Arquivo para 3 de março de 2010

Otimista eu sou.

Sou naturalmente otimista. Embora eu seja extremamente crítico em algumas áreas, penso que a inércia é a pior ferramenta. Ficar parado olhando dados sem propor alternativa não resolve o problema.

O governo tem um grande desafio ao assumir a gestão do PS do Hospital Margarida. A primeira é gerir seu estoque de PS para minimizar o desperdício e a ineficiência. O segundo desafio é a integração entre as redes de saúde.

Eu estive lendo outros pontos de vista. Realmente, na palavra do contador, a prefeitura vai ter um aumento no custo da urgência. E ela vai ter a oportunidade de fazer mais com menos. E como ela resolve esta equação?

Investindo em dados. Sim, investindo na coleta, tratamento e tomada de gestão. O melhor cenário é identificar em que momento aquele paciente retorna ao PS. Se ele retorna mais de 2 vezes no período de 6 meses, é o momento do PSF (Programa de saúde da família) entrar em ação. Hoje ela não consegue fazer isto. Se ela usar os sistemas ou até mesmo adquirir um, poderá gerenciar toda a cadeia de custo em saúde. Poderá, por exemplo, melhorar o resultado do PSF e evitar os atendimentos de patologias que torram as despesas de um PS (Hipertensos, diabéticos, pacientes crônicos). Na área de saúde suplementar, esta intervenção economiza 45% das despesas em 5 anos. Quanto mais bem cuidado o paciente for em casa, menos ele vai ter que gerar custos para as redes de urgência. Basta querer e fazer.

Claro, o momento agora será uma maratona contra o relógio. Acertar ponteiros. No meu post anterior, fui bastante pessimista. Confesso que acredito que se não acertar a rede básica, o custo da atenção de urgência quebrará a prefeitura em…. 2 anos, talvez. Mas se interligar e reforçar esta cadeia, conseguirá gerir como ninguém a saúde. Talvez até atingir a referência regional, porque cidade que compartilha as informações em saúde é cidade que gere bem. Basta que cada chefe de posto queira botar a mão e fazer acontecer. Deixar de reclamar e criar soluções. Intelecto para isto eles tem. Mas tem que fazer sempre mais com menos. Sem isto, acreditando que a torneira fica aberta o tempo todo, se quebra.

Atrevo a dizer que a prefeitura não pode deixar de pensar como empresa. Ela hoje sempre pensa em termos políticos. Basta criar indicadores, índices e que eles conseguirão avançar a passos largos. Se ela trabalhar na saúde 6 meses como empresa, ela consegue passar os outros 6 meses como política. Resultados virão. E com resultados práticos, vai poder até equilibrar os custos, sem perder a ternura :)

E que venham novos dias.

O risco do elo mais forte e do elo mais fraco

Está para acontecer uma inversão de valores grande. Explico, irá se vestir um santo, e descobrir dezenas de padres e freiras. O que um gestor deveria fazer antes de assumir uma responsabilidade, é havaliar o risco inerente do colapso de outros serviços, porque se terá que gerir custos exponencialmente maiores de um processo que ainda não tem indicadores consolidados no que já é oferecido. Mudará de uma bicicleta, para um ônibus com 50 vagas, dois andares. E querendo locomover com a propulsão humana, arrastando 50 pessoas, com ar condicionado ligado.

Os elos fortes serçao enfraquecidos, e o elo mais fraco fortalecido. E não se conseguirá dar os passos necessários pela completa falta de informação. Realmente acredito que a intenção é a melhor, e torço para que seja, mas antes, qual é a resolutividade dos serviços que já são oferecidos e seu custo por pessoa? O repasse do SUS vai conseguir atender, sem aporte de recursos extra? O que teremos que fazer para melhorar esta situação ou encontrar um ponto de equilíbrio?

Acho o risco oportuno, e até socialmente responsável. Mas que outros setores terão que ser reforçados para encontrar o correto equilíbrio para isto? Que dados faltam? Onde a conta vai apertar, e quem teremos que desguarnecer? Que sustentabilidade mínima o serviço deve oferecer?

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer, já diz o verso. Mas quem sabe, tem dados. E se tem, a leitura dos mesmos está correta? O olhar está pensando no todo, ou só num aspecto do problema?

Elos são rompidos quando a força externa é grande, e os elos mais fracos não dão o suporte para o elo que está recebendo o peso maior. E a escalada da montanha requer que todos os elos suportem sua parcela de peso.

Novas regras de CTI e UTI

As novas regras de construção de UTI´s e CTI´s foram publicadas no DOU. Quem possui tem o prazo de 6 meses para se adequar. Quem não tem, bem, e se quer, deve correr para adequar os projetos.

Não se trata de um processo complicado, mas melhores práticas. E elas são importantes.

E vamos que vamos.