Arquivo para outubro de 2009

Seu tempo é tão precioso quanto o meu

A polêmica da semana envolve médico, portanto, de certa forma, envolve uma área que gosto, que é a de saúde.

O Marcelo Melo denunciou o atraso de um médico no atendimento. O médico, com seu direito, replicou e o Marcelo respondeu, deu o direito de resposta e confirmou sua opinião.

O problema é que em geral, diversos profissionais não sabem gerenciar sua agenda (eu mesmo me encaixo na categoria dos desleixados com alguns compromissos). Mas não atraso quando marco uma atividade (salvo em raras e honrosas excessões.) Chego com antecedência porque uso meu celular para me lembrar de atividades. Se não fosse ele, e minhas outras diversas agendas on-line (a maioria delas eu replico os principais compromissos), não sobreviveria.

Não irei polemizar muito, apenas constatar que a área de saúde é péssima em gerenciamento de tempo. O Conselho Federal de Medicina preconiza 15 minutos o tempo mínimo de uma consulta médica. Já para exames de SADT (Serviços Auxiliares de Diagnóstico e Terapia), não existe uma regra clara. No caso do Ultrasson, 45 minutos de exame resolveriam boa parte das hipóteses diagnósticas, e o médico poderia ter esta janela de tempo para poder planejar seus exames.

Ocorre que gerenciamento de tempo sem uso de tecnologia não existe. E infelizmente todos os profissionais de saúde que vejo no interior ainda trabalham com agendas de papel, o que gera um transtorno prático e logístico. Gerenciar conflitos de horário, por exemplo, não existe!

Eu sempre falo que a informática veio para resolver problemas simples. E a tecnologia permite isto, até num simples celular. A questão é: Onde está a vontade de fazer isto funcionar?

Nossas escolhas assistencialistas

Ainda que me provem ao contrário, a maioria dos políticos usa o assistencialismo como carro chefe. Agilizar consultas, fornecer cestas básicas e dentaduras, enviar cartas de pedido de emprego. Uma cultura assistencialista que é um modelo político que perdura por muitos tempos, porque não se consegue mudar.

Por exemplo, “escritórios” dos políticos na verdade são na verdade celeiros de assistência. O papel de legislar fica totalmente legado a um termo. Outro dia, vendo a TV Assembléia, um deputado informa seu telefone de gabinete e fala que se tiver um poço artesiano necessitando de eletrificação em sua região, ele vai providenciar em 30 dias. Hora, se em 30 dias ele consegue promover a eletrificação, por que ele não cria leis para garantir que estas solicitações não dependam da intervenção do mesmo para poder.

Na saúde é a mesma situação. Conheço histórias de deputados federais que eram “patronos” de hospitais filantrópicos que exigiam que fossem atendidos pacientes encaminhados pelos seus escritórios. Neste caso, pacientes eram quase “expulsos” dos leitos, para dar lugar a estes indicados. Que se dane a qualidade assistencial e a recuperação do paciente.

Um exemplo claro é que a verba de qualificação das equipes dos programas de saúde da família são altas, mas as prefeituras, em sua maioria, usa este recurso para sanear outras despesas que dão mais “visual” político, como equipamentos e ambulâncias. Não precisa puxar muito a memória para lembrar do caso da máfia das ambulâncias. Isto tudo atesta a incapacidade política de gerar legislação, e sim promover assistência “social”.

Projetos de longo prazo nunca passam na cabeça dos políticos. Os investimentos em obras emergenciais sempre são maiores que obras de sucesso. Por exemplo, as reparações das “pontes” no trecho BH-Monlevade da 381 são o reflexo mais claro de como o governo não pensa a longo prazo. Ou que raramente investe no que precisa.

Assistencialismo não resolverá nunca o problema de nosso país, nem resolverá a desigualdade social. Na área de saúde, isto se mostra uma tragédia. E reforça ainda mais a imagem de um sistema único de saúde ineficiente, e o desrespeito total à constituição.

E vamos subindo esta montanha, sem aceitar as esmolas dos políticos.

Impedido de falar do Margarida

Prezados,
Por motivos éticos, me sinto impedido de falar do Hospital Margarida. Não que eu trabalhe na instituição, mas outras pessoas do meu relacionamento familiar trabalham, então não tecerei comentários a mais sobre as denúncias que foram feitas contra a instituição.
Eu realmente trabalhei no Hospital Margarida, onde exerci por 5 anos e 8 meses o cargo de responsável pela área de TI. Como era outra gestão, me sentia livre para falar daquela casa.
Agora não poderia exercer minha liberdade sem ferir a ética.

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Por que no te calas?

Tem um blogueiro que acha que é melhor falar pelos cotovelos, falar merda, do que pensar 5 minutos antes de escrever. Escreve compulsivamente sobre muitas coisas que ele sequer tem a sabedoria de compreender e opinar. Acho que ele deveria aprender que, quando você escreve algo, o Google mantém o histórico.

E pior é o blogueiro que muda o seu foco de acordo com o que lhe convém profissionalmente. E sem sequer mudar a linha de raciocínio.

Para onde irão estes “grandes” formadores de opinião?

Subo a montanha, mas não precisaria perder minha capacidade computacional tentando ver o lixo produzido.

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Quando virarem a página, me avisem

Quando virarem a página da política da banalidade, me avisem.
Vou continuar subindo a montanha, dando meus pitacos.
E vamos que vamos.

Ter um carro ou não ter. Eis a questão!

Gosto de carros. Gosto de carros grandes, de conforto, de poder ter a ilusão de que ele pode me levar aonde quero, quando quero.

Mas na tendência caótica das vias urbanas, ter carro representa ter dor de cabeça, ser nervoso, stressado. Mas infelizmente, nossos governantes não entendem que para resolver este problema, a educação para o transporte tem que começar cedo, e ser constante. Ensinar nas escolas apenas em aulas chatas não resolve o problema. Se estiver associado a um transporte público de qualidade, disponível e com conforto, para que ter um carro?

Eu ainda não comprei meu carro, até porque não tenho o menor tesão em dirigir. Quando preciso me deslocar com urgência, tem o taxi e o mototaxi. Resolve meu problema com facilidade.

É só uma questão de coerência.

Pensar na saúde não é tão difícil

Não é complicado pensar na saúde. Basta apenas um exercício de imaginação e boa vontade.

Primeiro, deve-se pegar o que é um bom cenário em saúde. O que é imprescindível para que todos tenham acesso aos serviços básicos, quais são os pilares mínimos de qualidade que esperamos.

Feito este exercício de imaginação, trabalhamos com o que temos de recursos. Os recursos provêm de qual fonte? Como esta fonte pode ser utilizada, de maneira a manter estes recursos operacionais e com a qualidade pretendida?

Neste exercício, você verá que qualquer pessoa, dotada de bom senso, pode planejar a saúde, baseada naquilo que tem. Se a pessoa for esperta, verá que prevenir é melhor que tratar. Descobrirá que não é a quantidade de exames que melhora o diagnóstico, e sim a qualidade do tempo dispendida na consulta. Identificará que, se quer ter um patamar mínimo de qualidade, terá que usar não apenas a tecnologia, mas a criatividade. Verá que ações em outros setores, como escolas e meio ambiente ajudarão a reduzir as despesas com coisas desnecessárias.

Esta visão não é impossível de ser tirada em nossa cidade, nosso estado, nosso país. Ela envolve apenas a boa vontade de querer fazer. De entender que no início, não se terá uma economia imediata, mas a longo prazo esta economia será expressiva.

Se uma cidade, do porte nosso, mostrar que é possível, poderemos sair da mesmice e virar referência nacional. Literatura e fontes para pesquisa não faltam!

Hospital Margarida, política e bate boca

Sim, depois de alguns dias refletindo sobre o caso do Hospital Margarida,  e sob a “suposta” fraude ao SUS, venho trazer minhas reflexões.

a) Os jornais de Monlevade tocam a notícia de acordo com seus interesses. Não adianta tentar ler de maneira imparcial. Se você vê uma notícia publicada num diário, você fica preocupado. Se você lê a notícia num bi-semanário, você fica acreditando que é politicagem. Já se você procurar os blogs, você verá que existe muita paixão na defesa de pessoas, e não das instituições. Ou seja, o foco é para latir enquanto o leitor passar na frente, fazer barulho. Mas amarrado e muito bem amarrado nas coleiras dos interesses pessoais, escusos ou explícitos.

b) O meu amigo Célio Lima realmente é dono de uma visão peculiar. Concordar com ele ou não é simplesmente exercer o livre arbítrio. O Célio sabe que minha bronca com o “primeiro blog” de Monlevade é antiga. O seu comentário de hoje trouxe luz na escuridão sobre o debate.

c) Se ocorreu uma fraude como está sendo noticiada, antes de mais nada, ocorreu a falha no próprio sistema do SUS. Explico a razão. Todas as internações de procedimentos realizados no Hospital recebem uma guia, chamada “AIH – Autorização de Internação Hospitalar”. Estas aih´s são geradas quando, no ato da internação hospitalar, é enviado o pedido de internação para a secretaria municipal de saúde. Esta “AIH” é atrelada ao procedimeto que deverá ser realizado. Hoje, temos o SUSFácil do governo do estado que faz o mesmo controle, mas de qualquer forma, esta AIH ainda passa pela Secretaria Municipal de Saúde.

Esta AIH em geral consta o procedimento que será realizado. Já que esta AIH está com o procedimento principal (aquele que será realizado) atrelada a ela, significa que foi liberado para um hospital que não poderia executar aquele procedimento (de acordo com nossos jornais) a AIH. Se esta é a premissa, o sistema que envia estas informações (SISAIH -  Sistema de Informações de Autorizações em Internação Hospitalar) era para estar “glosando”, ou seja, não pagando a internação, já que ele tem esta auditoria em 2 níveis: a primeira eletrônica e a segunda física (onde entrou o Dr. Carlos Alberto). Se a eletrônica, que é muito mais sensível permitiu esta “fraude”, o Governo Federal, através do DATASUS deveria repensar e muito o seu modelo de auditoria.

Se isto foi feito porque foi explorada uma fragilidade do sistema, o próprio governo federal deveria intervir na situação, já que o prejuizo foi em parte dele. Tudo bem, pode ser alegada má fé, mas num sistema de informática que não faz uma auditoria coerente não pode ser considerado um bom sistema. O erro humando não deve ser menos passível de punição que o erro do sistema.

Se for questão política, se a ação foi para denegrir a imagem de x ou y, não vou entrar neste mérito. Quem perde é a população. Se existir a confirmação de fraude nos processos de procedimentos, o Datasus vai ser muito mais rigoroso e até atrasar os repasses de verba para a instituição, compromentendo e penalizando a população que precisa de usar o Sistema Único de Saúde.

A monhanha tem várias pedras soltas. O cuidado exige a reflexão constante sobre o próximo passo a ser dado. Cargos são passageiros, assim como jornais e empregos.

Que se suba a montanha com cautela.

Atrasado nas postagens

Ando muito ausente do blog, porque tenho andado mais off-line que on-line. Infelizmente estive trabalhando em um projeto paralelo, que me tomou mais tempo que o que pretendia.
Mas gostaria de informar algumas coisas:
a) Segundo uma fonte, a Acellor solicitou a prefeitura a devolução do PA. O PA é um comodato da Acellor, então, significa duas coisas:
1. A Acellor vai expandir realmente a usina nos próximos meses;
2. O “Centro de especialidades” vai ter que sair do papel no menor tempo possível.
b) Os vereadores de monlevade ainda não sabem o que rola de verdade na área de saúde. Não adianta falar que só porque o cara trabalhava no PA ele é o expert na área de saúde. Se perguntar qualquer coisa sobre ele sobre BPA´s, APACs e AIH´s, será a mesma coisa que falar elfico para um não iniciado em tolkien.
c) As reuniões para as eleições dos conselhos municipais de saúde foram tão eficientes, que nenhum órgão de imprensa dispensou linhas sobre elas. Ou elas foram muito boas, ou um fracasso total.