Sim, existe um grande debate sobre os blogs e a saúde. Meu blog envolve saúde. Mas fico mais na parte de gestão. Sobre a conduta médica, discutir propedeutica ou divulgar “novos tratamentos”, não posso fazer porque simplesmente não sou médico ou profissional de saúde (embora conheça meandros de equipamentos de diagnóstico por imagem). Então, meu blog, que está crescendo em acessos (estou passando dos 100 acessos), não trata sobre os meandros que já citei.
Confesso que já pesquisei sobre diversas doenças na Internet, e seus tratamentos. Mas não vou nas fontes tradicionais como simplesmente ir no Google e digitar. Prefiro ir direto nas fontes das sociedades da especialidade ou diretamente nas diversas bibliotecas médicas disponíveis. Mas eu adoto este critério, porque sei que muitas pessoas trocam informações sem o crivo da responsabilidade.
Por exemplo, Urinoterapia. Algo totalmente desprovido de critério e embasamento. Mas algumas pessoas acreditam, porque algum “guru” da medicina falou que era interessante, e que ajudava a curar diversas doenças. Ora. Se é algo excretado pelo corpo humano, como pode ser bom? O organismo humano não descarta nada se não tiver necessidade ou sentido. E dizer que este tipo de tratamento cura câncer e AIDS é de uma total falta de bom senso.
Aí que mora o problema do filtro das informações. Todos os dias, alguém busca um melhor entendimento sobre os resultados de exames clínicos. Por exemplo, se o nível de colesterol for alto, ele já irá pesquisar sobre os efeitos do colesterol alto no organismo, e não conseguirá interpretar os demais resultados. Apenas alguns sintomas não justificam uma pesquisa na Internet. Afinal, não existe um sintoma isolado. Por exemplo, febre e tremor não podem indicar apenas uma gripe.
A Internet populariza muita coisa. Lixo também. Infelizmente, o desespero da busca pela informação nesta sociedade conectada em que vivemos não impede absurdos. E os consultórios médicos estão refletindo isto, com o número cada vez maior de pessoas questionando o médico sobre os resultados dos seus exames.
Nisto, talvez seja um aspecto positivo. Afinal, existirá o diálogo entre o paciente e o médico. Mas o médico deve saber orientar também a consulta do paciente, e orientar adequadamente o uso da internet para a pesquisa sobre os exames e resultados.
Não adianta plugar itens de saúde e desplugar o médico. Ele é fundamental no processo, mas não pode se fechar ao uso da tecnologia. Ele deve estar aberto a este tipo de questionamento e apto a esclarecer adequadamente sobre os sites que podem ajudar e agregar informação ao paciente.
#1 por Leandra em 24 de janeiro de 2010 - 22:34
Citar
Adorei seu post!
Sobre esse assunto há 2 questões:
1- qualidade do conteúdo médico publicado:
Para ajudar pacientes leigos na busca de informações sobre saúde na Internet, existem instrumentos de avaliação de páginas da Internet; estes instrumentos, de modo geral, contribuem para a conferência da presença dos Critérios Técnicos de Qualidade, como nome da instituição responsável, nome do autor e suas credenciais, data de publicação, referências, divulgação do processo editorial, entre outras . Isso já é feito em alguns países.
2- Paciente que busca informções na internet:
Há alguns médicos que acham que isso desprofissionaliza o médico, que diminui sua autoridade e que leva a automedicação.
Eu penso que as informações disponíveis na internet têm potencial para modificar a relação
médico-paciente. Ao elevarem o poder decisório do paciente, colocam em questão a formação e
autoridade profissional médica e desafiam o médico a estar constantemente atualizado. Assim, criam a
possibilidade de decisões mais compartilhadas, e é isso a grande vantagem do “paciente informado”.