Eu sou um cara extremamente atento a novas tecnologias. Embora seja complicado e oneroso manter atualizado, é um desafio mental pelo menos estar antenado com a infinidade de novos paradigmas que são quebrados diariamente.

O problema é que, muitas vezes, alguns sistemas são extremamente fáceis e exigem pouca infra-estrutura. Neste sentido, o governo brasileiro é especialista. Existem diversos sistemas, principalmente relacionados ao SUS, que não evoluem de plataforma faz muito tempo, obrigando os prestadores a manterem estruturas tecnológicas defasadas, como, por exemplo, os sistemas de procedimentos de alta complexidade (APAC). Eles foram desenvolvidos em MS-DOS, usando a linguagem Clipper, e sequer foram evoluídos para outras estruturas operacionais, como linux ou mesmo windows. Estes sistemas ainda usam Disquetes (poucos lembrarão deste recurso), e que sequer possibilitam o backup em outras unidades mais avançadas, como drives USB.

E sem eles, as clínicas de hemodiálise, oncologia e outros procedimentos conseguem enviar seus dados ao Ministério da Saúde, através do Datasus. Até hoje, muitos prestadores tem enorme dificuldade, pois a maioria das informações se perde entre o prestador e a secretaria de saúde ou regional. E dados extremamente complexos, como estes, fragilmente transportados, podem apresentar erros de leitura, ou mesmo “truncarem”, já que são arquvios TXT ou DBF que são transportados.

Por exemplo, o INSS ainda usa uma estrutura complexa e cara de mainframes devido a sua incapacidade de migrar os sistemas para uma tecnologia mais aprimorada. Fora que são inúmeros sistemas e sub-sistemas que fazem parte do processo, e cuja interligação e interoperabilidade muitas vezes é duvidosa.

Infelizmente, neste “trajeto” e nesta quantidade de sistemas paralelos, a gestão pública perde dados organizados de maneira coerente. Por exemplo, o projeto do cartão do SUS, que viria a ser o prontuário nacional do paciente, simplesmente se perdeu no meio de uma tecnologia que sequer tinha previsão de evolução. Foram torrados inúmeras verbas do dinheiro público porque simplesmente o governo não conseguiu gerenciar corretamente esta implementação.  Infelizmente, polítca e tecnologia nem sempre trabalham no mesmo sentido.

O governo ainda não descobriu que o excesso de burrocracia ainda é o maior impedimento para o crescimento de qualquer setor. E na área de saúde, com o nível dos sistemas ainda existentes, a informação é tão distorcida quanto fora da realidade.

A montanha da tecnologia, infelizmente, ainda precisa ser escalada. E com urgência. O “governo digital” ainda é uma balela. E das grandes, e totalmente desconhecida da população.