Sou naturalmente otimista. Embora eu seja extremamente crítico em algumas áreas, penso que a inércia é a pior ferramenta. Ficar parado olhando dados sem propor alternativa não resolve o problema.
O governo tem um grande desafio ao assumir a gestão do PS do Hospital Margarida. A primeira é gerir seu estoque de PS para minimizar o desperdício e a ineficiência. O segundo desafio é a integração entre as redes de saúde.
Eu estive lendo outros pontos de vista. Realmente, na palavra do contador, a prefeitura vai ter um aumento no custo da urgência. E ela vai ter a oportunidade de fazer mais com menos. E como ela resolve esta equação?
Investindo em dados. Sim, investindo na coleta, tratamento e tomada de gestão. O melhor cenário é identificar em que momento aquele paciente retorna ao PS. Se ele retorna mais de 2 vezes no período de 6 meses, é o momento do PSF (Programa de saúde da família) entrar em ação. Hoje ela não consegue fazer isto. Se ela usar os sistemas ou até mesmo adquirir um, poderá gerenciar toda a cadeia de custo em saúde. Poderá, por exemplo, melhorar o resultado do PSF e evitar os atendimentos de patologias que torram as despesas de um PS (Hipertensos, diabéticos, pacientes crônicos). Na área de saúde suplementar, esta intervenção economiza 45% das despesas em 5 anos. Quanto mais bem cuidado o paciente for em casa, menos ele vai ter que gerar custos para as redes de urgência. Basta querer e fazer.
Claro, o momento agora será uma maratona contra o relógio. Acertar ponteiros. No meu post anterior, fui bastante pessimista. Confesso que acredito que se não acertar a rede básica, o custo da atenção de urgência quebrará a prefeitura em…. 2 anos, talvez. Mas se interligar e reforçar esta cadeia, conseguirá gerir como ninguém a saúde. Talvez até atingir a referência regional, porque cidade que compartilha as informações em saúde é cidade que gere bem. Basta que cada chefe de posto queira botar a mão e fazer acontecer. Deixar de reclamar e criar soluções. Intelecto para isto eles tem. Mas tem que fazer sempre mais com menos. Sem isto, acreditando que a torneira fica aberta o tempo todo, se quebra.
Atrevo a dizer que a prefeitura não pode deixar de pensar como empresa. Ela hoje sempre pensa em termos políticos. Basta criar indicadores, índices e que eles conseguirão avançar a passos largos. Se ela trabalhar na saúde 6 meses como empresa, ela consegue passar os outros 6 meses como política. Resultados virão. E com resultados práticos, vai poder até equilibrar os custos, sem perder a ternura
E que venham novos dias.