Em outro post, abordei sobre o problema da fila. Mas esqueci que em Saúde pública as filas também são tão caóticas e desrespeitosas quanto nos bancos. E trazem mazelas piores, pois quem precisa de atendimento teoricamente não deveria entrar numa fila para marcar uma consulta.

A um tempo atrás, foi iniciado um processo de tentativa de marcação via telefone em várias cidades. Se o projeto tiver sobrevivido, foi a custa de criar outras alternativas além do telefone. Em algumas cidades o projeto foi feito engessado (só se aceitava via telefone, como uma forma de “domesticar” o atendimento. Fracassou totalmente.

Ocorre que todo governo, todo gestor, não sabe medir corretamente os tempos de espera e agir no que causa o tempo de espera. Um dos fatores é a falta de profissionais para diminuir este tempo, mas sequer se dá importância real a ele. Não se cria a idéia de que “se demorou mais de 15 dias para atender, é sinal que existe demanda reprimida”, e buscar concursos das especialidades deficitárias. Já vi neurocirurgiões atenderem em UBS´s não por vontade, mas porque a demanda de um clínico era maior que a de neurocirurgiões. E lugares que necessitavam de neurocirurgiões, mas tinham clínicos em demasia.

Uma forma de resolver isto, que é até prevista, são os consórcios municipais terem mecanismos de regulação de especialidades. Municípios maiores disponibilizariam sua rede para atender a demanda de outros municípios menores, desde que fosse equacionado o custo de maneira justa. Mas isto é uma coisa que é linda no papel, mas na prática, até o momento, raras experiências tem sido reportadas.

E o tempo nas filas cada vez é maior, mas vamos subindo a montanha.