Arquivo para novembro de 2009

Recomendo a leitura

Para os meus visitantes, que são médicos, ou outros profissionais interessados no assunto, recomendo verem estas duas apresentações.

Aqui e Aqui. Recomendo pois é um assunto que nunca deve sair da memória e dos pensamentos de profissionais que, direta ou indiretamente, lidam com vidas.

PF e Conselho encontram seis falsos médicos

por Saúde Business Web
30/11/2009
 
A descoberta aconteceu na Unidade Mista de Saúde Ana Argemira Correia, em Jataúba (PE)
 

 

A diretora da Unidade Mista de Saúde Ana Argemira Correia, em Jataúba (PE), está sendo ouvida pela Polícia Federal e o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), após a descoberta de seis falsos médicos que atuavam na unidade. Um dos falsos médicos, que também atendia em um posto do Programa de Saúde da Família (PSF), foi pego em flagrante. No entanto, após uma análise dos documentos de outros profissionais, mais cinco foram descobertos atuando sem registro do CRM.

Segundo o Cremepe, os acusados responderão inquérito por exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica, por uso do número do CRM de outra pessoa. O conselho também irá encaminhar denúncia ao Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado para avaliar o uso de dinheiro público. Para o presidente da instituição, André Longo, problemas como esses poderiam ser evitados se a contratação dos médicos fosse realizada por meio de concurso público.

 

 

Comentário meu: Se apurarem devidamente, estes casos ocorrem em todo o país. Basta fazer uma investigação mais rigorosa, principalmente nos municípios abaixo dos 50 mil habitantes. Principalmente aqueles que não dispõe de infra-estrutura técnica suficiente para auditar dados. Vão encontrar números impressionantes!

Não comento sobre a linha azul

Não comento sobre a linha azul porque não dirijo, não sou habilitado, não esquento a cabeça com carro e sequer entendo de engenharia e urbanismo. Pessoas mais qualificadas que eu já disseram que isto ainda é um projeto de 2 meses ou mais.
Subo a monhanha fugindo destas pedras. Ou não.

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“SUS é a maior política Social do País”

por Agência Senado
30/11/2009
 
Afirmação foi feita pela ministro da Saúde, José Gomes Temporão
 

 

O balanço parcial da saúde em 2009, apresentado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na quinta-feira (26), fechou o ciclo de debates sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) realizado em conjunto pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e pela Subcomissão Permanente de Promoção, Acompanhamento e Defesa da Saúde. Desde sua criação, pela Constituição Federal de 1988, o SUS vem acumulando números expressivos na assistência à saúde a 190 milhões de brasileiros, o que o credencia – nas palavras de Temporão – como “a maior política social em curso no país”.

De acordo com o ministro, o SUS é o único recurso de assistência à saúde disponível para 70% da população brasileira, reunindo 64 mil estabelecimentos credenciados. Anualmente, realiza 2,3 bilhões de procedimentos ambulatoriais; 254 milhões de consultas e 11,3 milhões de internações. Dentre as conquistas obtidas nesses 21 anos, sobressaem a queda de 60% na taxa de mortalidade infantil – creditada, principalmente, ao Programa Saúde da Família (PSF), presente hoje em 94,2% dos 5,5 mil municípios brasileiros – e a iminência de a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar o Brasil livre da rubéola e da rubéola congênita.

Além de conviver com uma carência crônica de recursos – “o Brasil gasta pouco em saúde, apenas 3,4% do PIB (Produto Interno Bruto)” -, o SUS tem como desafio maior, segundo Temporão, enfrentar as rápidas mudanças no perfil demográfico e epidemiológico, com redução da taxa de fecundidade (número médio de filhos por mulher) e aumento da expectativa de vida. O ministro acredita que, se não houver reforço no financiamento do SUS, sua sustentabilidade estará ameaçada.

Outras questões ligadas à saúde pública foram levantadas pelos senadores presentes à audiência pública. O senador Paulo Duque (PMDB-RJ) indagou sobre os resultados do programa Farmácia Popular, que tem 520 pontos espalhados pelo país e viabiliza a retirada mensal de medicamentos a preço de custo por um milhão de pessoas.

Em seguida, o senador Adelmir Santana (DEM-DF) pediu a interiorização de investimentos na saúde pública para evitar a superlotação no sistema em cidades-pólo. Já o senador Augusto Botelho (PT-RR) questionou a venda mais cara de medicamentos genéricos. Segundo Temporão, isso costuma ocorrer quando similares são lançados no mercado a preços mais baixos para concorrer com os genéricos.

Enquanto o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) reclamou de dificuldades na liberação de emendas parlamentares para a saúde, o senador Mão Santa (PMDB-PI) criticou os baixos salários pagos aos médicos da rede pública. O senador José Nery (PSOL-PA) perguntou sobre as ações federais contra malária. Após registrar a queda de 51,5% na incidência de mortes e de 44,7% no número de internações pela malária, Temporão revelou que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) obteve empréstimo de 35 milhões de euros para investir no combate à doença.

 

Esqueceram de informar que, neste país, os ministros e o presidente jamais pisam nos hospitais públicos. Preferem os grandes hospitais particulares, como o Beneficiência Portuguesa e o Einstein para seus diagnósticos, quando não o fazem no São Luiz ou outros.

Falácias. Falácias. O que serve ao poder não serve para o público?

Perguntas aos vereadores

Já que perguntar nunca ofende, gostaria que nossos nobres vereadores respondessem às seguintes perguntas (pode ser via comentário ou e-mail mesmo)

1) Por que os índices de vacinação de Monlevade estão bons para alguns casos, e ruins em outros?

2) As condições de transporte escolar estabelecidas pelo PNATE estão sendo cumpridas? O repasse desta verba está sendo destinada corretamente?

3) Qual é o volume exato de pessoas transportadas diretamente pela prefeitura para Belo Horizonte, e em quais lugares, destinos e especialidades médicas eles estão tendo que buscar fora de Monlevade?

4) Qual é a posição atual de todos os estoques de medicamentos, materiais e insumos da prefeitura?

5) Qual é o volume de recursos gastos diretamente na merenda escolar? Quantas refeições são servidas por dia? Qual é o equilíbrio dietético destas refeições? Qual a nutricionista responsável pela merenda escolar?

6) Quanto do ProInfo (programa do MEC para informatização das escolas) já foi usado, e se não foi, por que nunca se cogitou em usar?

7) Quantas obras da prefeitura estão paradas neste momento por algum entrave burocrático ou falta de recurso?

8) Qual é o real impacto do déficite do DAE sobre o abastecimento do município?

9) Qual é o perfil dos servidores municipais? Existe demanda reprimida em alguma área por falta de profissionais? Quantos profissionais são capacitados constantemente?

10) Que leis estão em trâmite e emperradas na câmara por problemas de redação?

11) Por que tantas moções de aplauso, no lugar de leis efetivas ou de fiscalizar as ações do executivo?

12) Por que a dita “bancada da saúde” desconhece totalmente os indicadores de saúde?

13) Qual o volume de pessoas transportadas pelas ambulâncias de João Monlevade que realmente estão em estado de emergência?

14) Quem zela pela manutenção dos equipamentos públicos e do patrimônio da cidade?

 

Se qualquer vereador responder a pelo menos 5 questões, fico satisfeito, e vou reconhecer que ele realmente está fiscalizando, no lugar de batendo boca e dando moção de aplauso.

Se não responderem, terei certeza que eles não tem a menor capacidade de conhecerem DADOS sobre nossa cidade, então serão incapazes de propor qualquer coisa concreta para o crescimento desta cidade.

Fica o espaço, e aguardo o contato. E continuarei subindo a montanha, mesmo que sozinho.

Alerta do CFM sobre assinatura eletrônica de médicos

O Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda aos médicos de todo o país que aguardem a definição de calendário e dos procedimentos para disponibilizar a assinatura eletrônica (certificação digital) com código de CRM para os médicos, conforme previsto na Resolução CFM nº 1.821/07.
     
Segundo o CFM, estão sendo tomadas providências para que os médicos inscritos nos Conselhos Regionais de Medicina tenham acesso o mais rápido possível à certificação digital. Há um grupo de técnicos e especialistas trabalhando para isso. Em breve, serão divulgadas novas informações.
     
O CFM alerta que é preciso ter cautela porque há diversas ofertas desse tipo de assinatura que não atendem aos requisitos previstos no Manual de Certificação para Sistemas de Registro Eletrônico, elaborado pelo Conselho Federal de Medicina e pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS).
     
Em breve, o Conselho Federal de Medicina passará a atuar como entidade certificadora dentro dos padrões ICP-Brasil. A certificação digital para os médicos será importante para desenvolver e implantar prontuários eletrônicos nos estabelecimentos de saúde.
     
Essa nova forma de armazenamento de dados, exigência da legislação, será realizada segundo critérios rigorosos de confidenciabilidade e de segurança, o que resulta em mais garantias para a população.

 

Fonte: CFM
Comentário meu: O CFM agora está tomando medidas práticas. Mas ainda o manual de certificação de sistemas vai demorar para “vingar”, pois ele requer auditoria constante. Embora eu, como membro associado da SBIS defenda a certificação, acredito que o mercado ainda vai demorar para aderir ao Manual. Mas é uma montanha grande, e ela precisa de interdisciplinariedade para ser escalada corretamente.

Coalisão

Coalisão geralmente pode ser benéfica. Geralmente o é quando líderes de duas partes se unem em torno de uma causa, de uma proposta, de uma gestão, de uma mudança na cultura. Coalisão significa coexistir para uma proposta maior (sem dicionários hoje).

O que eu quero ver para minha cidade é um governo de coalisão para três áreas que insistem em trabalhar isoladas, que são a saúde, educação e segurança. Todas as três tem um eixo comum, que é o fato de que ambas elevam toda uma cadeia de produtos, serviços e valores. Valores altos, mas que não são visíveis a curto prazo.

Por exemplo, a saúde jamais é capaz de resolver o problema da segurança pública. Mas se a mesma trabalhar junto com a segurança pública, ela pode diminuir “as vinhas da ira”. A educação, por exemplo, não vai impedir um assalto, mas evita o nascimento de um futuro assaltante (exceto os casos patológicos).

E as três áreas não conseguem ver o seu grau de interdependência. Ambas são sugadoras incessantes de despesas, ambas requerem um diálogo constante, ambas necessitam de gente que queira fazer mais, com o menos que tem, mas com criatividade. Soluções inovadoras saem dos momentos de dificuldade e falta de alguma solução milagrosa.

Coalisão também significa esquecer as rusgas políticas, os “partidarismos” e “achismos” em prol da cidade, do cidadão. O cidadão normal vota na pessoa, e não na legenda. Ele sequer entende muitas vezes a liturgia partidária. Mas ele conhece o cidadão A ou B, e acha que ele vai fazer o melhor para ele ou a cidade (claro, ainda estamos vivendo dias de assistencialismo). Discutir, por exemplo, se o prefeito vai ter maioria ou não na câmara, por exemplo, é um dos reflexos mais burros de que a cidade está sendo deixada de lado, em troca do partidarismo.

Monlevade, assim como todas as cidades do interior, não conseguem despertar seu grau de relevância para coisas criativas, porque a cultura é assistencialista. Bolsas-escola, etc só são uma vertente desta mazela cultural. Mas a cada dia, o discurso do bem da cidade é esquecido para valorizar apenas o discurso do momento.

Este desabafo é mais uma decepção, porque por mais que eu tenha leitores de qualidade, infelizmente, a prática de alguns leitores está divergindo desta coalisão. Não os culpo, porque eles ainda tem que governar em função de estruturas partidárias e alianças para “garantir a governabilidade”.  Não sou filiado a nenhum partido, não penso em me filiar, porque a partir do momento em que a sigla toma atitudes que eu não concorde, vou ter que sair. Não vou compactuar com estratégias que visem apenas aos interesses eleitoreiros ou eleitorais.

Por exemplo, não penduro banners de lojas em meu blog, porque o comércio de Monlevade ainda não sabe atender ao cliente normal. Atender ao cliente rico eles sabem, mas o cliente nerd, corcunda como eu, eles desprezam. Não coloco banners de alguem que vou ter que criticar.

Os blogs, por exemplo, que linko são todos de pessoas que pensam em um bem comum e em compartilhar seus conhecimentos. Embora algumas vezes tome puxões de orelha (que sempre são bem vindos, Célio), eles são referência de opiniões, concordando ou não com elas, mas são pontos de vista que considero sempre interessantes, e que me ajudam a ver com outros olhos algo que me chama a atenção, ou estão relacionadas às minhas relações, sejam de trabalho ou de cunho social.

Coalisão para subir esta montanha eu tenho. Mas os políticos esquecem dela, e preferem ficar na planície. Tolos!

Sugestões para melhorar a área de saúde em JM, tem várias!

O prefeito pediu sugestões para a área de saúde em João Monlevade, durante a Conferência Municipal de Saúde, neste sábado.

Pois bem, Sr. Prefeito, tem várias!

Vamos a elas:

a) Melhorar a gestão dos estoques de medicamentos e logística de materiais. A recente chuva que atingiu Monlevade mostrou que não existe um cuidado básico com a guarda de Materiais e Medicamentos. Se atender às normas exigidas pela Vigilância Sanitária para a gestão destes estoques, já está bom. A distância mínima do chão, prefeito, é de 15cm. Se a chuva ultrapassar isto, já então é falta de contingência mesmo. 

Melhorar a gestão de estoques significa basicamente melhorar os controles. Roubos existem em qualquer farmácia, e no setor público, ele deve existir também (não estou acusando, só estou apontando uma possibilidade).

b) Entender as patologias o impacto econõmico das mesmas nos gastos da saúde é extremamente importante. Existem doenças que são localizadas, por exemplo, em determinada região. Doenças da pobreza, por exemplo, como verminoses existem onde existe falta de infra-estrutura. Infelizmente ainda temos casos de desnutrição. Patologias ligadas a Diabetes, por exemplo, não tem local, mas as medidas para diminuir os custos com o atendimento ambulatorial poderiam reduzir enormemente as despesas com estas patologias. Ainda temos nesta área os hipertensos, por exemplo, que podem ser acompanhados de perto. Solução e ferramentas já tem, Prefeito, e se chama “Programa de Saúde na Família”. Basta a nossa secretária de saúde bater na mesa e faser os programas de saúde acontecerem.

c) Informatização urgente de todos os postos de saúde, e implantação de um PEP.

Sim, prefeito, bato nesta tecla todos os dias. Prontuário Eletrônico do Paciente interligado em todos os postos de saúde, e no PA, e no futuro Centro de Especialidades. Reduziria enormemente os gastos com exames básicos, com o entendimento do paciente, com a atenção integral à saúde. Custa implantar uma grana, mas o resultado vem, posso lhe garantir. Só de se ter a certeza que o paciente vai ser acompanhado em todo o seu histórico ambulatorial já é muito bom!

Se o Sr. quiser, posso ajudar volutariamente nos processos de escolha de aderência, de adequações de infra-estrutura etc. Estou colocando meu conhecimento a serviço de uma causa maior, sem ônus aos cofres públicos. Indepentente de ser o Sr. o prefeito, ou o próximo, a consultoria fica disponível. É uma coisa que gosto muito, e encaro como um trabalho voluntário de impacto social.

Se o Sr. procurar atingir estas 3 questões, o sr. poderá ver que até o repasse do SUS vai aumentar em 10, 20% num prazo de 2 anos. É uma tendência e um efeito prático de uma gestão correta da informação. Quanto maior o número de informações, melhor a gestão da saúde.

Pense nisto. Estou à disposição para o debate e para a prática.

E vamos subindo esta montanha!

Instituições diferentes – Gestão diferente

Algumas pessoas confundem público e privado. Certos profissionais de imprensa em nossa cidade também.

Depois de ter lido isto, fiquei realmente tentado, seguindo a linha de raciocínio do Célio Lima de não comentar nada a este respeito. Mas meu empenho e anos vivendo na área me obrigam a comentar:

a) Uma coisa, meu caro, é uma gestão que é feita pelo SUS. Outra coisa é a feita por uma entidade FILANTRÓPICA,  que pode reservar 70% dos atendimentos para o SUS, e deixar 20% para a iniciativa suplementar (planos de saúde). Se isto não for um argumento suficientemente grande para seu universo unilateral, vamos a mais um caso;

b) Uma gestão de saúde pública é baseada em metas e diretrizes estabelecidas por lei. A saúde pública é basicamente subsidiada por repasses do SUS e da prefeitura. Se, por exemplo, o PA municipal atendesse convênios, ele não seria público.

c) Investigue a fundo sobre remuneração de convênios e SUS antes de falar qualquer coisa sobre saneamento financeiro. Para quem quer fazer um mestrado em finanças, já por si só renderia um aprendizado interessante.

d) Tomar partido é humano. Mas achincalhar o debate, isto já é burrice das grossas.

e) Uma coisa é uma prefeitura, e uma secretaria específica. Outra coisa é uma administração de uma entidade filantrópica.

f) Pessoas, meu caro, passam pelo universo dos cargos. Estamos, não somos donos deles.

A montanha, infelizmente, só é boa para os corajosos. Os néscios ficam na planície, no máximo em um aclive suave.

Quando o debate é maior que a ação

Todos os dias, vejo a TV Senado, a TV Câmara e dou uma lida no site da ALMG. Vejo e leio a palavra “debate” ser pronunciada pelo menos 1 vez a cada 20 minutos (estatística torpe mode = on). Mas os debates não significam ações concretas.
Só se fica no debate. Mais nada. Outro dia vi algo sobre a H1N1 que me deixou assustado. “Estamos debatendo sobre os impactos da economia do vírus”. Debater é bom, faz parte do jogo democrático. Mas ficar só no debate torra a paciência. Ação, nobres deputados e senadores. Queremos ação! Leis que realmente sirvam para algo!