No meu último encontro com o Célio Lima, do Agenda Oculta, enquanto trocávamos impressões sobre a área de saúde, conversamos sobre centrais de compras hospitalares. As centrais de compra já são uma realidade em alguns hospitais (por exemplo, o Grupo São Luiz possui uma central de compras para sua rede, a Pró-Saúde mantém também este modelo). Neste quesito, pequenos compradores são beneficiados por negociações conjuntas, de materiais de consumo que torram a verba (soros, materiais de uso hospitalar, alguns medicamentos comuns). Nesta parte, a redução de preços pode chegar até a 20% do que se compra em um fornecedor.
Pesquisando rapidamente no Google, descobri uma central de compras “virtual”, baseada na cidade de Coronel Fabriciano, que tem excelentes resultados (economia de 16%) nos resultados. A grande vantagem de uma central de compras já baseada na região é a possibilidade da negociação estar usando o nosso famigerado ICMS de 18%. Por enquanto, o volume de hospitais é pequeno (de acordo com o site, 8 hospitais). Imagine se entrarem mais hospitais, como o Margarida, e os demais de nossa região? Teremos um alcance de escala, permitindo uma otimização de custos maior.
Geralmente se engana quem pensa que é o medicamento que pesa mais numa compra hospitalar. A tendência das curvas ABC de estoque é manterem na curva A sempre os materiais e medicamentos mais simples. As luvas, seringas, agulhas e soros são os maiores vilões de um hospital, porque se gasta demais, sem perceber que estes valores tem a maior demanda de custo. Um par de luvas pode parecer com o valor irrisório de 12 centavos, mas no final do mês representa um valor significativo.
Eu costumo dizer que hospitais não deveriam ter a visão de “concorrência”. Em nossa região, a maioria deles desconhece as vantagens de se comprar em conjunto. Colaboração, neste sentido, não existe. Cada um está olhando para seu próprio umbigo, esquecendo de otimizar seus resultados.
As prefeituras também poderiam manter este tipo de serviço, pelas associações locais, conforme sugeriu o Célio Lima. Mas acredito que devido à lei de licitações, isto poderia ficar um pouco limitado. Mas as prefeituras poderiam adotar pregões mais constantes destes itens, sem ferir a lei de licitações. Basta querer e fazer.
Eu não sou adepto do discurso de que falar é fácil, fazer também é. Mas é uma alternativa concreta para desafogar os custos. Mas apenas comprar bem não resolve, se não ocorrer uma mudança no paradigma de gestão de estoques. Quanto melhor gerenciado o estoque, melhor será o resultado final.
E vamos que vamos!