Ótimo, a transferência do PA antigo para o local onde será o centro de especialidades médicas é uma opção interessante. Existe um conforto maior e quase uma sensação de que o “Puxadinho” deu certo. Digo “quase” porque ainda não vi uma amarração física lá que me merecesse meus elogios (sim, sou azedo e ranzinza quando vejo o “puxadinho”).

O meu leitor mais denso, que me conhece, pode observar que sempre sou contra fazer “puxadinhos” na área de saúde.  Se for de maneira transparente (e em geral os governos nunca o são), os custos investidos nas idas e vindas do Centro de Especialidade custeariam pelo menos a modernização de toda a área de saúde de João Monlevade. Permitiria equipar todos os postos de saúde, melhorar e muito a atenção básica e modernizar os sistemas de gestão da prefeitura quase em todas as áreas. Poderia ainda comprar mais taxis de paciente (as ambulâncias). Poderia, por exemplo, melhorar toda a logística da área de saúde. Colocar um RX digital, PAC´s, até mesmo melhorar o combate e prevenção de doenças (dengue, hepatite, cobertura vacinal, etc).

Se você analisar friamente, sem prestar atenção no “ruído” político, o PA + CEM se revelam como um grande fracasso. Porque é caro demais manter aquela estrutura para atender a coisas que poderiam ser resolvidas nos centros de saúde próximos. O custo da estrutura física é maior que o resultado e relevância social que eles resolveram até agora. Uma “máquina” de sugar dinheiro, que, até em 2100 não se pagará enquanto relação custo x benefício. Digo isto “até agora”, porque o que está operando é pelo menos 25% do que ele poderia operar, enquanto projeto.

Os leitores que fazem oposição ao governo vão dizer “eu avisei”, ou “tá vendo, até o Manthis, que fica em cima do muro, sabe que aquilo é fadado ao fracasso”. A “situação” dirá “mas você só critica, não tem alguma contribuição para dar, e taxarão este espaço de apócrifo”.  Senhores, eu só vejo uma saída para isto. E chama-se resolutividade.

Resolutividade é a capacidade de um serviço em efetivamente, resolver o problema. É ele pegar princípio, meio e fim. Até agora, o que vejo é apenas o princípio, e talvez, pelo caos provocado pela oposição, que cobra posturas que talvez se ela tivesse que tomar, seriam “atitudes coerentes”.  A saúde e a secretaria de saúde precisam ver “ok, a gestão anterior nos deixou um abacaxi. Como descascar este abacaxi sem comprometer orçamento, programas e melhorar o desempenho da saúde?”. Não sou consultor, nem marketeiro, mas aponto alguns caminhos, que podem ser malucos, mas podem pelo menos “quebrar” o galho enquanto se pensa efetivamente em resolver o problema.

a) O CEM ainda vai demorar a sair. Ok, então, o que podemos fazer com as enfermarias e espaços que estão nos andares do CEM? Uma coisa simples seria colocar alguns médicos que podem atender lá para resolver consultas lá mesmo. Das especialidades vigentes. Basta pensar em identificar quem da região usa as redes de saúde, e fazer o atendimento lá mesmo. Maluco? Talvez uma boa dose de ousadia e criatividade resolvam o problema

b) O andar que “vai” ser o da administração, porque não usar como apoio para a capacitação de mães e famílias de pacientes crônicos, ou um espaço de treinamento e capacitação da rede de saúde? Se colocar o pessoal para palestras sobre diabetes, prevenção, toda semana, olha que benefício será tido para a população que carece de informações? Não precisa de ser toda semana, mas se tiver ações educativas 1 vez por semana, olha que coisa de grande relevância social terá sido feita?

c) Que tal oferecer outros serviços além de saúde lá? Saraus de música e poesia da Casa de Cultura em pleno PA? Claro, não digo nada “ultra-modernista”, mas algumas coisas bem pensadas, de 15 a 20 minutos, em alguns dias da semana, só para amenizar o sofrimento de quem espera? Existem boas experiências de música em ambientes de espera que ajudam a melhorar o humor de quem está lá. E de quem trabalha também.

d) Pesquisas, pesquisas e mais pesquisas. O problema dos órgãos públicos que geralmente eles não fazem pesquisas para verem como está o atendimento, ou mesmo como está o clima entre os colaboradores. Pesquisas de clima organizacional ajudam e muito a identificar o humor dos funcionários, suas frustrações e desejos. O primeiro resultado pode ser assustador (e acredite, será), mas ajudará a planejar ações que rendem mais resultados práticos no atendimento. Às vezes, uma simples mudança de cadeiras e mesas geram um feedback positivo. Ou mesmo campanhas de conscientização trazem este benefício.

e) Ouvir a comunidade médica. Não criar expectativas falsas, escutar os médicos, ver o que eles acreditam e pensam do espaço. Se fizerem esta pesquisa, de maneira objetiva, verão que podem surgir boas idéias do que fazer com o abacaxi. Chamar os médicos para colaborarem também ajuda e muito. Em geral, se eles são convidados, eles respondem a qualquer coisa que seja para melhorar para eles ou para outros.

f) Aprender a lidar com números. A maioria dos profissionais de saúde, não sabe lidar com números, com papeis. A burocracia exigida pelo governo é grande, e é nela que se esvai o dinheiro que poderia chegar. Pense em como colocar pessoas que gostam de papel, que zelam por números e que estejam querendo resultado. Aparecer mesmo. Coloque contadores, por exemplo, para estudar o fluxo de caixa da saúde, enfermeiras para verificar materiais e medicamentos aplicados, farmacêuticos empenhados para controlar estoques. Nenhum destes profissionais, se sérios e bem motivados, vão querer queimar seus nomes e seus diplomas e registros profissionais para prejudicar a prefeitura. Se desse até para colocar um estatístico cuidando do acompanhamento dos atendimentos, vocês poderiam aplicar boas idéias de otimização. Quem ganha é a cidade.

Ótimo, são idéias para resolver e começar a descascar o abacaxi.  Existe, claro, o que eu chamo de “viseira” que precisa ser tirada. Não basta olhar o problema só de um ângulo. Existem milhares de formas de se resolver este abacaxi, e depende basicamente de criatividade e motivação. Embora até agora não tenha tomado um café com a secretária de saúde, ela sabe que pode contar comigo para “bater e assoprar” sempre que necessário. Existem coisas boas sendo feitas, claro, mas já que se criou um abacaxi, descascar é obrigação de todos que querem ver nossa cidade melhor.

As respostas virão aos poucos.  Se esquecerem as rusgas políticas, e focarem apenas no que Monlevade quer e precisa, poderão fazer algo importante e produtivo no que resta de governo Prandini. Não será neste fim de semana, nem talvez no fim do ano, mas as coisas precisam ser resolvidas, e de certa forma, com prazos. Aprender a lidar com eles é difícil (Digo de experiência e vivência), mas é urgente e necessário fazer isto.

E vamos subindo a montanha.