Esta é uma pergunta que costumam me fazer. Na conversa que tive com diversos profissionais de saúde na Quinta-feira, eu ressaltei a falta de cuidado com os dados.
O meu leitor pode pegar o caderno de saúde, por exemplo, de João Monlevade, ou de qualquer município do estado de Minas Gerais, e verificar os dados. Descobrirá, por exemplo que monlevade tem apenas 6 consultórios odontológicos completos disponíveis ao SUS, o que contradiz a realidade física. Que Monlevade tem apenas 265 assistentes e técnicos em enfermagem, o que contradiz totalmente a realidade. Ou seja, os dados não fecham com a realidade.
Se ele for mais a fundo, descobrirá por exemplo, valores interessantes sobre a atenção básica. Descobrirá que apenas 54% da população está coberto pelo SUS, sendo que são 40.660 pessoas assistidas pelo PSF (será a realidade?) , contra 18.174 pessoas com plano de saúde, ou seja, 16.695 que poderiam estar cobertas pelo PSF e não estão cobertas.
Estes números não estão sendo inventados, ou tirados da cachola deste blogueiro. Eles estão sendo tirados das fontes oficiais, ou seja, Ministério da Saúde e Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Nestes dados, podemos identificar que existem contas que não fecham. E se contas não fecham, significa que elas estão sendo abastecidas de maneira incorreta. Se são abastecidas de maneira incorreta, o repasse aos valores são incorretos.
A prefeitura consegue dinheiro com o SUS a partir do momento em que bota o pessoa da atenção básica para trabalhar, e coloca dados nos sistemas. Elabora projetos também conta muitos pontos, pois neles a verba tem destino e prazo para chegar. Portanto, falta a capacidade de realmente fazer projetos em Saúde.
Gastar muito em saúde não signifca ter uma boa gestão. Gastar homeopaticamente também não resolve o problema, porque vai faltar em determinado momento. Se a prefeitura quer melhorar a contrapartida governamental, precisa primeiro organizar muito a casa para evitar problemas com os dados, depois elaborar e cumprir os projetos.
Verba sempre tem e sempre terá, desde que se use corretamente as ferramentas e a legislação existente.
Pensem, senhores. Isto não é apenas loca, é nacional. Mas a cidade precisa dar o exemplo. Pensar e ajudar não dói.
E vamos subindo a montanha/