Arquivo para 7 de março de 2010

O preço da Ignorância é o mal resultado

A maioria das pessoas desconhece totalmente o que ocorre nas esferas públicas. Infelizmente, as contas, a prestação de informação não é a prática dos governos, em qualquer escala. Embora as iniciativas do governo como os sites da Transparência Brasil, e sites de outros órgãos do governo, prestar conta dos resultados não é a prática nas esferas menores. O que ocorre é que quanto mais oculta a informação, mais propenso ao mal resultado é. Fora a brecha da corrupção.

Por exemplo, não consig cruzar dados das esferas federais com as municipais. As do governo do estado também encontram certa dificuldade, mas as esferas municipais são uma verdadeira caixa de pandora. Não se consegue abrir diretamente. No site das prefeituras, quando possuem, não se consegue ter acesso aos custos. Exceto a prefeitura de SP, que divulga até o valor da folha de pagamento, o resto fica hermeticamente fechado.

Eu defendo a abertura destes dados. Afinal, quanto maior a transparência, maior vai ser a facilidade de saber a realidade, e se os prefeitos estão dando o nó com as verbas, ou se realmente estão sobrevivendo com o que é repassado pelas diferentes esferas.

Por exemplo, a polêmica do Hospital Margarida x Prefeitura. Se fosse observado que outras cidades, como Bela Vista, Rio Piracicaba e Nova Era ainda recorrem bastante ao Pronto Socorro do Hospital Margarida, sem oferecer nenhuma ajuda, a prefeitura poderia cobrar uma ajuda destas cidades também. Ou o próprio Hospital. Ou a própria prefeitura, que tem o seu PA com boa parte dos atendimentos oriundos desta cidade. Não se trata de uma ação inócua. Mas alguns municípios (inclusive aqui) gostam de transferir seus custos para outras cidades.

Neste ponto, bato demais da tecla de que as ambulâncias e ônibus são a pior amostra de que uma prefeitura não consegue resolver seus problemas dentro de casa. Transferir os custos para os grandes centros é muito cômodo. Apresentar estas informações doi demais. Não em nome da transparência, mas da total falta do resultado que isto vai ter.

Ainda acredito que a falta de lisura não será resolvida em alguns anos. A cultura da inércia e da falta de divulgação é uma prática de todas as casas. Afinal, o dinheiro que chega para um pode despertar a inveja do outro. No lugar de cooperar, eles preferem omitir, e ocultar.

E com isto, a ignorância de muitos é a maior arma da falácia da maioria. E o resultado, é o mínimo que se pode esperar.

A percepção diferenciada

Eu fico vendo o embate entre o antigo prefeito e o atual de Monlevade. Não se trata de uma guerra de idéias, mas o pior do que se pode esperar de alguem. Parece que a pessoa perdeu o osso, e agora não quer soltar mais, ou ficou magoado, porque não se consegue mais ter as benesses e acesso do poder.

Não sou militante político, não sou filiado a nenhum partido, como já deixei claro inúmeras vezes. Mas a política não deveria ser baseada em acusações, e sim em pensar diferente no que é melhor para a cidade. Se o espaço do “Hospital Madalena” deixa de ser hospital e passa a ser centro de especialidade, justifica a briga? Ambos não proverão a saúde? Quem, em qualquer situação, será beneficiado não é o povo?

A idéia de mais um Hospital em Monlevade é uma estratégia tão furada, que não se garante. Uma vez, conversando com a secretária de saúde Luciana (governo Moreira), ela me disse que o PA gerava um defcit, e que as AIH´s (autorização de internação hospitalar) resolveria parte deste déficit. Eu falei com ela que se o PA tem pacientes em regime de internação, ele não é um PA, e sim um hospital disfarçado, o que violava o sentido de um PA. Ela não concordou, porque ela não tinha como encaminhar os pacientes para internação devido ao tipo de problema que eles sofriam, que não atraia as instituições hospitalares (doenças pequenas).

Algumas idéias são realmente populistas e inoportunas. Elas funcionam como um pote de mel envenenado para atrair uma colméia. Elas vão, mas deixarão de produzir mel porque simplesmente foram mortas! Não adianta criar fontes de despesa sem um planejamento de como elas vão suportar ao médio e longo prazo. E o descaso da administração passada com números é tão preocupante, que não se consegue saber onde, de verdade, foram gastos os valores do PSF.

O PSF não foi levado a sério no governo Moreira. Se tivesse sido levado a sério, os resultados de óbitos por doenças crônicas não estaria nos níveis que estão.  Um dos papeis do PSF é promover a saúde, para reduzir os custos com intercorrências complexas. E nós ainda vamos pagar este preço por um bom período de tempo.

Eu gostaria que o ex-prefeito Moreira, que acusou existir a “máfia de branco”, apresentasse com clareza e transparência os dados de sua gestão na saúde. Eu não falo de pessoas transportadas pelo ônibus da saúde, ou ações inócuas de transporte de pacientes para BH. Gostaria de saber por que não se investiu em atendimento básico e PSF. Desafio ele a apresentar os dados do DATASUS de maneira coerente, e responder porque de 2003 a 2006 não existe nenhuma ação do PSF registrada junto ao Ministério da Saúde.

Não é o discurso falar é fácil, fazer também é que vai mudar a situação da saúde. O que muda a situação da saúde é o trabalho interdisciplinar, usar a criatividade para fazer mais com menos e ter os pés baseados em indicadores. Sem isto, vira pura balela.

Centrais de Compra podem reduzir custos

No meu último encontro com o Célio Lima, do Agenda Oculta, enquanto trocávamos impressões sobre a área de saúde, conversamos sobre centrais de compras hospitalares. As centrais de compra já são uma realidade em alguns hospitais (por exemplo, o Grupo São Luiz possui uma central de compras para sua rede, a Pró-Saúde mantém também este modelo). Neste quesito, pequenos compradores são beneficiados por negociações conjuntas, de materiais de consumo que torram a verba (soros, materiais de uso hospitalar, alguns medicamentos comuns). Nesta parte, a redução de preços pode chegar até a 20% do que se compra em um fornecedor.

Pesquisando rapidamente no Google, descobri uma central de compras “virtual”, baseada na cidade de Coronel Fabriciano, que tem excelentes resultados (economia de 16%) nos resultados.  A grande vantagem de uma central de compras já baseada na região é a possibilidade da negociação estar usando o nosso famigerado ICMS de 18%.  Por enquanto, o volume de hospitais é pequeno (de acordo com o site, 8 hospitais).  Imagine se entrarem mais hospitais, como o Margarida, e os demais de nossa região? Teremos um alcance de escala, permitindo uma otimização de custos maior.

Geralmente se engana quem pensa que é o medicamento que pesa mais numa compra hospitalar. A tendência das curvas ABC de estoque é manterem na curva A sempre os materiais e medicamentos mais simples. As luvas, seringas, agulhas e soros são os maiores vilões de um hospital, porque se gasta demais, sem perceber que estes valores tem a maior demanda de custo. Um par de luvas pode parecer com o valor irrisório de 12 centavos, mas no final do mês representa um valor significativo. 

Eu costumo dizer que hospitais não deveriam ter a visão de “concorrência”. Em nossa região, a maioria deles desconhece as vantagens de se comprar em conjunto. Colaboração, neste sentido, não existe. Cada um está olhando para seu próprio umbigo, esquecendo de otimizar seus resultados.

As prefeituras também poderiam manter este tipo de serviço, pelas associações locais, conforme sugeriu o Célio Lima. Mas acredito que devido à lei de licitações, isto poderia ficar um pouco limitado. Mas as prefeituras poderiam adotar pregões mais constantes destes itens, sem ferir a lei de licitações. Basta querer e fazer.

Eu não sou adepto do discurso de que falar é fácil, fazer também é. Mas é uma alternativa concreta para desafogar os custos. Mas apenas comprar bem não resolve, se não ocorrer uma mudança no paradigma de gestão de estoques. Quanto melhor gerenciado o estoque, melhor será o resultado final.

E vamos que vamos!