esta realidade, por favor, me mostrem, pois terei o maior prazer em publicar em meu blog.

d) A secretária de saúde se manifestar a respeito da demora foi positivo, mas fez de maneira errada. Ela deveria mostrar, via dados, que existe pico de atendimento na segunda-feira. Mas como a secretaria de saúde não tem sistemas integrados, fica apenas a palavra dela contra a ira dos vereadores. Polyana, esteja preparada para responder sempre com dados! Ajuda demais até a defender sua equipe!

Pontos positivos? Até gostaria de mostrar que ocorreu a preocupação dos problemas de saúde em Monlevade, e que vão fazer algo. Mas, como disse, isto vai ser apenas um rastilho de pólvora que não vai ter resultado prático algum, porque, por melhores que sejam as intenções dos vereadores, eles ainda desconhecem totalmente da sistemática do SUS. Se quiserem me chamar para explicar, terei o maior prazer em apresentar isto para eles, mas enquanto eles ficam apenas fazendo este buzz na imprensa, esquecem de cobrar uma série de dados que deveriam ser mais fidedignos. E a cidade continua perdendo recursos em saúde.

E vamos subindo a montanha

Itabira pode nos ensinar a combater a dengue. Pensem nisto:

Itabira ganha título de cidade modelo no combate à dengue
Atualizado em 06.09.2010 – 09:57

Nos dias 25 e 26 do último mês, em Belo Horizonte, a Prefeitura de Itabira, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, foi premiada por sua gestão no combate à dengue. Itabira recebeu o título de cidade modelo de Minas Gerais no monitoramento e controle do mosquito Aedes aegypti.

Em 2010 foram premiadas quatro cidades modelo e oito vigilantes. Para alcançar a marca de cidade modelo, o município teve que atingir uma média superior a 70% dos padrões realizados para conseguir manter um índice baixo de capturas do mosquito. “O prêmio significa que estamos trabalhando de uma maneira que está dando certo. Está mostrando resultado positivo e estamos controlando a população do mosquito. Isso é um estímulo para continuar o trabalho”, comemorou Roberto Quintão Guerra, médico veterinário e coordenador municipal das ações de combate ao mosquito da dengue. Isabela Rosa, analista técnica da Ecovec, empresa de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) definiu que os títulos expressam o empenho das cidades nas ações de combate à dengue.

O prêmio foi entregue no terceiro encontro anual do Programa de Excelência da Dengue (PED), para as cidades que utilizam a armadilha MI Dengue, desenvolvida pela UFMG, como ferramenta de monitoramento de infestação do mosquito, principal vetor da doença, como explicou Isabela Rosa. O evento reuniu gestores de saúde de diversas cidades para o workshop do PED, que avaliou o desempenho das equipes e apontou erros e acertos na gestão de combate à dengue de cada cidade. O programa é uma metodologia que busca o aumento de produtividade dos agentes de campo, a diminuição de custos e o aprimoramento das técnicas de combate a infestação.

De acordo com Roberto Quintão, “Itabira utiliza 270 armadilhas que estão espalhadas pela cidade para monitorar o mosquito”. Além disso, possui 56 agentes de campo que fiscalizam, periodicamente, os pontos estratégicos no município. “Temos também as reuniões operacionais que acontecem todas as quartas e quintas-feiras com todas as secretarias que têm a ver com a questão da dengue, como a Itaurb, o Saae, e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, para discutirmos os problemas que precisam ser resolvidos”, explicou o coordenador.

Problema
O coordenador ainda ressaltou que a principal dificuldade para combater a dengue em Itabira é a falta de comprometimento da população com a coleta seletiva. “Em todos os levantamentos que fizemos, constatamos que os itabiranos ainda não assimilaram a coleta seletiva. Encontramos no lixo, plásticos e garrafas. Esses materiais trazem problemas, já que acumula água. Infelizmente, a população ainda não se engajou nisso”, finalizou Roberto.

Assessoria de Comunicação da Prefeituura de Itabira

A prefeitura está perdendo dinheiro da saúde, e não está sabendo

Pessoal,

Isto já foi discutido “n” vezes em rodadas de conversas com outros colegas blogueiros, mas agora está ficando cada vez mais complexo.

Tela do DATASUS

Esta tela mostra que os arquivos que estão sendo enviados sobre os atendimentos ambulatoriais e APAC’s não estão tendo a devida validação. E o erro é relativamente simples:

A APAC anterior da APAC xxxxxxxxxxxxxxxxxxde 07/2010 (continuidade) nao esta cadastrado.

Ou seja, está ocorrendo uma falha na alimentação dos dados da Secretaria de saúde. Se existe esta falha, perde-se dinheiro, perde-se verba. Se perde-se verba, compromete-se totalmente o atendimento aos pacientes de hemodiálise.

Este é um erro que não pode acontecer.  Já são quase 5 meses de erros nas remessas, o que me preocupa e muito, pois com isto teremos péssimos indicadores de qualidade de dados, o que compromete e muito qualquer pesquisa de dados para efeito de planejamento ou estudo.

Senhores, por favor, mais cuidado nas informações!

E vamos subindo a montanha!

Como melhorar a saúde em Monlevade – Parte I

Bem, no lugar de ficar chovendo no molhado sobre o problema do CEM (Centro de Especialidades Médicas),  vou dar algumas contribuições e reflexões de como melhorar a saúde em Monlevade. Vamos a alguns pontos:

a) Identificação dos gargalos de serviço

Não adianta falar sobre filas nos postos de saúde e sobre atendimento sem conhecer a origem do problema. Se as pessoas fazem filas para serem atendidas no serviço de saúde é porque existe uma má gestão na distribuição do recurso médico, ou seja, se eestá ocorrendo fila, é que está ocorrendo um péssimo planejamento na distribuição das consultas e dos profissionais. Pode-se, por exemplo, pesquisar (ir na fila mesmo e perguntar a pessoa) e colher sugestões. O melhor cenário seria se o PSF encaminhasse a pessoa ao atendimento médico nos postos de saúde, mas como o PSF de Monlevade não tem resultados expressivos, não conseguimos resolver isto desta forma (que seria a melhor forma de se otimizar recursos de maneira inteligente).

Escutar os frequentadores dos serviços de saúde pode parecer fraqueza, mas se perguntarem para as pessoas da meneira correta, pode-se obter excelentes indicadores de sentimentos. Estes indicadores podem ser trabalhados nos projetos de humanização da saúde pública. E podem ser simples gestos, como uma recepção cordial, educação e vontade de ajudar.

Mas como melhorar este percepção de atendimento? Começa com a própria cultura de capacitação das equipes. Capacitar a equipe envolve  em treinar toda a cadeia de relacionamento em cursos de atendimento. Desde a secretária de saúde até o pessoal que realiza a limpeza. E deve ser top-down (de cima para baixo), pois é necessário e importante o exemplo do líder.

b) Pequenas reformas físicas

Algumas reformas físicas nas instalações de atendimento ajudam a melhorar a eficiência das atividades. Se consultarem um bom arquiteto, que esteja atento aos recursos de funcionalidade e acessibilidade, pode se obter um excelente resultado prático. Ajuda também despoluir os ambientes, retirando cartazes antigos e colocando cartazes atuais.

Estas reformas físicas podem parecer supérfluas, mas ajudam a manter a impressão de que as coisas estão acontecendo, e estão sendo cuidadas.  Outro aspecto que precisa ser sempre lembrado é o da higiene. Alguns postos de saúde parece que não recebem uma mão de tinta a muito tempo, o que acaba dando uma impressão de decadência e descaso. Uma boa “maquilagem” sempre ajuda a melhorar o ambiente e a sensação de acolhimento.

Como eu disse, são idéias, que trazem resultados perceptíveis em curto e médio prazo, desde que se queira fazer. E se prestarem muita atenção, conheçam a forma de remuneração do REFORSUS. Vão descobrir coisas bem interessantes!

E vamos subindo a montanha!

O que eu penso sobre o centro de especialidades médicas atualmente

Vamos ser pragmáticos, realistas e honestos. O Centro de Especialidades médicas corre o risco de não acontecer. E não vai ser eficiente enquanto projeto.

O cenário da economia é que existem projetos demais que vão concorrer em verba com o CEM. Teleférico, internet em banda larga, parque ecológico, centro esportivo, estação de tratamento de esgoto. Ou seja, diversas obras de vulto físico. E comedores de verbas. Só o projeto de internet em banda larga já me preocupa em termos operacionais, porque a conta será alta para a prefeitura. Ou alguma alma caridosa do Governo Federal vai liberar o FUST de mão beijada para permitir que toda a cidade seja conectada. Ainda mais com uma geografia irregular.

Não adianta falar que a arrecadação de ISSQN do município com a expanção da Belgo vai permitir este processo. Ela terá um pico, realmente, no momento das obras, e depois irá ter um aumento de arrecadação, que será estável. Ou seja, o dinheiro que vai ser injetado, embora seja constante, ele depende também de fatores externos, ou seja, não se pode contar com o ovo antes da galinha por os ovos. E se existe expectativa de arrecadação, não se poderia consumir os recursos antes deles estarem na conta corrente da prefeitura. É quase um sucídio financeiro.

O Centro de Especialidades, enquanto estrutura física, bem, já consumiu alguns valores na casa dos 7 dígitos. Se ele consomiu 7 dígitos, ele não se pagará em termos de investimento com menos de 20 anos. Porque ele pode ser convertido em apenas um espaço médico, uma policlínica caprichada. E consumir mais que efetivamente resolver o problema da saúde em Monlevade.

Ele não trará benefício prático enquanto não for prioridade a expanção, gestão profissional e melhoria da atenção básica. Se não ocorrer a interligação de toda a rede básica ao CEM, ele vai ser caro, com filas de espera e altamente sujeito a ineficiência do resultado. E não vejo, atualmente, qualquer movimento da prefeitura em resolver a atenção básica, porque ela não é transparente em prestar contas dos resultados da saúde.

Se ele vai ocorrer, em curto espaço, vejo uma letargia enorme enquanto prática ou anuncio de ações. Por exemplo, não se fez um levantamento de quais especialidades cobertas serão necessárias, que equipamentos físicos terão que ser instalados para que os resultados saiam em curto prazo. Se até hoje não foi feita uma instalação de RX pequeno, quanto mais se dirá de um tomógrafo ou um aparelho de maior capacidade. E quem vai pagar a conta destes investimentos?

O CEM pode chegar a ser inaugurado, o que vai ser maravilhoso, enquanto projeto de campanha realizado. Mas ele não vai ser efetivo, enquanto projeto de saúde para a cidade. Assim como não será nada maravilhoso termos um teleférico ligando um parque ecológico que não tem projeto de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas.  E nem termos um centro de esportes sem estimular o desenvolvimento do esporte de base. E ainda termos poucas creches municipais, cuja demanda ainda é maior que a sua capacidade, e que em muitos casos, estão longe demais da moradia das pessoas que necessitam dela. Obras grandes demais, problemas grandes demais.

Existem ainda os problemas estruturais, que não foram resolvidos a contento, como abatedouro municipal, o problema dos cemitérios e o abastecimento de água, que deve entrar em colapso por falta de investimentos no aumento da captação. Fora o aterro sanitário, que está sendo utilizado na capacidade máxima dele, e sem projeto de coleta seletiva feita e apoiada pela imprensa e sociedade. Ou seja, fazemos obras vultuosas, deixamos abacaxis para os próximos governos. Não vou entrar no mérito da Linha Azul. Muito se falou, e ela até agora não retornou o que se gastou em desafogar o trânsito.

E estes fatores, meu caro, não estão nos olhares de gestão. Estão sendo sinalizados como problemas a muito tempo, antes mesmo do Governo Prandini. E estão sendo deixados de lado, porque são ações que não dão votos. Ou seja, um novo jeito de fazer política ainda não surgiu no horizonte, e acredito que sequer vai surgir nos próximos 6 anos.

A montanha é alta, e os 2 anos que restam de governo pequenos em termos de tempo para realizar qualquer coisa sensata. O que peço é: senhores, antes de falar muito, pensem: fazer obras grandes vão fazer de Monlevade uma cidade melhor?

Uma boa prática em saúde pública

Uma boa prática em saúde pública começa no seu controle de liberação de medicamentos. A sua forma de dispensar medicamentos à população, e, principalmente, seu cuidado com a gestão responsável de estoque.

O Governo Federal repassa verbas destinadas aos programas de farmácia básica, e, na maioria dos casos, fornece a medicação. O restante, a prefeitura deve investir em mecanismos de controle e tendência. Mecanismos estes que as farmacêuticas devem conhecer melhor que eu, pois vivem a demanda de medicamentos ali, no dia-a-dia.

Tecnicamente, o controle de dispensação deve atender a requisitos. Mas fica quase impossível havaliar na prática se os requisitos podem ser cumpridos. Não existe uma integração entre a rede de serviços, o que permite, no mínimo, o descompasso entre o estoque físico e o que se pensa ter em estoque. Com isto, gera-se compra errada, fora o risco de fraude.

Não se pode punir o funcionário, sem antes levar em consideração todo o contexto. Quem responde mais pelo estoque: a farmaceutica, que faz uma parte, a secretaria de saúde, que gere o negócio ou o governante, que “bate” e chancela a licitação?

PS.: Não estou falando de Monlevade. Isto ocorre com centenas de municípios.

Cicloativismo. Para meu amigo Marcelo

Marcelo,

Esta notícia é digna de ser postada em todos os blogs.

“Cicloativíssima” Em 3 de setembro, minha sis Renata Falzoni será agraciada com a medalha José de Anchieta por sua luta para transformar a bike em meio de transporte.

Os Falzoni são uma gente extremamente inteligente e inquieta e nenhum jamais possuiu qualquer traço de mediocridade. Mas Renata tanto fez que conseguiu tornar-se uma excêntrica mesmo dentro desse núcleo familiar bastante incomum.

Mãe da Tati, 29, e avó da Giulia, 7, e do Caio, cinco meses, quem a conhece de suas transmissões pela ESPN (feitas com câmeras que ela mesmo adapta para usar no capacete), logo percebe nela uma coisa assim meio Vivienne Westwood de ser. Mas eu, que convivi com a Renata como vizinha na infância do Jardim Paulista, posso garantir que seu interesse não está em qualquer movimento de vanguarda.

E que apesar do ar andrógino que cultiva, Renata sempre foi uma heterossexual convicta. Pior. Sempre sofreu de amores por homens que eu considero nada menos do que repugnantes (algo me diz que este comentário vai me meter em apuros).

Renata vira e mexe dá as caras na minha casa às sete e meia da matina, lépida e falante, puxando meia dúzia de cães sem raça definida na coleira, que lembram um pouco um seu namorado inglês que já passou desta para melhor. Invariavelmente, ela me obriga a levantar da cama e ir atrás de sua cabeleira “fogo selvagem” para onde for, o que faço em estado de quase narcolepsia, mas não sem me perguntar quando é que a ficha vai cair de que dona madame Falzoni está prestes a completar 57 anos e que a maioria das senhoras de meia idade não anda por aí escalando o Aconcágua de bicicleta nem se digladiando para fazer a bike tomar o lugar do automóvel.

Há algo de heroico na sua militância. Pela persistência, pelo pioneirismo, mas, sobretudo, pela intransigência no compromisso conservacionista que assumiu desde o primeiro dia.

Isso não quer dizer que eu concorde com ela. A bicicleta deveria se apresentar como alternativa para quem não tem dinheiro, deveria ser a solução para despoluir, deveria ajudar a descongestionar o trânsito, mas, no caso de São Paulo, presta-se apenas a paliativos.

A fim de se proteger de um “inimigo” invisível, mauricinhos se juntam para pedalar à noite e atravancam os faróis como se fossem donos do mundo. Outra noite, na frente de um restaurante japa, tive de ouvir de um ciclista desses: “Vai acabar essa moleza! Cigarro e bebida têm os dias contados!” Pensei comigo: “E você vai cair daí e quebrar todos os dentes, seu nazista”.

A Renata que me desculpe, mas a visão, nos fins de semana, daquela faixa da direita segregada por cones para uso exclusivo do ciclista não faz exatamente engrandecer a alma. A bicicleta a beira-mar ou na cidade do interior ganha outro sentido, mas em São Paulo ela não cabe com naturalidade. É preciso montar uma operação de guerra para acolhê-la e o ônus para a prefeitura é grande. Falzoni sabe disso tudo. Mas continua irredutível em seu cicloativismo, convicta de que, a longo prazo, a bicicleta é a melhor saída.

É uma postura nobre e, no fim das contas, eu sou uma mulher pequena e mesquinha. Digo mais: excluindo seu gosto para homens, queria ser metade da rapariga que a Renata é.

Publicado no

Revista São Paulo – Barbara Gancia: “Cicloativíssima” – 08/08/2010

do www1.folha.uol.com.br

Livros de saúde pública: Todos devemos ler

Para quem não é da área, pode achar a abordagem pesada. Mas recomendo a qualquer leitor pelo menos a visita à editora do Ministério da Saúde.

Pode ler, também, sobre o PROESF, o famoso “Programa de Expanção e Consolidação do Saúde da Família”

Se você for uma pessoa antenada, descobrirá que todo o conteúdo está disponível para Download. São alguns gigas de informação relevante e útil a qualquer gestor de saúde.

Para meus amigos Célio Lima e Marcelinho, recomendo especialmente este livro. Não se assusten, pois ele é muito pequeno (nem chega a 22 páginas de texto), mas pode lançar olhares sobre políticas já existentes contra a redução de acidentes de trânsito.

Para os colegas médicos, que estão discutindo a unificação do PS do Hospital Margarida, recomendo fortemente a leitura deste livro.

Bem, leitura tem, basta querer clicar.

E vamos subindo a montanha.

O problema nem sempre é a urgência

Sempre converso com diversos profissionais de saúde, e todos são enfáticos em dizer que a emergência ainda é o maior gargalo de qualquer gestão de saúde. Porque a emergência tem suas características e custos, muitas vezes, maiores que o atendimento “eletivo”.

O leitor do meu blog sabe que sempre bato na tecla de que é necessário resolver o problema da atenção básica, em qualquer município, para que as urgências não sejam entupidas de casos que podem ser resolvidos na atenção básica ou num posto de saúde. Já vi pessoas frequentarem o PS dos hospitais apenas para trocar curativo. Ato que poderia ser executado em um posto de saúde próximo da casa do paciente. Retirada de gesso, então, é corriqueiro. Ou seja, o atendimento realmente prioritário fica comprometido com estes casos. Fora que não se faz a devida triagem dos pacientes nas recepções, o que compromete totalmente a dinâmica operacional de um PS.

Este ano, o maior pronto socorro do estado (o João XXIII ou HPS) teve sua greve, e os médicos faziam triagem na porta do HPS. Resultado: inúmeros pacientes voltavam para seus bairros. A maioria do cidadão acredita que o PS tem médicos mais qualificados que no posto de saúde do bairro, e que lá ele vai ser atendido sem enfrentar uma fila. Esquece de encarar que na realidade, ele é o causador da fila.

Isto tem um fator cultural muito grande, já que no nosso país, a cultura do “hospital” é enraizada, quase que a grito, na cabeça das pessoas: dor de cabeça e vômito? PS! E vemos a diminuição dos profissionais de PS, porque eles simplesmente não dão conta do recado, porque tem que atender além da capacidade física suportada por este profissional (já escutei relatos de médicos gastarem menos de 5 minutos no diagnóstico). E a população se sente mal assistida, abandonada. E ela é parte do problema (sim, temos que ser profissionais e reconhecer nossas falhas).

Se tivermos uma atenção básica baseada em resultado, teremos aumento de qualidade de vida das pessoas, e a consequente “desospitalização” de diversas pessoas, porque a atenção básica, quando funciona, esvazia qualquer pronto socorro e hospital. E é um programa do governo federal quem dá recursos para isto! Sim, o pacto pela atenção básica é algo real e bem remunerado!

Só que a atenção básica, como disse em uma conversa comigo uma leitora do meu blog, não dá voto! Aí, os governos municipais simplesmente abandonam programas que tem longo prazo para aparecerem nas urgências. E vemos mazelas terríveis, como taxi de paciente (ambulância), etc.

Antes que me digam que isto é uma crítica à gestão de João Monlevade, não é. A maioria dos prefeitos não dá a devida importância e valor à atenção básica. E com isto, temos cada vez mais filas nos hospitais, por culpa de uma visão política ultrapassada e irreal.

Mas, como sempre digo, vamos subindo a montanha.

A dengue e os dados

Bem, considerando que ocorreram realmente as notificações por dengue no ano passado, este link deveria constar a cidade de João Monlevade, e outras da região.

Se estamos dentro da expectativa, podemos considerar que as ações de combate à dengue não estão sendo pontuais e efetivas nos 365 dias do ano. Ações em vigilância epdemiológica nunca podem ser baseadas apenas no calendário da chuva. A malária e febre amarela, por exemplo, tem um calendário de 365 dias de ações pontuais de fiscalização. Já a Dengue, bem, depende da cabeça dos governantes.

Mais uma vez, tenho que chamar a atenção de todos para dados. Senhores, seriedade com isto! E vamos subindo a montanha!