Sinistralidade é o nome que se dá para a equação receita x despesa na área de saúde. Quanto maior for o percentual da despesa, pior é o resultado operacional. A ANS preconiza que as operadoras de saúde, para conseguirem sobreviver no mercado, tenham uma sinistralidade de 75%. A grande maioria das operadoras está na faixa de 82 a 85% de sinistralidade. Existem algumas que possuem sinistralidade na faixa de 130%, ou seja, sua despesa é 30% superior a sua receita. Elas tendem a quebrar.
Existe um equilíbrio natural nestes dados. Existem análises de comportamento de custos, definidos por atuários, que indicam que, em casos específicos, como a sinistralidade de populações acima de 65 anos seja maior, devido ao custo de saúde (exames, visitas aos médicos, medicamentos). Nas faixas etárias inferiores, existe até equilibrio, sendo que as despesas representam entre 40 e 57% da receita (adolescentes gastam menos).
Se você observar os dados do IBGE, nossa população vem envelhecendo muito. O país, que na década de 80 era o país do futuro está sendo convertido em um país de velhos. Se você for um observador urbano perpicaz, verá que cada vez mais as famílias tem menos filhos, e isto impacta diretamente sobre… custos, e custos na área de saúde.
Mas se o leitor quiser encontrar uma saída para esta crise, ele tem ferramentas que reduzem esta sinistralidade, chamada “Promoção da Saúde”. Atitudes preventivas, cuidados na alimentação, bem estar e qualidade de vida, que elevam o tempo de vida da pessoa e diminuem a hospitalização. Se você considerar que para cada real gasto em promoção à saúde você pode economizar 3 reais em internação hospitalar, você, se é um gestor esperto, vai virar suas baterias em três áreas interrelacionadas: educação, esporte e urbanismo.
Educação, porque pessoas informadas evitam doenças, e conhecem mais os malefícios de uma vida desregrada. Esporte porque atividade física bem conduzida é sinal de saúde e bem estar. E urbanismo, quando os equipamentos humanos facilitam o acesso de todos, reduzindo fatores como stress, aumentando a qualidade de vida.
Infelizmente, só os planos de saúde estão pensando em sinistralidade. Já as prefeituras…. Algumas desmantelam os PSF´s, o que encarece sua gestão em saúde.
E vamos subindo a montanha.