Arquivo para março de 2010

Para fazer é preciso ter parceiros

Ontem estive numa roda de diálogo extremamente bacana. Encontrar com o Célio Lima e com o Marcelo foi motivo de honra para mim, que defendo sempre o diálogo. Embora este blog fique muitas vezes em cima do muro, para não entrar na vereda política. Eu não gosto da forma que a política é feita.

Da idéia do Célio Lima resultou em um bom diálogo sobre cultura. Monlevade precisa de livros. A tempos não se pratica a leitura, e não falo da leitura de escola. Ler pelo prazer de ler. Sou um devorador de livros. Leio desesperadamente, porque gosto. Vou colocar meus livros do Cornwell e Tolkien a disposição. E tentar arrecadar mais. Ler não é apenas um prazer, mas uma descoberta.

Quando tinha 12 anos li “A Divina Comédia”. Na época, gostava mais das ilustrações de Gustave Doré do que o texto elaborado de Dante. Mas nunca deixei de tentar entender. Sempre devorando livros. Sempre foram meus melhores amigos, meus companheiros. Nunca me abandonaram.

Acho que todos devemos apoiar esta iniciativa. Se você tem livros, doe. Vai ajudar a dar um startup nesta empreitada cultural, voluntária e de caráter apolítico. Ler é aprender. E aprendendo, poderemos subir montanhas cada vez maiores.

E vamos que vamos!

Leia isto, e reflita!

Emergências em crise. Até quando?
Cláudio Balduíno Souto FranzenConselheiro federal e presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do SulPublicado no(a): Zero Hora (RS) Em: 26/2/2010

O setor das emergências hospitalares é um dos grandes problemas da saúde no Estado. É ali, uma das portas de entrada do Sistema Único de Saúde, que nos defrontamos com um drama que parece não ter fim.
     
     A cada ano, aumenta o número de enfermos que acorrem às emergências. Como não existe contrapartida na oferta de vagas na mesma proporção, a superlotação se torna inevitável. Algumas instituições, para garantir um mínimo de qualidade na assistência aos pacientes, fecham suas portas temporariamente até desafogar o setor. Existem, também, aqueles hospitais que ficam de portas abertas todo o tempo, mesmo que isso sobrecarregue os médicos e outros profissionais da saúde, colocando os pacientes, então, precariamente acomodados, em risco.
     
     Este segundo quadro foi o que vimos em janeiro no Hospital Conceição. Na ocasião, a direção do hospital foi ágil na tomada de providências para resolver o problema. Houve acentuada redução de pacientes nas salas da emergência e a garantia de uma reestruturação no setor.
     
     Menos de um mês depois, o problema se repete. O Conceição insiste em sua política de manter as portas abertas quando não tem capacidade para atender a todos que o procuram, o que acarreta a superlotação com todas as suas consequências danosas.
     
     Temos consciência de que a crise nas emergências é uma questão complexa. Sua origem, porém, é conhecida por todos os protagonistas da saúde. A principal delas é a dificuldade de encontrar leitos para baixar os pacientes após o primeiro atendimento, o que acaba determinando que eles fiquem mais tempo que o necessário nas emergências. Nos últimos 16 anos, de acordo com o Ministério da Saúde, foram extintos mais de 3 mil leitos do SUS no Estado. Inúmeros hospitais fecharam suas portas. Entre eles, o Independência, referência em traumato-ortopedia, que encerrou suas atividades em abril do ano passado.
     
     É necessário considerar, também, a tradicional ambulancioterapia. Grande parte dos pacientes atendidos nas emergências de Porto Alegre é oriunda do Interior. Uma parcela significativa poderia ser atendida no local de origem, mas a péssima remuneração de médicos e hospitais pelo SUS determina esse deslocamento. Urge o imediato descongelamento da tabela do SUS, para permitir que hospitais e médicos do Interior tenham condições de retomar o atendimento.
     
     Em meio ao sofrimento de pacientes e médicos, existe um cruel “jogo de empurra”, praticado pelos gestores dos diversos níveis de gestão da saúde. É uma briga prejudicial à população e também aos médicos, que acabam sobrecarregados, assumindo responsabilidades sobre questões que não são de sua alçada diante do excesso de pacientes. É uma briga sem vencedores. Até quando?

 

Eu sempre falo: ambulancia não resolve o problema de saúde, mas transfere o problema para outro. “Esta p#ca não é minha, é do aspira-prefeito-de-outra-cidade” já está na rotina de homens públicos. Por favor, senhores, reflitam!

Uma visão de um médico sobre o SUS

Com a palavra, o Dr.

Rojões, indicadores e o futuro do SUS
Roberto Luiz d’Avilapresidente do Conselho Federal de Medicina

Publicado no(a): Correio Braziliense Em: 11/2/2010

Os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) e do estudo Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (Vigitel 2008) – ambos financiados pelo Ministério da Saúde e divulgados recentemente – indicam um caminho promissor para o país no que se refere a promoção dos hábitos saudáveis e a prevenção de doenças. Por exemplo, a PeNSE mostrou que 76% dos estudantes brasileiros nunca experimentaram um cigarro na vida. Revelou ainda que 80% dos alunos da rede pública aprenderam a evitar a gravidez precoce em sala de aula.
     
     Já o Vigitel 2008 apontou queda de 20,5% nas mortes por doenças cardiovasculares num período de 16 anos (de 1990 a 2006). Na população de 20 a 74 anos, observou-se que o risco de morte caiu de 187,9 por 100 mil habitantes, em 1990, para 149,4 por 100 mil habitantes, em 2006, ou seja, menos 1,4% ao ano. Isso sem contar com a queda de 30,9% das mortes especificamente por doenças cerebrovasculares (AVC) no mesmo período.
     
     Diante de quadro estatístico tão alvissareiro, as autoridades brasileiras se apressaram a assumir a paternidade (a esquerda e a direita) dos indicadores e atribuí-los a adoção de políticas e programas governamentais. Lembraram-se, inclusive, de reconhecer o papel da assistência à saúde pela expansão da atenção básica, hoje ancorada no Programa Saúde da Família (PSF), peça chave no repasse de informações e no diagnóstico precoce de doenças crônicas que, nos tempos modernos, insistem em engrossar os dados de mortalidade.
     
     Falou-se que o Ministério da Saúde está no caminho certo e em condições de combater os principais problemas enfrentados pela população. Se por um lado, como cidadãos, nos regozijamos com o êxito nacional, por outro, sentimos a necessidade de fazer um alerta: o tom ufanista, o clima do já ganhou – tão comum às torcidas antes dos grandes embates – não faz bem a saúde e deveria ser substituído urgentemente.
     
     Não podemos negar que o Brasil da atualidade está anos-luz à frente daquele que se debatia com a ausência de uma política publica eficaz no campo da assistência. Em 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS) trouxe esperança de acesso universal, integral e equânime a milhões de pessoas que dependiam da filantropia. O modelo tornou o Brasil referencia internacional e deu norte ao conjunto de atividades de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, capacitação de profissionais, vigilância e assistência farmacêutica. Mas como manter tais políticas e programas enaltecidos pelo Ministério da Saúde na sua rota de sucesso?
     
     Essa resposta se configura tão complexa quanto o enigma que encerra. E, como provocadores desta reflexão, nos sentimos obrigados a apontar ao menos duas saídas. A primeira é a definição de uma fonte de financiamento estável para o SUS. A regulamentação da Emenda Constitucional 29, que há anos se arrasta pelo Congresso Nacional, urge pelo engajamento do Governo e pela união de forças políticas e de diferentes segmentos da sociedade que a levem a aprovação definitiva. A existência do SUS depende diretamente de recursos em seus três níveis de gestão (federal, estadual e municipal), sem os quais se torna inviável manter seus princípios (universalidade, integralidade, gratuidade, equidade, controle social) e ampliar sua linha de cuidados.
     
     A segunda saída se relaciona ao reconhecimento do papel dos profissionais da saúde, especialmente dos médicos, sobre os quais repousa a responsabilidade de colocar em prática as propostas desenhadas pelos sanitaristas de Brasília. Para tanto, a criação de uma carreira de estado para estes profissionais permitiria levar assistência aos brasileiros de todos os cantos do país. Tal compromisso implica assegurar aos que fazem a saúde nossa de cada dia boa infra-estrutura de trabalho, uma rede integrada capaz de absorver os casos mais graves e salários compatíveis com a responsabilidade e as exigências pertinentes.
     
     Ora, sem recursos assegurados e no vácuo de uma política de reconhecimento da mão-de-obra em saúde, entre outras providencias também urgentes, o tempo dos festejos pode estar perto do fim. As autoridades e a sociedade devem impedir que estes projéteis atinjam em cheio a maior política social do mundo, e mude o rumo do SUS, fazendo-o marchar, sem escalas, para o abismo.

Não é o analista de sistemas quem está dizendo isto a muito tempo. É o presidente do CFM!

O pequeno passo de cada dia

Eu tenho acompanhado diversos blogs de João Monlevade. E todos os dias, o que vejo, com raras excessões, é gente apenas opinando política. Até agora, de concreto, os blogs daqui não geram realmente conteúdo para a cidade. O que dá certo e o que dá errado é sempre visto como obrigação. Mas dar idéias para contribuir é complicado. Outro dia, conversando com um colega meu de São Paulo, ele me falou que a maioria dos blogueiros estão mais preocupados com a quantidade de acessos que a qualidade do conteúdo. Não revisão textos, não checam fontes. Não apontam dados, só vestem bandeiras, e muitas vezes, perdem totalmente o sentido do que deveria ser.

Nos blogs do Tibet, do Irã, você vê a clara conotação de desejo de liberdade. Aqui vivemos em democracia, mas só sabemos cobrar e criticar. Nossa parcela de contribuição fica reduzida a alguns raros posts.

Pessoal, vamos deixar de lado estas rusgas, vamos pensar na Cidade juntos!

Plano de Governo ou governo planejado?

O Célio Lima postou sobre a relevância de fazer pequenas coisas. Nada de ousadia, nada de projetos mirabolantes. Fazer o café com leite e o pão. Eles não matam a fome, mas se você conta com ele todos os dias, pode correr atrás de outras coisas mais relevantes.

Recomendo a qualquer gestor resolver dois problemas básicos. Saúde e Educação. Saúde e educação são aglutinadores de forças e repasses públicos federais. A saúde e a educação podem trocar figurinhas, articularem ações, promover resultados práticos. Por exemplo, incentivar a alimentação correta em crianças, combater a desnutrição, gerar até emprego e renda. Boas inciativas de parcerias entre as secretarias estão cheias por aí, espalhadas pelo Brasil, e reconhecidas até internacionalmente.

Com estes 2 pilares, bem resolvidos, gera-se uma corrente de sinergia e ações. No lugar dos secretários olharem para suas pastas de maneira isolada, bota a coisa para acontecer em sinergia! Observem, por exemplo, as atividades da secretaria de esportes. Se articular algo com a saúde e a educação, pode-se ter escola integral em toda a rede municipal, de maneira coerente e organizada. Sem desperdiçar dinheiro público. Se a secretria de trabalho social envolver diretamente com as escolas, para promover oficinas de geração de renda, pode ajudar a mitigar a pobreza. E a de saúde pode, por exemplo, acompanhar o desemepenho dos “atletas”, com aulas e orientações dos fisioterapeutas.

Idéias não faltam para nada disto. Mas será que só eu sou capaz de ver esta interconexão, e ninguém da gestão pública pode assumir este papel de botar estas conexões para fazer?

Com a palavra, os maestros.

Não existe “problema” no posto de saúde. Existe é… falta de controle!

Esta eu vou falar, e muita gente pode achar que estou falando besteira. Mas provarei que não. Não existe problema nos postos de saúde de qualquer cidade, como a nossa. Existe simplesmente falta absoluta de controle.

Não se sabe controlar filas, e não se sabe garantir ao cidadão o acesso à ela, porque não se tem instrumentos que medem a eficiência do atendimento. Falta também a interligação rápida entre o PSF e as unidades de saúde (UBAS – Unidades Básicas de Saúde, ou postos de saúde). 

Eu já falei aqui antes do e-Cidade. Um software livre, que pode ajudar a administrar qualquer município. Pois bem, se a secretaria de saúde resolver colocar (por conta própria) o e-cidade, nos módulos agenda, e criar a integração entre as UBAS, SEFIN e o PSF, gerenciando toda a parte de agendamento, reduz a fila em um prazo máximo de 6 meses. Não estou “chutando” dados. É factível que nos 3 primeiros meses se dará o “tunning” do sistema. Nos outros 3, a produção fica mais refinada. Depois disto, é colher resultado.

Não acho que falte mão de obra qualificada para implantação. Acho que falta mesmo é o total desconhecimento do que um sistema deste nível pode gerar de resultado concreto e prático. Não falo de grandes cidades, onde o e-cidade seria quase distrital, mas em cidades como a nossa, e todas da região, seriam beneficiadas.

Se a secretaria de saúde apostar suas fichas neste tipo de controle, ela vai, através das análises, verificar, por exemplo, onde se falha e onde se acerta mais na logística dos atendimentos. Identificará, por exemplo, que posto X e Y tem demandas em tal dia, e até verificar capacidade ociosa. Se integrasse com todos os elementos que compõe a rede de serviços (você já sai de consulta agendada, com os exames agendados, com tudo programado), você verá que pode usar a criatividade para melhorar as ações de PSF, ou descobrir demandas reprimidas. E até melhorar a idéia do Centro de Especialidades Médicas.

E isto sem torrar grana dos cofres públicos. Olha que montanha interessante para ser ultrapassada? E aí, secretaria de Saúde, vamos escalar esta montanha?

Os muros e os vales.

Eu acredito que estão erguendo muros demais em minha cidade. Muros de idéias, de debate, de conversa sadia. O Célio sempre defende as bibliotecas. Eu já vi bibliotecas e museus. Bons e ruins. Tive a oportunidade de conhecer o MASP e a Pinacoteca, em SP. Ambos prédios históricos. Ambos locais para experimentação e para sair incomodado ou alegre com a experiência. E todos cercados de bons cafés e restaurantes para boas discussões. Estes lugares aglutinam o debate. Não tem muros e os vales são transpostos de maneira teórica ou prática. De lá saem idéias para fotos, inspiração para músicas, sementes de alguma transformação. Mesmo que seja interna.

Se eu quero tomar um café expresso em Monlevade eu tenho dificuldade. Ainda mais se for para debater alguma coisa. Raramente posso encontrar com gente que queira dividir outros olhares sobre a paisagem das montanhas, e maneiras eficientes de ultrapassar os vales da mesmisse.  Se você debate algum assunto, muita gente pecha você de intelecualoide, chato. Nos meus encontros com os amigos, as pessoas quase olham pra gente como extra-terrestres. Que que este povo fala tanto de computador, num buteco? Vivo disto, e quando quero conversar, quero conversar sobre isto com meus amigos, pombas!

Falta em Monlevade este ambiente de idéias. Aqui os jornais não promovem debates. O Estado de Minas tem o projeto “Sempre um Papo“, que traz cabeças pensantes para falar com diferentes pessoas sobre o que acontece em outros lugares. Tem até o TED, que é antes de tudo visionario e inspirador. Gente falando sobre projetos, gente debatendo idéias. Gente movimentando cultura.

Diversos blogueiros sempre falam desta inexistência de diálogo. E os nossos jornais ainda vivem de apenas falar. O debate, promover o debate mesmo, fica apenas como uma iniciativa que tem que ser nossa. Eu acho que o debate deve acontecer, mas se tiver alguem promovendo o debate, cria-se o moderador, que evita a dispersão do assunto. E isto pode ajudar outras pessoas a refletirem.

Sabe o que eu gostaria que acontecesse? Um debate global dos blogueiros de Monlevade. Um círculo dos blogs. Todos em volta de uma mesa, conversando e propondo idéias. Um verdadeiro “Toró de parpite”. Nasceriam idéias excelentes para muita gente, e todo mundo poderia aprender. Poderia um Jornal promover esta idéia, este encontro. Um fim de semana com as pessoas que tem seus 100 acessos semanais (Eu cheguei na casa dos 500!)  Um final de semana conjenturando idéias, movimentando opiniões e compartilhando visões. Pessoas olhando para a cidade com um olhar diferente, politizado ou não, partidário ou não. Mesmo que eu tivesse uma discussão com o Thiago de meia hora sobre quem é o primeiro blogspot de monlevade (que ele tirou :) ) seria algo que poderia ser motivador para outras pessoas a fazerem. Imagine, por exemplo discutir turismo, educação, cultura, saúde, esporte, com pessoas que, acredito, estão articulando opiniões e compartilhando com a cidade? Alguma coisa iria nascer do meio deste caos. Nem que fosse uma rosa de hiroshima.

Eu não sei se algum Jornal ou rádio lê meu blog. Se ler, tá aí uma boa matéria, e oportunidade de fazer um debate diferente. Diferentes opiniões sobre a cidade, num fim de semana. Não iria ser um caderno de informática. Não existem muidos blogueiros monlevadenses que são nerds, mas daria no mínimo uma boa lista de assuntos para repercutir. Talvez até melhorasse a linha editorial. Ou a crença de que está fazendo um bom trabalho. Mas iria pelo menos dar uma saculejada nas idéias.

Tá aí, a semente de um debate. Se meus leitores toparem este debate, podemos chegar a alguns caminhos e olhares diferentes. Mas podemos fortalecer outras pessoas a discutirem sua relação com a cidade. E isto vale muito a pena.

O e-Cidade

Esta eu gostaria de dar a dica para meu colega Cláudio, que milita na TI da prefeitura. E até mesmo para o prefeito, vice e demais secretários.

Olha aqui um software integrado para administração municipal, o e-cidade. Livre, gratuito, na faixa.

Tente implantar ele numa secretaria pequena, primeiro, ou duas, como esporte e lazer e a casa de cultura. Veja o que pode ser melhorado, veja os resultados.

E aí, depois deste piloto, arregassem as mangas e mande para todos os demais setores. Bem melhor que planilhas e documentos. Bem mais ágil que mensagens e ligações telefônicas. E útil a toda pessoa. Sim, ele aumenta a transparência, porque tem um módulo cidadão. Olha que chique!

Ah… e o módulo de Saúde dele, embora fraquinho (Farmácia, agendamento de consultas e ambulatório) ia ajudar demais, por exemplo, a secretaria de saúde a resolver questões que hoje não tem. E ele faz o BPA (que coisa linda de meus bytes)!

E vai, software livre! Melhor que isto, só descer a montanha. Porque para subir, tem a corda já. Basta querer escalar agora.

Onde é preciso planejar

Vou dar uma dica para a secretária de saúde. Não a conheço pessoalmente (não tive a honra ainda) de conversarmos sobre a saúde de nossa cidade. Se quiser entrar em contato, fique a vontade. Estou tentando ajudar quem me pediu, embora, confesse, esteja precisando muito mais de tempo para focar num resultado prático.

Os projetos de odontologia e de PSF estão indo. Tenho visto alguns movimentos interessantes neste sentido em Monlevade, e acho que isto ajuda. Mas não existe ainda interligação entre os projetos nos diversos escopos da saúde. Apenas uma dica, que você pode colocar um software público gratuito, chamado SGD (Sistema de Gestão de Demandas). Ele é livre, e embora tenha uma linguagem de TI, permite que diversas fases de projetos sejam implementadas nele. Claro, ele pode ser customizado, basta querer.

Se você usar este software, não vai resolver os inúmeros problemas da saúde. Mas poderá gerar melhorias significativas em resultados. Se é planejado algo, é necessário monitorar e acompanhar, e o SGD é excelente nesta parte. Por exemplo, você pode articular com todos os envolvidos no PSF, na odontologia, na Fisioterapia, nos postos de saúde, rodando pela Internet. Cada um alimentando suas demandas e articulações. E você monitorando, dando as cartas e a direção. Não sei se você já jogou RPG, mas seria quase um gerador de fichas (com o devido respeito aos colegas que jogam RPG).

O software é público, sem custo, e ia poupar aquelas intermináveis reuniões e dificuldade de concentrar a equipe para pensar. Cada um poderia lançar seus planejamentos setoriais (chamados de demandas) e ir acompanhando os prazos, o que está evoluindo, e linkando com os setores dependentes.  Se a prefeitura tiver um servidor web, os postos de saúde acessam pela internet mesmo, todo mundo conectado e acompanhando em tempo real.

Eu acredito que planejamento de papel é tão bom quanto papel higiênico, porque nele dificlmente você pode voltar para trás e aproveitar algum trecho já vencido para aprender. Com o software, o processo passa a apresentar indicadores, e isto ajuda muito a ver quem realmente está trabalhando, ou quem está com dificuldades em encontrar a linha. E aí poder até trabalhar individualmente com estas demandas. Nada mais organizado, limpo e transparente.

E boa sorte, e querendo conversar, estamos ai.

PS.: Não quero cargo público. Não estou puxando saco de ninguém. Só que no lugar de ver as coisas acontecerem, e ficar apenas acusando, tenho que ser positivo e mostrar outras coisas, outras idéias, outras soluções. E de preferência, sem custo.

Mulheres, todos os dias, mulheres

Eu trabalho numa empresa em que o sexo masculino é minoria. Não é uma empresa ruim de trabalhar, embora eu acredita que sempre vou conviver com 30 dias de TPM. Tenho 3 irmãs. Mulheres sempre me rodearam. Na turma de informática que leciono, elas dividem espaço com a tradicional turma do bolinha da informática.

Na área de computação, elas estão dominando onde os homens são fracos, que é a análise de código, qualidade de software e suporte. Nesta parte, são imbatíveis. Ter suporte telefônico com uma mulher é bem melhor que com um cueca. Você não pensa que vai estar falando com um nerd, embora algumas sejam mais nerds que eu.

Mulheres sabem cuidar de feridas. Basta ver que a maioria das turmas de enfermagem em qualquer grau são de…. mulheres. A prepotência masculina ainda não chegou nesta área de cuidados. E ao mesmo tempo, me deparo com a grande contradição, que nós ainda temos muito o que aprender com elas.

Falo isto com a competência de ter 3 irmãs. Todas adultas, femininas, bem resolvidas, em profissões diferentes, e dominadas por mulheres. Minha irmã mais velha é professora, a do meio é Analista de RH e a mais nova secretária. Eu nunca conheci um secretário executivo. Elas me fazem ver todos os dias que ainda preciso vencer desafios maiores.

Mulheres precisan de nosso tempo, atenção e carinho. E muitas vezes o que damos a elas são resquícios do dia, pedaços de atenção. Não aprendemos a lidar com suas angústias, no alto de nossa testosterona. Ainda não sabemos qual a melhor frase para aplacar as dores delas. E elas nos dão o beijo que cura muitas doenças. E não sabemos beijar com a mesma competência.

Eu acho que a luta das mulheres que morreram, e que são lembradas hoje, são marcos. Marcos de uma sociedade que ainda não consegue rever muitos valores. Homens ainda vivem na pré-história dos sentimentos. Mulheres já transportam galáxias no coração, e nós não sabemos lidar com isto.

Eu queria dizer algo maravilhoso sobre este dia. Mas deixo meu abraço carinhoso a todas as minhas raras e maravilhosas leitoras. Ainda vou aprender a abraçar e a confortar como vocês fazem. Se chegar no beijo, melhor ainda. Mas não tenho esta pretenção.

Feliz todo dia da mulher.