As falhas de planejamento sempre aparecem

Eu costumo dizer, que querendo ou não, mais cedo ou mais tarde, a falha no planejamento de qualquer projeto de adaptação de estrutura física de um “puxadinho” vai aparecer.

Leio isto:

Raio X depende de projeto arquitetônico do prédio do PA

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Seg, 09 de Agosto de 2010 11:47 Escrito por Breno Eustáquio

A instalação do novo aparelho de raio X no Pronto Atendimento (PA) vai demorar ainda mais. Segundo o vereador Vanderlei Miranda (PR), líder do prefeito na Câmara, para que o novo aparelho seja instalado é necessária a conclusão do projeto arquitetônico do prédio onde funciona o PA.

De acordo com o vereador, a determinação é da Gerência Regional de Saúde (GRS) de Itabira e foi comunicada à Prefeitura na última semana. Além disso, também terá que ser instalado um quadro de distribuição de energia próximo à sala onde vai funcionar o raio X, o que deverá ser feito por meio de processo licitatório.

Enquanto isso não ocorre, Vanderlei explicou que um carro já foi disponibilizado pela Prefeitura de Monlevade somente para fazer o transporte dos pacientes até o antigo prédio do PA onde é realizado o exame de raio X. A Prefeitura já adiou, duas vezes, a instalação do equipamento na nova sede do PA por problemas técnicos.”

Se isto não for uma coisa mal feita desde a concepção (portanto, governo anterior) e da equipe que promoveu a mudança sem atentar para isto, ocorreu a falha aonde? No bendito planejamento!

E se fala em fazer um processo de licitação para um quadro de distribuição. Não seria mais correto cobrar isto de quem fez a obra? Ou o hospital não teria um espaço para RX?

E vamos subindo a montanha.

Cicloativismo. Para meu amigo Marcelo

Marcelo,

Esta notícia é digna de ser postada em todos os blogs.

“Cicloativíssima” Em 3 de setembro, minha sis Renata Falzoni será agraciada com a medalha José de Anchieta por sua luta para transformar a bike em meio de transporte.

Os Falzoni são uma gente extremamente inteligente e inquieta e nenhum jamais possuiu qualquer traço de mediocridade. Mas Renata tanto fez que conseguiu tornar-se uma excêntrica mesmo dentro desse núcleo familiar bastante incomum.

Mãe da Tati, 29, e avó da Giulia, 7, e do Caio, cinco meses, quem a conhece de suas transmissões pela ESPN (feitas com câmeras que ela mesmo adapta para usar no capacete), logo percebe nela uma coisa assim meio Vivienne Westwood de ser. Mas eu, que convivi com a Renata como vizinha na infância do Jardim Paulista, posso garantir que seu interesse não está em qualquer movimento de vanguarda.

E que apesar do ar andrógino que cultiva, Renata sempre foi uma heterossexual convicta. Pior. Sempre sofreu de amores por homens que eu considero nada menos do que repugnantes (algo me diz que este comentário vai me meter em apuros).

Renata vira e mexe dá as caras na minha casa às sete e meia da matina, lépida e falante, puxando meia dúzia de cães sem raça definida na coleira, que lembram um pouco um seu namorado inglês que já passou desta para melhor. Invariavelmente, ela me obriga a levantar da cama e ir atrás de sua cabeleira “fogo selvagem” para onde for, o que faço em estado de quase narcolepsia, mas não sem me perguntar quando é que a ficha vai cair de que dona madame Falzoni está prestes a completar 57 anos e que a maioria das senhoras de meia idade não anda por aí escalando o Aconcágua de bicicleta nem se digladiando para fazer a bike tomar o lugar do automóvel.

Há algo de heroico na sua militância. Pela persistência, pelo pioneirismo, mas, sobretudo, pela intransigência no compromisso conservacionista que assumiu desde o primeiro dia.

Isso não quer dizer que eu concorde com ela. A bicicleta deveria se apresentar como alternativa para quem não tem dinheiro, deveria ser a solução para despoluir, deveria ajudar a descongestionar o trânsito, mas, no caso de São Paulo, presta-se apenas a paliativos.

A fim de se proteger de um “inimigo” invisível, mauricinhos se juntam para pedalar à noite e atravancam os faróis como se fossem donos do mundo. Outra noite, na frente de um restaurante japa, tive de ouvir de um ciclista desses: “Vai acabar essa moleza! Cigarro e bebida têm os dias contados!” Pensei comigo: “E você vai cair daí e quebrar todos os dentes, seu nazista”.

A Renata que me desculpe, mas a visão, nos fins de semana, daquela faixa da direita segregada por cones para uso exclusivo do ciclista não faz exatamente engrandecer a alma. A bicicleta a beira-mar ou na cidade do interior ganha outro sentido, mas em São Paulo ela não cabe com naturalidade. É preciso montar uma operação de guerra para acolhê-la e o ônus para a prefeitura é grande. Falzoni sabe disso tudo. Mas continua irredutível em seu cicloativismo, convicta de que, a longo prazo, a bicicleta é a melhor saída.

É uma postura nobre e, no fim das contas, eu sou uma mulher pequena e mesquinha. Digo mais: excluindo seu gosto para homens, queria ser metade da rapariga que a Renata é.

Publicado no

Revista São Paulo – Barbara Gancia: “Cicloativíssima” – 08/08/2010

do www1.folha.uol.com.br

Livros de saúde pública: Todos devemos ler

Para quem não é da área, pode achar a abordagem pesada. Mas recomendo a qualquer leitor pelo menos a visita à editora do Ministério da Saúde.

Pode ler, também, sobre o PROESF, o famoso “Programa de Expanção e Consolidação do Saúde da Família”

Se você for uma pessoa antenada, descobrirá que todo o conteúdo está disponível para Download. São alguns gigas de informação relevante e útil a qualquer gestor de saúde.

Para meus amigos Célio Lima e Marcelinho, recomendo especialmente este livro. Não se assusten, pois ele é muito pequeno (nem chega a 22 páginas de texto), mas pode lançar olhares sobre políticas já existentes contra a redução de acidentes de trânsito.

Para os colegas médicos, que estão discutindo a unificação do PS do Hospital Margarida, recomendo fortemente a leitura deste livro.

Bem, leitura tem, basta querer clicar.

E vamos subindo a montanha.

O problema nem sempre é a urgência

Sempre converso com diversos profissionais de saúde, e todos são enfáticos em dizer que a emergência ainda é o maior gargalo de qualquer gestão de saúde. Porque a emergência tem suas características e custos, muitas vezes, maiores que o atendimento “eletivo”.

O leitor do meu blog sabe que sempre bato na tecla de que é necessário resolver o problema da atenção básica, em qualquer município, para que as urgências não sejam entupidas de casos que podem ser resolvidos na atenção básica ou num posto de saúde. Já vi pessoas frequentarem o PS dos hospitais apenas para trocar curativo. Ato que poderia ser executado em um posto de saúde próximo da casa do paciente. Retirada de gesso, então, é corriqueiro. Ou seja, o atendimento realmente prioritário fica comprometido com estes casos. Fora que não se faz a devida triagem dos pacientes nas recepções, o que compromete totalmente a dinâmica operacional de um PS.

Este ano, o maior pronto socorro do estado (o João XXIII ou HPS) teve sua greve, e os médicos faziam triagem na porta do HPS. Resultado: inúmeros pacientes voltavam para seus bairros. A maioria do cidadão acredita que o PS tem médicos mais qualificados que no posto de saúde do bairro, e que lá ele vai ser atendido sem enfrentar uma fila. Esquece de encarar que na realidade, ele é o causador da fila.

Isto tem um fator cultural muito grande, já que no nosso país, a cultura do “hospital” é enraizada, quase que a grito, na cabeça das pessoas: dor de cabeça e vômito? PS! E vemos a diminuição dos profissionais de PS, porque eles simplesmente não dão conta do recado, porque tem que atender além da capacidade física suportada por este profissional (já escutei relatos de médicos gastarem menos de 5 minutos no diagnóstico). E a população se sente mal assistida, abandonada. E ela é parte do problema (sim, temos que ser profissionais e reconhecer nossas falhas).

Se tivermos uma atenção básica baseada em resultado, teremos aumento de qualidade de vida das pessoas, e a consequente “desospitalização” de diversas pessoas, porque a atenção básica, quando funciona, esvazia qualquer pronto socorro e hospital. E é um programa do governo federal quem dá recursos para isto! Sim, o pacto pela atenção básica é algo real e bem remunerado!

Só que a atenção básica, como disse em uma conversa comigo uma leitora do meu blog, não dá voto! Aí, os governos municipais simplesmente abandonam programas que tem longo prazo para aparecerem nas urgências. E vemos mazelas terríveis, como taxi de paciente (ambulância), etc.

Antes que me digam que isto é uma crítica à gestão de João Monlevade, não é. A maioria dos prefeitos não dá a devida importância e valor à atenção básica. E com isto, temos cada vez mais filas nos hospitais, por culpa de uma visão política ultrapassada e irreal.

Mas, como sempre digo, vamos subindo a montanha.

Guilherme Nasser, por favor, leia meu blog!

Eu li isto no blog do Guilherme Nasser. Bem, Guilherme, como você é novo, e não é da área de saúde, vou tentar te ajudar.

1) Leia este documento aqui.

2) Leia este outro documento aqui.

3) Se for ousado, e quiser discutir com a Secretaria Municipal de Saúde, leia linha a linha deste aqui

Só assim, você poderá entender que não existe motolância sem serviço de urgência e emergência normalizados e instalados. Tudo bem que é um “Anteprojeto”, coisa que não entendo bulhufas do que é na prática (para mim, ante projeto é apenas o grito que antecede o projeto. Se o grito vai se transformar em ação, já é outra história).

Outra coisa, Guilherme, é isto aqui que está postado em seu blog. Teoricamente, basta você chamar o pessoal do Conselho Municipal de Saúde para conversar. Afinal, eles é quem “balizam” as contas da saúde.

E vamos subindo a montanha!

A dengue e os dados

Bem, considerando que ocorreram realmente as notificações por dengue no ano passado, este link deveria constar a cidade de João Monlevade, e outras da região.

Se estamos dentro da expectativa, podemos considerar que as ações de combate à dengue não estão sendo pontuais e efetivas nos 365 dias do ano. Ações em vigilância epdemiológica nunca podem ser baseadas apenas no calendário da chuva. A malária e febre amarela, por exemplo, tem um calendário de 365 dias de ações pontuais de fiscalização. Já a Dengue, bem, depende da cabeça dos governantes.

Mais uma vez, tenho que chamar a atenção de todos para dados. Senhores, seriedade com isto! E vamos subindo a montanha!

Cadernos de Saúde pública

Para quem não conhece, segue o link. São artigos produzidos pela academia (ou não), que mostram diversos olhares sobre saúde pública no país.

Quem estuda saúde pública, deve usar sempre como referência. Se for gestor, é assinatura obrigatória.

Comentários não aparecendo

Pessoal,

Eu tive um problema no plugin do Spam Free que uso no meu blog (para evitar mensagens indesejadas). Caso alguem tenha postado um cometário, por favor, poste novamente, pois não estavam aparecendo para mim.

Obrigado, Marcelo!

Primeiro, porque reconheço e sei do seu trabalho em ONG’s. A AMOBIKE é um excelente exemplo de como pensar diferente em Monlevade.

Monlevade muitas vezes não precisa de consultoria em empresas de fora. Existem pessoas criativas e bem capacitadas para discutir sobre qualquer assunto de interesse público. Quer consultoria de trânsito, consulte o Marcelo, o Werton e o Célio Lima (que entende bastante do assunto).

Existem também excelentes estrangeiros em Monlevade. Pode parecer bizarro para alguns, mas vejo o Marcos Martino como um grande nome na cultura regional. É uma pessoa criativa, articulada, entende do mercado, trabalha nele. O Luciano Rosa também é outra pessoa que vejo com excelentes idéias na Casa de Cultura, mas… cultura não atrai votos. O Marcelo Melo, por exemplo, é um cara que gostaria de memória, e faz um excelente trabalho em seu blog, sempre colocando fotos históricas, para que sempre nos lembremos de que Monlevade poderia ser maior do que é, porque as pessoas que construiram nossa cidade eram ativistas culturais fortes. Acho que o Marcelo sempre quer dizer: “Eles não tinham todos os recurosos que temos hoje e faziam muito mais com muito menos, será que somos dignos deste legado?”

Temos blogs agora em Monlevade em profusão. Blogs governistas, blogs oposicionistas, blogs jornalisticos, blogs de saúde, etc. Eu não me atrevo a dizer que qualquer analista político, dando uma passada nos blogs, pode encontrar informações sobre erros e acertos.

O que deve ocorrer sempre é a liberdade de expressão, desede que não seja ofensiva. Todos tem o direito de manifestar, até assegurado pela constituição. O que não deve existir, por parte do agente público, é a tentativa de desqualificar o blogueiro. Falar que ele não tem qualificação, que ele é um ignorante, que ele não é capacitado para isto. Isto é o tipo de política que ninguem precisa.

Comentário recebido por e-mail do meu amigo Marcelinho

“Caro Amigo

deixei de comentar (criticar construtivamente ou mesmo enaltecer algo bem feito) política de Monlevade, porque, se se faz uma crítica construtiva, você é logo incriminado, rotulado de fazer oposição.

Como eu lhe disse em uma de nossas conversas, saúde e educação SÃO (e não deixarão de ser) palanques de qualquer plataforma de governo, seja ele municipal, estadual ou federal.

É o que o povo precisa e quer. São as deficiências para a busca de melhoria na qualidade de vida do ser humano e de seus familiares e amigos.

Também, repito, você é uma peça chave de um tabuleiro de “game” complexo, de um xadrez, mesmo que não ocupe um cargo político, você  você faz diferença.

Além de ser CIDADÃO, você é altamente capacitado para a Gestão de Saúde Pública.

Pois bem.

Antes de ter criticado o trânsito da cidade, eu procurei estudas os problemas aqui existentes (que não são muito diferentes de outras cidades ou metrópoles), busquei informações, e apresentei sugestôes, inicialmente em uma fracassada audiência pública e depois, no blog (http://bocaonopulpito.wordpress.com).

As sugestões que dei são para serem DEBATIDAS, exaustivamente, com TODOS os segmentos da cidade, com uma proposta de possível melhoria no caótico trânsito da cidade.

Disse, também, que NÃO sou técnico na referida área de trânsito, mas, tenho capacidade de estudar e compreender algo. E assim o fiz, como você também o faz na saúde.

Hoje, passado algum tempo, sob uma reflexão profunda, chego à triste conclusão que somos somente população, e não cidadãos.

Uma pessoa como você tem que ser ouvida.

Mas, vamos que vamos, subindo a montanha.