Arquivo para 9 de março de 2010

Os muros e os vales.

Eu acredito que estão erguendo muros demais em minha cidade. Muros de idéias, de debate, de conversa sadia. O Célio sempre defende as bibliotecas. Eu já vi bibliotecas e museus. Bons e ruins. Tive a oportunidade de conhecer o MASP e a Pinacoteca, em SP. Ambos prédios históricos. Ambos locais para experimentação e para sair incomodado ou alegre com a experiência. E todos cercados de bons cafés e restaurantes para boas discussões. Estes lugares aglutinam o debate. Não tem muros e os vales são transpostos de maneira teórica ou prática. De lá saem idéias para fotos, inspiração para músicas, sementes de alguma transformação. Mesmo que seja interna.

Se eu quero tomar um café expresso em Monlevade eu tenho dificuldade. Ainda mais se for para debater alguma coisa. Raramente posso encontrar com gente que queira dividir outros olhares sobre a paisagem das montanhas, e maneiras eficientes de ultrapassar os vales da mesmisse.  Se você debate algum assunto, muita gente pecha você de intelecualoide, chato. Nos meus encontros com os amigos, as pessoas quase olham pra gente como extra-terrestres. Que que este povo fala tanto de computador, num buteco? Vivo disto, e quando quero conversar, quero conversar sobre isto com meus amigos, pombas!

Falta em Monlevade este ambiente de idéias. Aqui os jornais não promovem debates. O Estado de Minas tem o projeto “Sempre um Papo“, que traz cabeças pensantes para falar com diferentes pessoas sobre o que acontece em outros lugares. Tem até o TED, que é antes de tudo visionario e inspirador. Gente falando sobre projetos, gente debatendo idéias. Gente movimentando cultura.

Diversos blogueiros sempre falam desta inexistência de diálogo. E os nossos jornais ainda vivem de apenas falar. O debate, promover o debate mesmo, fica apenas como uma iniciativa que tem que ser nossa. Eu acho que o debate deve acontecer, mas se tiver alguem promovendo o debate, cria-se o moderador, que evita a dispersão do assunto. E isto pode ajudar outras pessoas a refletirem.

Sabe o que eu gostaria que acontecesse? Um debate global dos blogueiros de Monlevade. Um círculo dos blogs. Todos em volta de uma mesa, conversando e propondo idéias. Um verdadeiro “Toró de parpite”. Nasceriam idéias excelentes para muita gente, e todo mundo poderia aprender. Poderia um Jornal promover esta idéia, este encontro. Um fim de semana com as pessoas que tem seus 100 acessos semanais (Eu cheguei na casa dos 500!)  Um final de semana conjenturando idéias, movimentando opiniões e compartilhando visões. Pessoas olhando para a cidade com um olhar diferente, politizado ou não, partidário ou não. Mesmo que eu tivesse uma discussão com o Thiago de meia hora sobre quem é o primeiro blogspot de monlevade (que ele tirou :) ) seria algo que poderia ser motivador para outras pessoas a fazerem. Imagine, por exemplo discutir turismo, educação, cultura, saúde, esporte, com pessoas que, acredito, estão articulando opiniões e compartilhando com a cidade? Alguma coisa iria nascer do meio deste caos. Nem que fosse uma rosa de hiroshima.

Eu não sei se algum Jornal ou rádio lê meu blog. Se ler, tá aí uma boa matéria, e oportunidade de fazer um debate diferente. Diferentes opiniões sobre a cidade, num fim de semana. Não iria ser um caderno de informática. Não existem muidos blogueiros monlevadenses que são nerds, mas daria no mínimo uma boa lista de assuntos para repercutir. Talvez até melhorasse a linha editorial. Ou a crença de que está fazendo um bom trabalho. Mas iria pelo menos dar uma saculejada nas idéias.

Tá aí, a semente de um debate. Se meus leitores toparem este debate, podemos chegar a alguns caminhos e olhares diferentes. Mas podemos fortalecer outras pessoas a discutirem sua relação com a cidade. E isto vale muito a pena.

O e-Cidade

Esta eu gostaria de dar a dica para meu colega Cláudio, que milita na TI da prefeitura. E até mesmo para o prefeito, vice e demais secretários.

Olha aqui um software integrado para administração municipal, o e-cidade. Livre, gratuito, na faixa.

Tente implantar ele numa secretaria pequena, primeiro, ou duas, como esporte e lazer e a casa de cultura. Veja o que pode ser melhorado, veja os resultados.

E aí, depois deste piloto, arregassem as mangas e mande para todos os demais setores. Bem melhor que planilhas e documentos. Bem mais ágil que mensagens e ligações telefônicas. E útil a toda pessoa. Sim, ele aumenta a transparência, porque tem um módulo cidadão. Olha que chique!

Ah… e o módulo de Saúde dele, embora fraquinho (Farmácia, agendamento de consultas e ambulatório) ia ajudar demais, por exemplo, a secretaria de saúde a resolver questões que hoje não tem. E ele faz o BPA (que coisa linda de meus bytes)!

E vai, software livre! Melhor que isto, só descer a montanha. Porque para subir, tem a corda já. Basta querer escalar agora.

Onde é preciso planejar

Vou dar uma dica para a secretária de saúde. Não a conheço pessoalmente (não tive a honra ainda) de conversarmos sobre a saúde de nossa cidade. Se quiser entrar em contato, fique a vontade. Estou tentando ajudar quem me pediu, embora, confesse, esteja precisando muito mais de tempo para focar num resultado prático.

Os projetos de odontologia e de PSF estão indo. Tenho visto alguns movimentos interessantes neste sentido em Monlevade, e acho que isto ajuda. Mas não existe ainda interligação entre os projetos nos diversos escopos da saúde. Apenas uma dica, que você pode colocar um software público gratuito, chamado SGD (Sistema de Gestão de Demandas). Ele é livre, e embora tenha uma linguagem de TI, permite que diversas fases de projetos sejam implementadas nele. Claro, ele pode ser customizado, basta querer.

Se você usar este software, não vai resolver os inúmeros problemas da saúde. Mas poderá gerar melhorias significativas em resultados. Se é planejado algo, é necessário monitorar e acompanhar, e o SGD é excelente nesta parte. Por exemplo, você pode articular com todos os envolvidos no PSF, na odontologia, na Fisioterapia, nos postos de saúde, rodando pela Internet. Cada um alimentando suas demandas e articulações. E você monitorando, dando as cartas e a direção. Não sei se você já jogou RPG, mas seria quase um gerador de fichas (com o devido respeito aos colegas que jogam RPG).

O software é público, sem custo, e ia poupar aquelas intermináveis reuniões e dificuldade de concentrar a equipe para pensar. Cada um poderia lançar seus planejamentos setoriais (chamados de demandas) e ir acompanhando os prazos, o que está evoluindo, e linkando com os setores dependentes.  Se a prefeitura tiver um servidor web, os postos de saúde acessam pela internet mesmo, todo mundo conectado e acompanhando em tempo real.

Eu acredito que planejamento de papel é tão bom quanto papel higiênico, porque nele dificlmente você pode voltar para trás e aproveitar algum trecho já vencido para aprender. Com o software, o processo passa a apresentar indicadores, e isto ajuda muito a ver quem realmente está trabalhando, ou quem está com dificuldades em encontrar a linha. E aí poder até trabalhar individualmente com estas demandas. Nada mais organizado, limpo e transparente.

E boa sorte, e querendo conversar, estamos ai.

PS.: Não quero cargo público. Não estou puxando saco de ninguém. Só que no lugar de ver as coisas acontecerem, e ficar apenas acusando, tenho que ser positivo e mostrar outras coisas, outras idéias, outras soluções. E de preferência, sem custo.