Ontem um amigo me chamou no Google Talk e falou que era para eu parar de criticar a prefeitura e falar mal da saúde em Monlevade. Falou que eu não estava ajudando em nada.
Bem, primeiro, eu não falo mal do governo. Já me ofereci N vezes neste espaço para conversar sobre saúde pública, e a única conversa que tive com o governo foi extremamente amistosa. A secretária de saúde, se lê meu blog, não se manifestou até o presente momento.
Eu deixo claro sempre que o que ocorre em Monlevade, ocorre em outras centenas de cidades do Brasil. Os cargos públicos do “1º Escalão” são colocados em sua maioria para pessoas que não conhecem todas as matizes e cores do Sistema Único de Saúde (e eu sou o primeiro a assumir que não sou especialista em SUS, sou um farejador de dados do SUS). E que estas pessoas, quando assumem o poder, se perdem em meio ao grande número de trâmites que o SUS impõe. Durante a “preparação” do governo, o secretário deveria ter pelo menos a boa vontade e o compromisso de fustigar toda a legislação do SUS, para pelo menos entender o que é um teto de atenção básica (sim, conheço secretários de saúde que acreditam que o teto é aquele percentual constitucional que eles tem que cumprir).
Eu não critico a gestão municipal em sua estratégia política, mas critico a questão da falta de cuidado com os dados públicos. Roubaram computadores com dados importantes, e o que se fez com isto? Se tratou com uma leviandade tremenda. Descartaram irregularmente prontuários de pacientes, e não foi dado um critério de análise jurídica sobre isto.
Monlevade tem sofrido com letargias e “lags” porque tem trabalhado não para resolver problemas e pegar projetos, e sim para combater ataques da oposição. Ou seja, se dá um tremendo valor à oposição. E é triste perceber que a oposição tem horas que é mais inteligente e bem conduzida que o governo. É a minha visão enquanto cidadão.
Existem cenários que foram traçados no programa de governo que não vão ser cumpridos. E que jamais deixarão de sair da utopia para virar prática. E que muitos projetos terão caráter de atender a uma parcela tão pequena da população que sequer poderão ser chamados de projetos, porque serão feitos no encerramento da gestão, e que terão aspecto fraco e pouco sustentável.