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Escutar, aprender, opinar

Eu sou falante no blog. Confesso que sempre escrevo mais do que falo. Aqui eu procuro refletir um pouco, para não escrever muita bobagem. É como programar um sistema. Você tem que parar, pensar, desenhar sua linha e postar. Eu tenho inúmeras postagens aguardando uma revisão de dados. Não são poucas. Procuro sempre antes de postar pensar no que meus leitores irão interpretar. Muitas vezes chega a completa neutralidade. Quase é trivial.

Ontem  estive conversando com o Célio Lima. E a este estou retribuindo a gentileza e os elogios. Militamos em duas áreas complexas, que tem resultados distintos. Temos até opiniões divergentes, mas sempre mantemos o diálogo aberto e franco. E é isto que precisamos fazer. Escutar, aprender e opinar.

Tive a sorte e a honra de conhecer o blog do Célio em uma destas surfadas sem rumo que costumo fazer. O comentário era sobre o trânsito na Castelo Branco, do Bairro República, que é usado como espaço para auto-escolas. Ele não concordava, e apresentava um argumento claro de que o respeito ao transeunte deve ser maior que tudo. E eu, que ando a pé por aquela avenida, também compartilhei em seus cometários minha opinião. Ficamos conhecidos de blog. De lá para cá, ele me “linkou”, eu retribui a gentileza, e ele está no meu agregador de feeds (o Google Reader, sem fazer propaganda). Sempre que tenho a oportunidade de conversar com o Célio fico acreditando que ainda tenho muito o que aprender. Eu não consigo decifrar os códigos do jogo político, e ele já consegue entender bem o que se passa neste cenário. Ambulância e aparelho de ECG para mim sempre vão representar ações inócuas de saúde. O Célio já acha que elas tem sua razão de ser e existir. E nunca deixamos de conversar sobre o que é melhor para Monlevade.

Muitas vezes queremos uma verdadeira utopia. Resultados, dados, indicadores sociais ajustados. O IDH de Monlevade está entre os mais altos de Minas, mas e o que vemos nas ruas é este espelho? Eu tenho o prazer e a honra de conversar com alguém que articula os pensamentos sempre pensando no melhor para Monlevade. Tem gente que faz do blog uma atiradeira de pedras, e todos temos teto de vidro. Blogueiros não são blindados. Nem são super heróis. Se queremos o melhor para a cidade, temos que estar atentos e ouvindo o que cada um tem a acrescentar.

A cidadania é exercida por diversos atores. Eu muitas vezes sou apenas espectador. E muitas vezes contribuo pouco para o pensar numa cidade melhor, numa área de saúde melhor. A minha contribuição virá em breve, dentro de alguns dias. Não vou publicá-la no blog, porque quero compartilhar primeiro com algumas cabeças, para somar. Depois, se o resultado for um olhar diferente sobre o que podemos fazer, o que me custa ajudar? Como dizia o “Eek The Cat – Ajudar não dói”.

Escutar, aprender, opinar. Três palavras que precisamos aprender para subir a montanha de maneira consistente. E o Célio e outros tem me ajudado a escalar. Pode ser devagar, pode levar séculos, e pode ser que nem chegarmos ao topo. Mas teremos feito algo, e respirado ares melhores. E depois que você muda de ares, vai querer voltar para a superfície da mediocridade?

Água e Cemitério. Onde começa a vida, e onde se deposita os corpos.

Vou ser ponderado. Monlevade tem dois problemas sérios para resolver, em curto espaço de tempo. Água e Cemitério. Concordo com o Monlewood quando cita que este problema precisa ser resolvido, sob a pena do risco de queimar a imagem do governante. O Agenda Oculta expressou esta questão, e fico feliz de ter parceiros que tem uma visão política da coisa (eu não tenho esta visão. Me abasteço de números e sou um “técnico”).

Para o problema do abastecimento, existe uma equação que precisa ser sanada. Onde a receita e a despesa se equacionam? E onde os diversos órgãos da cidade precisam melhorar a articulação?

Não é uma conta fácil. Os insumos do tratamento de água são caros. Energia elétrica, produtos químicos para fazer o tratamento de água em grande volume impedem aquela visão de feira de ciências que é fácil tratar a água. Os custos desta manutenção são altos. Embora seja feita uma licitação para isto, que deve passar por todos os trâmites burocráticos e legais, ela ainda precisa ser viável tecnicamente. A logística de uma ETA não é simplesmente “agua entra suja, decanta, sai”. Existe ainda a questão da fonte de recurso, que cada vez mais está poluído. Não, não adianta falar que o rio não está poluído. Basta ver. Quanto maior a poluição, maior o custo dos insumos. Isto qualquer um pode perceber.

O fluxo de caixa, devido a inúmeras ações que beiram a irresponsabilidade, quebrou. Gasta-se mais do que se arrecada, e não tem conta que feche com isto. Na saúde, chamamos de sinistralidade. Quanto maior a despesa, em relação ao que se arrecada, pior é. Existem ferramentas legais, que o governo adota, para monitorar a sinistralidade de todas as operadoras de saúde. Para que elas não quebrem e deixem na mão milhares de beneficiários. Com a água, e no nosso caso, o DAE, a quebra é a falta desta na ponta do cano. É o infortúnio de qualquer morador, oriundo de uma cultura de pelo menos 1 banho diário. E a culpa não é do DAE. É da gestão municipal.

Eu sempre tenho comigo, bato nesta tecla, que desconhecemos totalmente como é a realidade dos números do DAE. Não sabemos quantos serviços são feitos e prestados à comunidade, qual é a média de reparos diários, quantas manutenções são feitas novamente, quanto custa estes reparos de emergência, como é o cronograma de manutenção de bombas. Dados que possam ajudar a tomar a decisão sobre investimentos, e definir prioridades. Se um determinado trecho da rede sofre mais de 2 manutenções no ano, já indica que algo naquele setor precisa ser feito. E em geral, se conheço um pouco, é feito em controles de papel, que não permitem pesquisa rápida. Informação não indexada é tão útil como um dicionário sem ordenação dos verbetes. Já indiquei e sugeri o GSAN, que é gratuito, e poderia ser implantado no DAE para permitir este tipo de controle. Se foi, não apareceu isto em lugar nenhum.

Com relação aos cemitérios, bem, eles estão praticamente lotados. Se tivermos uma curva de crescimento de 5% no número de óbitos este ano, teremos atingido os limites críticos destes espaços. Jornais já anunciaram isto, e nada de concreto foi feito. Só se viu aquele movimento precário de tentar ver o que se pode fazer em termos de terreno. Mas de prático mesmo, com estudos sobre o impacto ambiental de um novo cemitério, a licitação de terreno, as obras ou pelo menos previsão de obras, nada. Será que apenas eu é quem terei meu corpo entregue a uma faculdade de medicina para dissecar para não poder ficar com a terra por cima de mim?

São problemas crônicos de saúde. Somos originados e dependentes da água. E necessitamos de espaço para que nossas famílias nos enterrem. Mas entre isto e a realidade de curto prazo, só vejo o velho discurso vazio das práticas de sempre. Muito barulho, pouco resultado, e a total inércia, tanto nossa, quanto dos nossos governantes. Se estão fazendo algo, por favor, digam. Estou aqui para divulgar e ajudar no que depender de minha nerdice a contribuir. Se quiserem que eu ajude a implantar o GSAN no DAE. o faço de maneira voluntária e sem ônus para a municipalidade. Terá que ser nos sábados e domingos, mas é a minha contribuição para sanar o problema, ou então entender o que ocorre.

Enquanto isto, escalo a montanha da rede de blogs que quer ver as coisas acontecerem na nossa cidade. Porque aqui nasci, aqui cresci, aqui trabalho. E tenho minhas mãos para ajudar e minha mente para ajudar a pensar diferente. Assim como os outros diversos pensadores, que estão contribuindo para este debate.

Onde mora a perda?

Eu sempre costumo falar e ouvir que empresa mal administrada é empresa que não tem números. Indicadores mínimos. Uma loja, por exemplo, que não conhece o perfil de seu cosumidor está fadada ao fracasso e ao abandono. Não adianta apenas entender o que o consumidor quer, mas o que ele espera. E onde ele não compra, por que ele não comprou.

Recentemente um colega me contou de um dono de supermercado, que, quando vê algum cliente sair de mãos vazias, ele aborda o cliente e pergunta: “O que o senhor buscou e não encontrou?”. Se ele encontra 2 clientes com a mesma demanda, ele manda comprar uma pequena quantidade.

Este proprietário faz um trabalho de pesquisa. Se ele observa uma tendência, ele adota uma ação para resolver o problema. Infelizmente, este não é o comportamento padrão da maioria das empresas ou mesmo do governo.

Por exemplo, se existe uma demanda contínua por determinado serviço ou recurso, por que não investigar e investir para resolver o problema? A cultura do “remendativo” é ainda a prática mais comum. E é aí que mora a perda. Se gasta dinheiro constantemente para “remendar” e não “resolver”. Entre o remendo de uma roupa e uma roupa nova, qual é a diferença do custo?

Entre um “puxadinho” e uma “nova obra”, o que gera melhor retorno? Entre uma reforma e uma nova construção, o que pode gerar mais resultado? Entre um produto novo, ou uma nova forma de comercializar o serviço, qual é a melhor solução?

Eu acompanho a evolução de alguns softwares a muito tempo, e uma coisa que estou acostumado a ver são as famosas “correções” ou “updates”. Quanto maior é o número de correções, pior é o gerenciamento do produto, porque ele não teve, em sua implementação, a quantidade de testes suficientemente rigorosos para diminuir este tipo de falha. E isto vale para diversos seguimentos.

Quando leio no Agenda Oculta que o Banho de Cidadania deveria ser uma prática constante em áreas socialmente vulneráveis, eu me recordo das poucas aulas de administração que tive, em que se fala “o que não é medido não é conhecido”. E eu aposto que poucos órgãos públicos conhecem e medem realmente e efetivamente estes lugares. E assim, o trabalho que tem tudo para dar certo, falha, porque não se conhece quais são as principais carências. Uma coisa é o “achismo”, outra coisa é a gestão eficiente. E aí, não se perde nada. Não se perdem vidas para as drogas, não se perdem clientes e não se perde dinheiro.

E vamos subindo a montanha!

Apoio a iniciativa, e transcrevo!

O Drops de Sanidade veio com excelente campanha, a qual, de certa forma, abraço:

A Monlevade que retrocede

Levei meus dois filhos para fazerem sua matrícula na Biblioteca Pública Municipal. Saímos de lá, os três, menores do que entramos. Não tanto pelos livros encontrados, já que conseguimos nos abastecer com seis deles. Mas por tudo que não encontramos, a impressão que tive é que os meninos estavam meio que como eu: com o espírito quebrado pela tristeza e pelo desespero.
Este é um pedido de socorro amplo, geral e irrestrito. Sem demagogias, ideologias ou outras gias de qualquer natureza. Vamos salvar o que sobrou da Biblioteca Pública. Nem posso pensar em uma campanha de doação de livros. Não haveria espaço para guardá-los. Então, por etapas:
1 – À PMJM, por favor, alojar a Biblioteca num espaço maior. E com recursos mais modernos e estrutura mínima de manutenção. Assim poderemos tentar abastecê-la de livros e destinos novos.
2 – Aos empresários de boa fé, por favor, patrocinar a modernização dela, na esfera da computação e da gestão. É um investimento social maravilhoso, e um marketing saudável.
3 – Aos monlevadenses, tão nobres sempre, por favor: vamos abraçar uma causa sem partido, sem dono, sem política, sem rancores. Apenas pela vontade de fazer o bem comum.
4 – Aos que são pais e mães: por favor, vamos incentivar nossos filhos a adquirir outros gostos e outros caminhos. Pela literatura, por exemplo.
Se peço tudo que é tanto e, pensando com carinho, tão pouco, é porque devo muito àquela Biblioteca. Ali passei muitas tardes, ali descobri um mundo novo.
Digo sem medo de errar que a Biblioteca salvou minha vida. Talvez, e por isso mesmo, tenha também salvado muitas outras vidas. Colocando desta forma, acho que fica mais fácil compreender que todo o gasto feito pela ressurreição da Biblioteca Municipal valha muito a pena.
Porque ela pode abrigar muitas crianças que, na falta do mundo da literatura, poderiam acabar conhecendo o mundo do crack, por exemplo.
Não sei por onde começar, nem como. Eu realmente não entendo como poderia ser feito. Mas me disponho a ajudar com braços, pernas, coração e mente. E com a alma, porque a que tenho a Biblioteca ajudou a moldar.
Por favor, é um pedido sincero de socorro. A ninguém em particular e à todo mundo. Talvez muitas outras vidas em João Monlevade possam ser salvas, com um pequeno esforço a mais.
Abraçar uma causa como essa pode não colocar a cidade no rumo do avanço. Mas deixar como está me parece um método, certeiro, de nos manter num retrocesso medieval.

No que você é bom?

Esta é a pergunta que gostaria de fazer ao Thiago. Aproveitando a polêmica sua em torno da briga com o Marcelo Melo, cujos capítulos me trarão ótimas reflexões sobre os telequetes antigos, e dos comentários do Célio Lima, gostaria de perguntar sinceramente ao Thiago, naquilo que ele é bom.

Como “jornalista”, tenho sérias razões para acreditar que ele não é. Primeiro, porque ele não é democrático, e não aprova os comentários de quem posta no blog dele. Ora, moderação de cometário é uma coisa, mas censura é outra. O blog dele pode ter acesso, mas a interação com o leitor dele é a mesma que um ouvinte de rádio que não liga para dar feedback sobre a programação. Fora que ele não sabe se divulga empreendimentos que patrocinam seu blog, se ele faz política da maneira errada, se ele é empresário de uma banda que nunca ouvi falar (cara de buneca?) ou se ele fala para “jovens” ou se ele é economista e empreendedor.

Como economista, tenho sérias dúvidas. Acho que ele nunca leu o Axioma de Zurich, ou sequer parou para pensar que economia se baseia não em crenças, mas em riscos e em ceticismo. Economistas por natureza em geral são extremamente céticos, e o Thiago é crédulo. Acredita que realmente o seu posicionamento é o melhor posicionamento do mundo.  Economistas geralmente escutam muito, debatem mais ainda e comentam apenas o essencial. O Thiago comenta de tudo! Uma verdadeira central de notícias relevantes.

Como pós-graduando, bem, ainda mais alguem que fez 3 especializações distintas em apenas uma! Recursos Humanos, finanças e Marketing! Que proeficiência! E eu acreditando que especializar em Informática em Saúde é o melhor caminho pra minha carreira! Um verdadeiro ornintorrinco da gestão!

Thiago, você é jovem. Ainda vai apanhar muito. Mas entenda que quando se expõe na internet, estamos sujeitos a agradar e a desagradar. Ou mobilizamos ou somos imobilizados pela queda do conteúdo. Seu blog tem caído a cada dia que passa no conteúdo, suas matérias são tão prazerosas de ler quanto o de um obtuário.

Subo a montanha e pergunto a você, Thiago. No que você é bom? Se responder a este humilde blog, que desde 2004 está na rede, publicarei seu cometário, e não usarei da mesma métrica que você costuma usar.

Coalisão

Coalisão geralmente pode ser benéfica. Geralmente o é quando líderes de duas partes se unem em torno de uma causa, de uma proposta, de uma gestão, de uma mudança na cultura. Coalisão significa coexistir para uma proposta maior (sem dicionários hoje).

O que eu quero ver para minha cidade é um governo de coalisão para três áreas que insistem em trabalhar isoladas, que são a saúde, educação e segurança. Todas as três tem um eixo comum, que é o fato de que ambas elevam toda uma cadeia de produtos, serviços e valores. Valores altos, mas que não são visíveis a curto prazo.

Por exemplo, a saúde jamais é capaz de resolver o problema da segurança pública. Mas se a mesma trabalhar junto com a segurança pública, ela pode diminuir “as vinhas da ira”. A educação, por exemplo, não vai impedir um assalto, mas evita o nascimento de um futuro assaltante (exceto os casos patológicos).

E as três áreas não conseguem ver o seu grau de interdependência. Ambas são sugadoras incessantes de despesas, ambas requerem um diálogo constante, ambas necessitam de gente que queira fazer mais, com o menos que tem, mas com criatividade. Soluções inovadoras saem dos momentos de dificuldade e falta de alguma solução milagrosa.

Coalisão também significa esquecer as rusgas políticas, os “partidarismos” e “achismos” em prol da cidade, do cidadão. O cidadão normal vota na pessoa, e não na legenda. Ele sequer entende muitas vezes a liturgia partidária. Mas ele conhece o cidadão A ou B, e acha que ele vai fazer o melhor para ele ou a cidade (claro, ainda estamos vivendo dias de assistencialismo). Discutir, por exemplo, se o prefeito vai ter maioria ou não na câmara, por exemplo, é um dos reflexos mais burros de que a cidade está sendo deixada de lado, em troca do partidarismo.

Monlevade, assim como todas as cidades do interior, não conseguem despertar seu grau de relevância para coisas criativas, porque a cultura é assistencialista. Bolsas-escola, etc só são uma vertente desta mazela cultural. Mas a cada dia, o discurso do bem da cidade é esquecido para valorizar apenas o discurso do momento.

Este desabafo é mais uma decepção, porque por mais que eu tenha leitores de qualidade, infelizmente, a prática de alguns leitores está divergindo desta coalisão. Não os culpo, porque eles ainda tem que governar em função de estruturas partidárias e alianças para “garantir a governabilidade”.  Não sou filiado a nenhum partido, não penso em me filiar, porque a partir do momento em que a sigla toma atitudes que eu não concorde, vou ter que sair. Não vou compactuar com estratégias que visem apenas aos interesses eleitoreiros ou eleitorais.

Por exemplo, não penduro banners de lojas em meu blog, porque o comércio de Monlevade ainda não sabe atender ao cliente normal. Atender ao cliente rico eles sabem, mas o cliente nerd, corcunda como eu, eles desprezam. Não coloco banners de alguem que vou ter que criticar.

Os blogs, por exemplo, que linko são todos de pessoas que pensam em um bem comum e em compartilhar seus conhecimentos. Embora algumas vezes tome puxões de orelha (que sempre são bem vindos, Célio), eles são referência de opiniões, concordando ou não com elas, mas são pontos de vista que considero sempre interessantes, e que me ajudam a ver com outros olhos algo que me chama a atenção, ou estão relacionadas às minhas relações, sejam de trabalho ou de cunho social.

Coalisão para subir esta montanha eu tenho. Mas os políticos esquecem dela, e preferem ficar na planície. Tolos!

Instituições diferentes – Gestão diferente

Algumas pessoas confundem público e privado. Certos profissionais de imprensa em nossa cidade também.

Depois de ter lido isto, fiquei realmente tentado, seguindo a linha de raciocínio do Célio Lima de não comentar nada a este respeito. Mas meu empenho e anos vivendo na área me obrigam a comentar:

a) Uma coisa, meu caro, é uma gestão que é feita pelo SUS. Outra coisa é a feita por uma entidade FILANTRÓPICA,  que pode reservar 70% dos atendimentos para o SUS, e deixar 20% para a iniciativa suplementar (planos de saúde). Se isto não for um argumento suficientemente grande para seu universo unilateral, vamos a mais um caso;

b) Uma gestão de saúde pública é baseada em metas e diretrizes estabelecidas por lei. A saúde pública é basicamente subsidiada por repasses do SUS e da prefeitura. Se, por exemplo, o PA municipal atendesse convênios, ele não seria público.

c) Investigue a fundo sobre remuneração de convênios e SUS antes de falar qualquer coisa sobre saneamento financeiro. Para quem quer fazer um mestrado em finanças, já por si só renderia um aprendizado interessante.

d) Tomar partido é humano. Mas achincalhar o debate, isto já é burrice das grossas.

e) Uma coisa é uma prefeitura, e uma secretaria específica. Outra coisa é uma administração de uma entidade filantrópica.

f) Pessoas, meu caro, passam pelo universo dos cargos. Estamos, não somos donos deles.

A montanha, infelizmente, só é boa para os corajosos. Os néscios ficam na planície, no máximo em um aclive suave.

Hospital Margarida, política e bate boca

Sim, depois de alguns dias refletindo sobre o caso do Hospital Margarida,  e sob a “suposta” fraude ao SUS, venho trazer minhas reflexões.

a) Os jornais de Monlevade tocam a notícia de acordo com seus interesses. Não adianta tentar ler de maneira imparcial. Se você vê uma notícia publicada num diário, você fica preocupado. Se você lê a notícia num bi-semanário, você fica acreditando que é politicagem. Já se você procurar os blogs, você verá que existe muita paixão na defesa de pessoas, e não das instituições. Ou seja, o foco é para latir enquanto o leitor passar na frente, fazer barulho. Mas amarrado e muito bem amarrado nas coleiras dos interesses pessoais, escusos ou explícitos.

b) O meu amigo Célio Lima realmente é dono de uma visão peculiar. Concordar com ele ou não é simplesmente exercer o livre arbítrio. O Célio sabe que minha bronca com o “primeiro blog” de Monlevade é antiga. O seu comentário de hoje trouxe luz na escuridão sobre o debate.

c) Se ocorreu uma fraude como está sendo noticiada, antes de mais nada, ocorreu a falha no próprio sistema do SUS. Explico a razão. Todas as internações de procedimentos realizados no Hospital recebem uma guia, chamada “AIH – Autorização de Internação Hospitalar”. Estas aih´s são geradas quando, no ato da internação hospitalar, é enviado o pedido de internação para a secretaria municipal de saúde. Esta “AIH” é atrelada ao procedimeto que deverá ser realizado. Hoje, temos o SUSFácil do governo do estado que faz o mesmo controle, mas de qualquer forma, esta AIH ainda passa pela Secretaria Municipal de Saúde.

Esta AIH em geral consta o procedimento que será realizado. Já que esta AIH está com o procedimento principal (aquele que será realizado) atrelada a ela, significa que foi liberado para um hospital que não poderia executar aquele procedimento (de acordo com nossos jornais) a AIH. Se esta é a premissa, o sistema que envia estas informações (SISAIH -  Sistema de Informações de Autorizações em Internação Hospitalar) era para estar “glosando”, ou seja, não pagando a internação, já que ele tem esta auditoria em 2 níveis: a primeira eletrônica e a segunda física (onde entrou o Dr. Carlos Alberto). Se a eletrônica, que é muito mais sensível permitiu esta “fraude”, o Governo Federal, através do DATASUS deveria repensar e muito o seu modelo de auditoria.

Se isto foi feito porque foi explorada uma fragilidade do sistema, o próprio governo federal deveria intervir na situação, já que o prejuizo foi em parte dele. Tudo bem, pode ser alegada má fé, mas num sistema de informática que não faz uma auditoria coerente não pode ser considerado um bom sistema. O erro humando não deve ser menos passível de punição que o erro do sistema.

Se for questão política, se a ação foi para denegrir a imagem de x ou y, não vou entrar neste mérito. Quem perde é a população. Se existir a confirmação de fraude nos processos de procedimentos, o Datasus vai ser muito mais rigoroso e até atrasar os repasses de verba para a instituição, compromentendo e penalizando a população que precisa de usar o Sistema Único de Saúde.

A monhanha tem várias pedras soltas. O cuidado exige a reflexão constante sobre o próximo passo a ser dado. Cargos são passageiros, assim como jornais e empregos.

Que se suba a montanha com cautela.

Novo blog, antigas e novas discussões

Bem, estou inaugurando oficialmente o novo “UglyDarkSide”. Não vou fazer deste espaço um canivete suiço, cheio de banners, barras laterais e outras coisas que quase todo mundo faz. Não vou fazer propaganda, não vou colocar posts patrocinados, não vou falar bem da empresa que trabalho, e sequer vou citar  ela em meus posts (a não ser que seja de forma “sub-entendida”).

Não ganho dinheiro como blogueiro. Ganho amigos, como o Célio Lima (Drops de Sanidade/Agenda Oculta), que foi uma das pessoas que me incentivou a trabalhar na migração. A ele meu primeiro agradecimento por ter me acompanhado no debate sobre a área de saúde em João Monlevade.  Tinha feito uma migração de todo o conteúdo do blog anterior, mas na hora que vi, fiquei decepcionado e meio, e resolvi desfazer a migração. Casa nova merece novas idéias, e é até uma forma de construir  novos pensamentos.

A partir de hoje, continuo não garantindo regularidade, mas prometo postar sempre noticias que estão circulando, e emitindo meus comentários sobre as diversas coisas que tem acontecido em nossa cidade.

A todos os meus antigos leitores, sejam bem vindos.

Aos novos, fiquem a vontade. A casa tenta servir bem sempre, para servir com continuidade.

E vamos subindo a montanha!